Presidente do Detran-GO promete punir profissionais que aderiram à paralisação

16 julho 2025 às 10h52

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O presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Waldir Soares, afirmou que não vai tolerar a paralisação dos médicos e psicólogos credenciados que prestam serviços à autarquia. Questionado pelo Jornal Opção, ele declarou que haverá punições para os profissionais que suspenderam o atendimento. A paralisação de 48 horas ocorre na terça e quarta-feira, dias 15 e 16 de julho.
“O Detran vai ser intransigente”, afirmou Soares, a respeito da paralisação dos conveniados. “Com certeza, iremos punir aqueles médicos e psicólogos credenciados que fizeram a paralisação. Não seremos tolerantes com o prejuízo que o cidadão goiano esteja sofrendo, considerando que ele agendou um horário, ele tem gastos para utilizar o serviço”, garantiu.
A paralisação foi convocada por associações que representam as duas categorias e pede a correção de uma defasagem salarial que, segundo os profissionais, já dura nove anos.
Atualmente, os médicos recebem R$ 90 por exame médico comum, valor que, com o reajuste solicitado, subiria para R$ 159,71. Já os psicólogos querem que o valor do exame psicológico comum vá de R$ 100 para R$ 177,46. As categorias também reivindicam aumentos para exames especializados e atuação em juntas técnicas.
Anteriormente, o Detran-GO afirmou que a paralisação ocorreu um dia após reunião com representantes da autarquia e Governo de Goiás, em que teria sido acordado um prazo de 30 dias para apresentação de propostas. O presidente considera que a suspensão dos atendimentos desrespeita esse entendimento e ameaça aplicar penalidades administrativas aos credenciados.
“A punição pode ser, inicialmente, a suspensão desses médicos ou psicólogos que tenham aderido a esse movimento de paralisação”, anunciou Soares. “Eles são credenciados. É de livre e espontânea vontade que eles se credenciam no Detran. Eles não podem fazer greve”, acrescentou.
Além disso, o presidente argumentou que os valores pagos atualmente são compatíveis com atendimentos similares na rede privada e afirmou que parte dos profissionais já têm remuneração elevada.
“Tem médico que ganha mais de R$ 30 mil. Tem psicólogo que ganha mais de R$ 19 mil. Entendeu? Não tá bom? Você pega uma consulta do Ipasgo, que até semana passada era R$ 65,00, essa semana pulou para R$ 80,00. Em clínica popular, é R$ 50,00 a R$ 60,00. Não tá bom o valor de R$ 90,00 por uma consulta médica de 1 ou 2 minutos?”, questionou.
Apesar do tom firme, o presidente afirmou que o Detran-GO segue aberto ao diálogo:
“Fizemos um diálogo. No dia seguinte, eles mantiveram essa paralisação. É uma decisão. Cada um toma sua decisão e depois sabe que vai ter as consequências.”
Segundo Soares, como os profissionais são credenciados, não poderiam paralisar o serviço. Ao mesmo tempo, ele afirma que aumentar os valores da consulta implicaria em encarecer os processos envolvendo a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O presidente defende buscar uma solução, mas sem elevar o custo da CNH para o cidadão.
Reivindicações e próximos passos
Segundo Diolindo Freire, diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO), e Débora Legina, presidente da junta Governativa do Sindicato do Sindicato dos Psicólogos do Estado de Goiás (Sinpego), a paralisação tem adesão de 100% nas unidades do Vapt Vupt, clínicas e demais postos de atendimento em Goiás. Eles alegam que os valores estão congelados há quase uma década e que os serviços prestados são especializados, técnicos e essenciais à segurança viária.
Na segunda-feira, 14, o governador em exercício, Daniel Vilela (MDB), se reuniu com representantes das categorias. A reunião foi considerada positiva, e uma nova rodada de negociação está marcada para sexta-feira, 18, com a participação da Secretaria Estadual de Administração (Semad). O governo sinalizou a possibilidade de enviar uma proposta para corrigir a defasagem via decreto e estudar fontes de financiamento para os reajustes.
O SIMEGO deve realizar uma nova assembleia na sexta-feira, 18, para discutir uma possível prorrogação da paralisação. Na sequência, o Sinpego possui um reunião marcada para segunda-feira, 21, a respeito do mesmo tema.
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