Adolescente de 18 anos é identificada como autora de massacre em escola no Canadá; saiba quem é
12 fevereiro 2026 às 18h47

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A polícia canadense identificou como Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, a responsável pelo ataque a tiros que deixou nove mortos — incluindo a própria autora — na pequena cidade de Tumbler Ridge, na província da Colúmbia Britânica, na terça-feira, 10.
Van Rootselaar iniciou a transição de gênero aos 12 anos e se identificava publicamente como mulher. Em postagens antigas em redes sociais e fóruns online, descrevia-se como “MtF” (male to female) e relatava inseguranças relacionadas ao próprio corpo, especialmente à altura — 1,83 metro — e ao desenvolvimento físico esperado com a terapia hormonal.
O atentado ocorreu na antiga escola da jovem, a Tumbler Ridge Secondary School, e é considerado um dos episódios mais letais em ambiente escolar no Canadá nas últimas décadas.
Ataque começou dentro de casa
Segundo a polícia, antes de seguir para a escola, Van Rootselaar matou a própria mãe, Jennifer Strang, e o meio-irmão de 11 anos dentro da residência da família. Em seguida, caminhou cerca de dez minutos até o colégio, onde abriu fogo contra alunos e funcionários por volta das 13h20.
Armada com uma pistola modificada e uma arma longa, ela matou três meninas de 12 anos, dois meninos de 12 e 13 anos e uma professora de 39 anos. Outras duas estudantes permanecem hospitalizadas em estado grave. Ao todo, cerca de 25 pessoas sofreram ferimentos leves.
A autora do ataque cometeu suicídio minutos antes da chegada da polícia.
Histórico de saúde mental e contato com autoridades
De acordo com a Real Polícia Montada do Canadá (RCMP), havia histórico de atendimentos na residência por questões relacionadas à saúde mental. Em ocasiões anteriores, Van Rootselaar chegou a ser detida para avaliação sob a legislação de saúde mental do país.
A polícia informou ainda que armas haviam sido apreendidas da casa dois anos antes, mas posteriormente devolvidas ao proprietário legal após recurso. A licença de porte de arma da jovem havia expirado em 2024.
As autoridades afirmam que, até o momento, não há indícios de participação de terceiros e que ela teria agido sozinha. A motivação do crime segue sob investigação e pode nunca ser totalmente esclarecida.
Identidade de gênero e publicações online
Van Rootselaar iniciou a transição de gênero aos 12 anos e se identificava publicamente como mulher. Em postagens antigas em redes sociais e fóruns online, descrevia-se como “MtF” (male to female) e relatava inseguranças relacionadas ao próprio corpo, especialmente à altura — 1,83 metro — e ao desenvolvimento físico esperado com a terapia hormonal.
Publicações recuperadas indicam também interesse intenso por armas de fogo e registros de prática de tiro em estandes. Em vídeos compartilhados online, aparecia utilizando espingardas e carabinas semiautomáticas.
A polícia ressaltou que “é cedo demais para estabelecer qualquer correlação” entre a identidade de gênero da autora e o ataque, e declarou não haver evidências de que ela tenha sofrido bullying na escola por ser transgênero.
Uso de drogas e instabilidade
Mensagens atribuídas à jovem mencionam o uso de substâncias alucinógenas, como cogumelos psilocibinos e DMT. Em uma das postagens, relatou ter experimentado um “colapso da realidade” após o consumo de três gramas de cogumelos.
Autoridades confirmaram que houve chamados anteriores envolvendo preocupações com armas e questões de saúde mental.
Comunidade em choque
Com cerca de 2,4 mil habitantes, Tumbler Ridge é descrita por autoridades locais como uma comunidade onde “todos se conhecem”. Na noite seguinte ao ataque, moradores realizaram uma vigília à luz de velas em homenagem às vítimas.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, classificou o episódio como “horrível” e afirmou que o país está de luto. “Uno-me aos canadenses no pesar por aqueles cujas vidas foram irreversivelmente alteradas”, declarou em nota.
A Divisão de Crimes Graves conduz a investigação para esclarecer as circunstâncias do ataque e a origem das armas utilizadas.
Enquanto o país debate novamente segurança escolar e controle de armas, a pequena cidade nas Montanhas Rochosas tenta lidar com uma tragédia que marcou sua história de forma irreversível.
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