“A maior ameaça à nossa segurança”: Trump culpa imigração após tiroteio perto da Casa Branca
27 novembro 2025 às 08h46

COMPARTILHAR
Um ataque a tiros registrado a cerca de 600 metros da Casa Branca, na noite desta quarta-feira, 26, reacendeu o debate sobre segurança pública em Washington, D.C., e motivou um duro pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Dois membros da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental foram alvejados durante uma patrulha e o suspeito foi detido pouco depois. Ainda não há informações oficiais sobre o estado de saúde dos militares.
O caso ocorre pouco mais de 24 horas após Trump afirmar, em discurso de Ação de Graças, que a intervenção federal decretada em agosto havia transformado a capital americana em uma “zona segura”. O presidente não estava em Washington no momento do ataque — ele viajou na noite anterior para a Flórida, onde passa o feriado. O vice-presidente, J.D. Vance, também não estava na cidade.
Pronunciamento de Trump: críticas a Biden e promessa de retaliação
Em um pronunciamento extraordinário, Trump classificou o ataque como “um ato de ódio, de maldade e de terror” e afirmou que o país estava “cheio de raiva justa e resolução feroz”. O presidente disse ainda que o suspeito preso seria um cidadão afegão que entrou nos Estados Unidos em 2021, durante o governo Joe Biden — acusação que ainda não foi confirmada oficialmente por autoridades independentes.
“Ele foi enviado pela administração Biden em setembro de 2021 nessas famosas viagens que todos estavam falando”, declarou Trump, chamando seu antecessor de “o pior presidente da história do país”.
O presidente afirmou que a entrada de imigrantes durante o governo Biden representou “a maior ameaça de segurança nacional” já enfrentada pelos EUA e disse ter intenção de revisar a situação de todos os estrangeiros que chegaram ao país vindos do Afeganistão naquele período.
“Se eles não querem nosso país, nós não os queremos”, reforçou.
Nas redes sociais, Trump chamou o autor dos disparos de “animal” e prometeu punição severa. “Pagará um preço muito alto. Deus abençoe nossa grande Guarda Nacional”, escreveu.
Envio de tropas e reforço na vigilância
Pete Hegseth, secretário do Departamento de Guerra dos EUA, confirmou que Trump ordenou o deslocamento de mais 500 militares para reforçar a segurança de Washington. Segundo ele, o objetivo é ampliar o patrulhamento em pontos estratégicos e garantir a proteção de prédios federais.
A segurança imediata da Casa Branca, no entanto, permanece sob responsabilidade do Serviço Secreto, que controla acessos e protege o presidente — função que a Guarda Nacional não desempenha rotineiramente.
Intervenção federal e disputa judicial
A intervenção em Washington, D.C., anunciada por Trump em 11 de agosto, foi justificada pelo governo como resposta a uma “emergência de segurança”, com índices de violência considerados altos pelo Executivo. O decreto permitiu o envio de tropas para apoiar forças locais, patrulhar áreas sensíveis e reforçar o policiamento em regiões turísticas e de grande circulação, como o National Mall e estações de metrô.
Na semana anterior ao ataque, uma juíza federal determinou o encerramento da operação. A própria magistrada, porém, suspendeu a decisão por 21 dias para que o governo pudesse recorrer ou retirar gradualmente as tropas — prazo que agora se cruza com o novo episódio de violência.
O ataque
O tiroteio ocorreu por volta das 20h, segundo o Departamento de Polícia Metropolitana. Os dois militares baleados participavam da Força de Trabalho Segura e Beleza da D.C., programa criado por Trump como vitrine de sua política de segurança pública. As circunstâncias exatas do ataque ainda estão sob investigação, mas as autoridades classificaram o episódio como uma agressão deliberada.
Trump afirmou que os soldados “cumpriam, sem hesitação, o juramento de defender a nação contra inimigos estrangeiros e domésticos” quando foram alvejados.
“Esses dois patriotas estavam patrulhando nossa cidade-capital enquanto todos nós estávamos reunidos com nossas famílias neste período do ano”, disse o presidente.
Clima político e discurso inflamado
O pronunciamento desta quarta-feira, marcado por críticas severas à política migratória de Biden, retoma um dos principais eixos da campanha de Trump antes e depois de sua posse: a associação entre imigração e violência. O presidente mencionou ainda casos envolvendo somalianos em estados como Minnesota, ampliando o tom alarmista sobre a presença de imigrantes no país.
Especialistas apontam que, embora Trump tente relacionar ataques isolados a falhas nas políticas migratórias anteriores, a confirmação da origem do suspeito e das circunstâncias da entrada dele nos Estados Unidos ainda depende de investigações oficiais.
Encerramento do discurso
Trump concluiu o pronunciamento pedindo que as famílias americanas façam uma oração pelos dois militares e reforçou a promessa de trazer o responsável “à justiça rápida e certa”.
“Que Deus os abençoe e os conforte, e que Deus abençoe e proteja os Estados Unidos”, disse.
