Guerra no Oriente Médio se intensifica com novos ataques entre Israel, Irã e Hezbollah
06 março 2026 às 06h45

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Israel realizou intensos ataques aéreos contra os subúrbios ao sul de Beirute, área controlada pelo Hezbollah, e iniciou nesta sexta-feira, 6, uma nova onda de bombardeios contra alvos em Teerã. Em resposta, o Irã afirmou ter atingido o centro de Tel Aviv com mísseis.
Imagens registraram explosões e clarões no céu da capital libanesa durante a madrugada. Segundo o Exército israelense, foram realizadas 26 ondas de ataques contra posições do Hezbollah, incluindo centros de comando e depósitos de armas do grupo apoiado pelo Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que disparou mísseis Kheibar contra Tel Aviv como parte da 21ª fase da chamada “Operação Promessa Verdadeira 4”. De acordo com o comunicado, a ofensiva envolveu mísseis e drones direcionados a alvos no centro da cidade.
Durante a madrugada, drones iranianos também atacaram a base aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. Autoridades locais informaram que não houve vítimas.
O Irã afirmou ainda ter atingido outros alvos militares, incluindo a base aérea de Ramat David, em Israel, um radar militar no país, o acampamento Al-Adiri, no Kuwait, onde há tropas dos EUA, e uma base que abriga militares americanos em Erbil, no Iraque.
Um porta-voz da Guarda Revolucionária declarou que novas armas e estratégias poderão ser usadas nos próximos ataques contra Israel e os Estados Unidos.
O conflito, que entrou no sétimo dia, já se expandiu para vários países da região. Segundo autoridades iranianas, ataques atingiram Israel, países do Golfo, Chipre, Turquia e Azerbaijão. No Oceano Índico, um submarino dos EUA afundou um navio da Marinha iraniana próximo ao Sri Lanka.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou que o país considera a guerra “existencial” e que responderá a qualquer ataque originado de forças americanas.
O Hezbollah também elevou o tom e pediu que moradores deixem cidades israelenses localizadas até cinco quilômetros da fronteira com o Líbano, afirmando que os ataques contra o território libanês “não ficarão sem resposta”.
Desde o início dos combates, há cerca de uma semana, pelo menos 1.230 pessoas morreram no Irã, segundo o Crescente Vermelho iraniano. No Líbano, o Ministério da Saúde registrou 123 mortos e 683 feridos em ataques israelenses. Israel não informou mortes relacionadas a ataques do Hezbollah.
O Azerbaijão também relatou tensão após afirmar que drones iranianos cruzaram sua fronteira e feriram quatro pessoas no enclave de Nakhchivan. O Irã negou a acusação.
Entenda o conflito
A atual escalada começou no sábado, 28, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã em meio às tensões envolvendo o programa nuclear iraniano.
Em retaliação, o governo iraniano passou a atacar países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, durante os bombardeios. Após a notícia, autoridades iranianas prometeram lançar a “ofensiva mais pesada” contra os adversários.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que retaliar os ataques de Israel e dos Estados Unidos é um “direito e dever legítimo” do país.
Em resposta, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou reagir com força caso o Irã amplie os ataques, afirmando que o país seria atingido “com uma força nunca antes vista”. As hostilidades continuam na região.

