Presidente do Detran-GO, Waldir Soares, critica aumento do limite para 50 km/h em vias no Centro de Goiânia
18 fevereiro 2026 às 14h39

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O presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Waldir Soares, criticou o fim da Zona 40 e o aumento do limite para 50 km/h nas vias do Centro de Goiânia. Segundo ele, a medida contraria diretrizes nacionais e internacionais de segurança viária voltadas à redução da velocidade em áreas com grande circulação de pedestres. Ao mesmo tempo, afirmou que nenhum órgão envolvido no trânsito, incluindo o Detran-GO, foi consultado sobre a questão.
“Não temos atuação em relação à decisão do prefeito Sandro Mabel, mas, pessoalmente, como presidente do Detran-GO, entendo que a medida não é adequada quando analisada em nível nacional ou internacional”, disse Waldir, em entrevista ao Jornal Opção. “Na maior parte do mundo, as áreas centrais das cidades são locais em que se trabalha para reduzir a velocidade e até o número de veículos em circulação. São regiões em que é preciso privilegiar o comércio e a grande circulação de pessoas, inclusive no sentido de substituir veículos por pedestres e bicicletas.”, acrescentou.
O presidente Detran-GO ainda menciona que a mudança diverge de normativas nacionais e internacionais. “A decisão do prefeito contraria o que é discutido no PNATRAN (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito), no Ministério dos Transportes, na Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) e até na Organização das Nações Unidas (ONU)”, afirmou.
Outro ponto mencionado foi a redução de acidentes nas vias do perímetro conhecido como “Manto de Nossa Senhora”, que abrange as avenidas Araguaia, Goiás, Tocantins, Paranaíba e Anhanguera, além da Rua 3. Por exemplo, em 2015, antes da medida, foram registrados 92 acidentes, com 34 feridos. Já em 2017, após a implantação, o número caiu para 24 acidentes e cinco feridos. “É possível verificar que houve redução no número de acidentes nesse período, com o limite de 40 km/h”, citou o presidente do órgão.
Ao mesmo tempo, Waldir cita que outras medidas com apoio do Governo de Goiás são vistas como positivas para monitoramento.
“A modernização do Centro de Goiânia, com apoio do Governo de Goiás e monitoramento por câmeras, por exemplo, permite reduzir o número de motoristas que praticam infrações, como transitar sem cinto de segurança, usar o celular ao volante ou trafegar em alta velocidade. São medidas adotadas em todo o mundo e que a gente aplaude. Mas, quando se toma uma medida sem a consulta a todos os órgãos envolvidos, incluindo o Detran-GO , sem dúvida isso contraria o que há de mais moderno em nível”, finalizou o presidente.
Anteriormente, o Jornal Opção antecipou que a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) havia retomado os estudos para aumentar o limite de velocidade no Centro, após discussões iniciadas no começo do ano passado. Na semana seguinte, o prefeito Sandro Mabel implantou a medida, elevando a velocidade máxima de 40 km/h para 50 km/h.
Em 2016, ainda na gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT), a Prefeitura de Goiânia implantou a chamada Zona 40 na região central. O perímetro, delimitado pelo anel da Praça Cívica e pelas avenidas Araguaia, Paranaíba e Tocantins, teve o limite reduzido de 60 km/h para 40 km/h. À época, a iniciativa integrou um conjunto de ações voltadas à segurança no trânsito, com foco na redução de atropelamentos e colisões em uma das áreas com maior fluxo de pedestres e ciclistas da capital.
O tema voltou à pauta em março do ano passado, após o vereador Tião Peixoto (PSDB) propor o aumento do limite de velocidade. A medida também já havia sido defendida anteriormente pelo vereador Lucas Kitão (UB).
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