This is pamonha! como o produto goiano ganha espaço nas prateleiras dos Estados Unidos
10 março 2026 às 19h11

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Uma paixão regional capaz de ultrapassar fronteiras, a pamonha também faz sucesso nas prateleiras de mercados da Califórnia. A mais de 9 mil quilômetros de Goiânia, o chef Nélio Zebele, conhecido como o Rei da Pamonha, trabalha com a produção e a venda dos tradicionais produtos de milho recheados com queijo.
Não só a pamonha, mas também o pastel e o caldo de cana fazem sucesso entre americanos e demais imigrantes. Nélio conta que, surpreendentemente, os povos que mais demonstram entusiasmo ao provar a culinária goiana são os asiáticos. Chineses, japoneses e coreanos soltam onomatopeias de satisfação e quase sempre pedem mais uma ou duas para comer.

Como são feitas e vendidas as pamonhas nos Estados Unidos?
Nélio conta que o milho local, quando ralado, se transforma praticamente em água e não possui a consistência necessária para produzir a massa da pamonha. Por isso, ele faz o que chama de “mix”, utilizando milho do México e do Canadá. Segundo ele, não traz milho do Brasil porque existem limitações legais e regulatórias dos Estados Unidos que não permitem essa importação.
A empresa de Nélio fica em Fairfield, na Califórnia, perto de Napa, um importante centro internacional de produção e exportação de vinhos. O chef define seu ramo de atuação como o “business da saudade”. Ele trabalha em feiras e também fornece produtos para mercados, principalmente para um empreendimento chamado Hi Brasil, que reúne diversos produtos brasileiros. Em plena Califórnia, é possível comprar um filtro de barro e, ao sair da loja, tomar um caldo de cana acompanhado de pastel.
Além disso, Nélio também vende os produtos congelados, embora em menor quantidade do que antes, devido ao aumento do custo do frete. Ele conta que voltará a Los Angeles — onde participa de feiras a cada quinze dias — e já tem mais de 120 pamonhas encomendadas.
A cana utilizada para o caldo é plantada em solo norte-americano, congelada após a colheita e distribuída conforme a demanda. Veja o momento da colheita:
Nélio vive nos Estados Unidos há mais de duas décadas e nasceu em São Paulo. Ele conta que, no início, conhecia apenas a pamonha tradicional de Piracicaba, mas o produto que prepara hoje tem inspiração na versão goiana.
“Minha pamonha é estilo goiana, não é daquelas que coam a massa, é goiana mesmo. Eu sou de São Paulo, mas quando cheguei aqui o pessoal não tinha pamonha, e era uma loucura ver as pessoas tentando encontrar. Vi gente fazendo de tudo para conseguir pamonha. Aí pensei: vou correr atrás disso. Comecei a fazer e via o pessoal colocando fubá, o que acaba com a pamonha. Então resolvi estudar o assunto e fui desenvolvendo a receita.”, relatou ele.
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