Área queimada em Goiás em 2025 equivale a oito vezes o tamanho de Goiânia
06 fevereiro 2026 às 10h08

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A área queimada no estado de Goiás em 2025 chegou a 5.411,58 km², o equivalente à área aproximada de oito municípios de Goiânia lado a lado, segundo dados do Sistema de Informações Geográficas Ambientais de Goiás (SIGA), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
O número representa um aumento de cerca de 20% em relação a 2024, quando foram registrados 4.546 km² de áreas queimadas. Os municípios mais afetados concentram-se na região Centro-Norte do estado, com destaque para Cavalcante (64 km² queimados), Niquelândia (62 km²) e Monte Alegre de Goiás (50 km²), áreas com forte presença do bioma Cerrado.

O avanço das queimadas ocorre em meio ao anúncio do governo federal de corte de 17% no orçamento destinado à fiscalização ambiental e à prevenção de incêndios florestais para 2026. A redução representa R$ 101 milhões a menos, passando de R$ 596,9 milhões em 2025 para R$ 495,9 milhões no próximo exercício.
Apesar do corte, a Semad afirma, por meio de nota, que a redução não deve impactar a política estadual de preservação ambiental e enfrentamento às queimadas, já que o Estado não recebe repasses diretos da União para essas ações. “As atuações são complementares, porém distintas: a União concentra suas ações em unidades de conservação federais e terras indígenas, enquanto o Estado executa políticas próprias no território sob sua jurisdição”, diz o comunicado.
A pasta reforça que Goiás conta com estrutura própria de prevenção, monitoramento e resposta, com atuação integrada do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO), Defesa Civil, municípios e brigadas locais.
Em 2025, o Estado destinou R$ 27,79 milhões para a fiscalização ambiental, valor que inclui gastos com salários (R$ 21 milhões), diárias (R$ 788 mil), combustível (R$ 690 mil), locação de veículos (R$ 1,48 milhão) e tecnologias e equipamentos (R$ 3 milhões). Além disso, foram aplicados mais de R$ 5,4 milhões em ações diretas de prevenção e combate, como brigadas, monitoramento e atuação em unidades de conservação.
Para 2026, a Semad prevê um incremento superior a 30% nos investimentos, com aporte estimado em R$ 8 milhões, somados a recursos de outras pastas que integram o Comitê Estadual de Gestão de Incêndios Florestais (Cegif). “O Estado segue executando sua política ambiental com base em prevenção, tecnologia e articulação com municípios e setor produtivo, mantendo suas metas de preservação do Cerrado e controle do desmatamento com planejamento e recursos próprios”, afirma a secretaria.
Leia a nota na íntegra
“O Estado de Goiás não recebe repasses diretos do governo federal para ações de prevenção e combate a incêndios florestais em unidades de conservação estaduais ou em áreas rurais sob sua competência. As atuações são complementares, porém distintas: a União concentra suas ações em unidades de conservação federais e terras indígenas, enquanto o Estado executa políticas próprias no território sob sua jurisdição.
Assim, a redução de orçamento federal mencionada não altera o planejamento ou a execução das ações estaduais, que são estruturadas com recursos próprios e planejamento anual. Goiás mantém estrutura permanente de prevenção e resposta, em integração com o Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, municípios e brigadas locais.
O Estado vem ampliando investimentos próprios em prevenção. Em 2025, foram destinados cerca de R$ 5,4 milhões em ações diretas de prevenção e resposta, incluindo brigadas, monitoramento e atuação em unidades de conservação. Para 2026, a Semad prevê investimento superior a R$ 8 milhões, um aumento de mais de 30%, além de recursos de outras pastas que integram o Comitê Estadual de Gestão de Incêndios Florestais (CEGIF).
Goiás conta ainda com ferramentas próprias de monitoramento, como o Monitor de Queimadas, que funciona 24 horas por dia e emite alertas em tempo real a brigadistas e equipes de campo, permitindo resposta rápida e evitando a propagação de focos.
O Estado segue executando sua política ambiental com base em prevenção, tecnologia e articulação com municípios e setor produtivo, mantendo suas metas de preservação do Cerrado e controle do desmatamento com planejamento e recursos próprios.”
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