O Papa Leão XIV afirmou neste domingo, 29 (data litúrgica móvel), durante a celebração do Domingo de Ramos, que Deus rejeita as orações de líderes que promovem guerras e violência. A homilia foi realizada na Praça São Pedro, diante de cerca de 40 mil fiéis.

Em sua mensagem, o pontífice ressaltou que Deus não pode ser invocado como justificativa para conflitos armados. “Ele não escuta, mas rejeita a oração de quem faz a guerra. Podeis multiplicar as vossas preces, que eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue”, afirmou.

A celebração do Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e recorda, segundo a tradição cristã, a entrada de Jesus em Jerusalém. Durante a homilia, Leão XIV destacou a figura de Cristo como “Rei da paz”, contrapondo a mansidão à violência.

O papa também retomou passagens centrais da narrativa da Paixão de Cristo, destacando que Jesus não reagiu com violência diante da perseguição. Segundo ele, o Messias entrou em Jerusalém montado em um jumento — símbolo de humildade — e, ao longo de sua trajetória, “não se armou, nem se defendeu, nem travou nenhuma guerra”.

De acordo com o pontífice, a postura de Cristo representa um modelo espiritual que rejeita a violência como instrumento de poder. “Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência”, afirmou, acrescentando que Jesus aceitou a crucificação como forma de “abraçar todas as cruzes erguidas na história da humanidade”.

O discurso também incluiu um apelo humanitário. Leão XIV pediu orações pelas vítimas de conflitos e destacou a situação de migrantes que perderam a vida em travessias marítimas. O papa mencionou a recente tragédia na costa da ilha de Creta, onde ao menos 22 pessoas morreram.

Segundo relatos de sobreviventes, as vítimas passaram dias à deriva em um bote inflável antes de serem lançadas ao mar. Outras 26 pessoas foram resgatadas, entre elas uma mulher e uma criança.