Pesquisa indica melhor saúde cardiovascular em moradoras de ruas arborizadas
31 março 2026 às 19h28

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Um estudo que analisou a relação entre os tipos de áreas verdes e a saúde cardiovascular de enfermeiras identificou menor risco de doenças cardiovasculares entre aquelas que vivem em ruas arborizadas. A pesquisa processou mais de 350 milhões de imagens do Street View com o uso de modelos de aprendizado profundo.
A partir dessa análise, foi constatado que quanto maior a presença de árvores, menor a incidência de doenças do coração e dos vasos sanguíneos. Ao mesmo tempo, outros tipos de áreas verdes, como gramados, foram associados a índices mais elevados dessas doenças.
Não foram observadas evidências de mudança no que diz respeito à densidade populacional, à poluição do ar ou às condições socioeconômicas da vizinhança. Os resultados permaneceram consistentes mesmo após o ajuste para outros fatores espaciais e comportamentais e continuaram presentes até mesmo depois do controle por índices tradicionais de vegetação obtidos por satélite.
A relação identificada, no entanto, não indica uma causa direta. Bairros com menos árvores podem ser menos favoráveis à prática de caminhadas e exigir maior uso de carros, o que contribui para hábitos sedentários. Além disso, fatores como a redução das ilhas de calor, da poluição e do uso de pesticidas — que também podem estar associados à presença de árvores — não foram avaliados diretamente.
Ao longo dos meses de pesquisa, realizada com 88.788 participantes, foram identificados 6.065 casos de doença cardiovascular. Para analisar as ruas, os pesquisadores dividiram as imagens em pixels e classificaram cada um em cerca de 150 categorias, como árvore, grama, campo e flores, entre outras. Em seguida, calcularam a proporção de cada categoria por imagem e relacionaram esses dados com a incidência de doenças cardiovasculares entre as moradoras das regiões analisadas.
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