Trump prepara contato direto com Maduro em meio à ofensiva militar no Caribe
25 novembro 2025 às 10h59

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja abrir um canal direto de diálogo com Nicolás Maduro, mesmo com a intensificação das ações militares norte-americanas no Caribe. A informação foi divulgada pelo site Axios, que detalha os bastidores da estratégia de pressão de Washington sobre o governo venezuelano.
O movimento marca uma inflexão na chamada “diplomacia das canhoneiras” adotada por Trump. No mesmo dia, o Departamento de Estado classificou Maduro como líder de uma organização terrorista, ampliando o embasamento jurídico para operações militares na região.
Segundo autoridades ouvidas pela Axios, a Casa Branca não planeja, neste momento, capturar ou atacar Maduro, embora a possibilidade não seja descartada no futuro. Enquanto isso, seguem os ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas. “Vamos continuar destruindo barcos que enviam drogas. Vamos parar o narcotráfico”, afirmou um funcionário.
A ofensiva — chamada de Southern Spear — já registrou 21 ataques com mísseis e ao menos 83 mortes, de acordo com o veículo. Embora oficialmente apresentada como operação de combate ao narcotráfico, fontes admitem que o objetivo não declarado é pressionar pela mudança de governo em Caracas.
Representantes da administração Trump também confirmam a existência de operações encobertas. Essas ações, afirmam, não têm como foco eliminar Maduro, mas interromper rotas de tráfico. Ainda assim, um integrante da equipe presidencial ressaltou: “Se Maduro cair, não derramaríamos uma lágrima”.
Ainda não há data definida para o diálogo entre os dois líderes. Toda comunicação, no entanto, seguirá a diretriz de classificar Maduro como “narcoterrorista”, termo considerado central para a posição oficial dos EUA. Diplomatas avaliam que o venezuelano pode acenar com eleições e concessões econômicas, mas lembram que “ele nunca cumpre suas promessas”.
A Axios destaca que a Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo do mundo, mantém alianças com Cuba, Irã, China e Rússia, o que amplia a complexidade do cenário. Parte do cálculo estratégico dos EUA leva em conta, inclusive, o temor de que agentes cubanos possam tentar eliminar Maduro caso ele decida deixar o poder.
As tensões se agravam sobre um histórico de acusações. Em 2020, no primeiro mandato de Trump, o Departamento de Justiça indiciou Maduro como líder do suposto Cartel de los Soles — denúncia que Caracas nega e chama de ficção.
A movimentação diplomática ocorre após o Senado dos EUA rejeitar, por margem apertada, uma resolução que buscava limitar ações militares de Trump. Embora críticos apontem o secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, como impulsionador da escalada, fontes oficiais afirmam que a iniciativa é diretamente conduzida pelo presidente. “O falcão na Venezuela é Donald Trump”, disse um funcionário, citando também Stephen Miller e Rubio.
Antes da operação Southern Spear, Trump tentou alternar pressão e aproximação ao enviar o emissário Ric Grenell. Segundo o New York Times, Maduro teria oferecido riquezas do país aos EUA, gesto interpretado por Trump como demonstração de fraqueza. A permanência do venezuelano no poder, porém, foi considerada inaceitável pela Casa Branca.
Mais recentemente, após novas tentativas de aproximação de Caracas, Trump reconheceu que “poderia ter algumas conversas com Maduro”. Segundo a Axios, assessores acreditam que o ambiente atual favorece uma saída diplomática. Um conselheiro resumiu o objetivo do presidente: “Ele quer que seu legado seja o de alguém que fez tudo o possível para conter o fluxo de drogas ilegais para os EUA.”
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