Os médicos credenciados e vinculados à Prefeitura de Goiânia anunciaram, nesta quinta-feira, 8, uma paralisação geral da categoria para o próximo dia 13 de janeiro de 2026. A mobilização ocorre diante da persistência de problemas considerados graves, que afetam tanto as condições de trabalho dos profissionais quanto a assistência prestada à população.

A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), realizada na última terça-feira, 6. Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do Simego, dra. Francine Leão, afirmou que a paralisação deverá ocorrer por tempo indeterminado e se concentrar nos atendimentos eletivos. Segundo ela, os atendimentos de urgência e emergência, classificados como casos amarelos e vermelhos, devem ser mantidos.

Em nota, a SMS reforça que os atendimentos de urgência e emergência precisam ser mantidos e ressaltam que não possuem valores em atrasos.

De acordo com Francine, a mobilização decorre principalmente da rescisão contratual do edital de 2024 e da publicação do Edital nº 03/2025, que fez a redução de até 35% nos honorários médicos.

Além disso, a presidente aponta que os profissionais vêm sendo alvo de agressões e responsabilizações indevidas pela precariedade da assistência à saúde, cenário que, segundo ela, é agravado pela falta de insumos, recursos humanos e problemas estruturais nas unidades da rede municipal.

“A prefeitura vem demonstrando um perfil agressivo e abusivo, culpabilizando os médicos pela falta de gestão. Isso tem culminado em recorrentes episódios de violência contra os colegas médicos”, afirmou.

Francine também destaca que a escassez de insumos e as falhas na gestão contribuíram para a superlotação de unidades de saúde, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim América, agravada pelo fechamento de outras estruturas, a exemplo do Centro Integrado de Atenção Médico-Sanitária (CIAMS) do Novo Horizonte.

Embora os atrasos nos pagamentos tenham sido denunciados pelo sindicato, a presidente ressalta que esse é apenas um entre diversos problemas enfrentados pela categoria. Ela afirma ainda que o sindicato mantém o canal de diálogo aberto, mas que, até o momento, não houve retorno do Executivo municipal.

“Já enviamos dois ofícios à prefeitura solicitando reuniões: um na segunda-feira e outro nesta última quarta-feira, comunicando a paralisação e pedindo nova reunião. Contudo, até agora, não houve contato”, disse.

Entre as principais reivindicações da categoria estão:

  • a garantia de condições dignas de trabalho;
  • a disponibilização de recursos humanos e materiais adequados nas unidades de saúde;
  • a regularidade e previsibilidade dos pagamentos, evitando a repetição de atrasos que já atingiram os profissionais;
  • a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024;
  • a revogação do Edital de Chamamento nº 03/2025, que, segundo o sindicato, prevê redução de até 35% nos honorários médicos e autoriza jornadas de trabalho de até 24 horas contínuas, sem descanso adequado.

O que a SMS afirma

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reforça que os atendimentos de urgência e emergência precisam ser mantidos, enquanto não possui valores em atrasos, sendo o pagamento do salário no dia 20º dia útil do mês.

“A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A SMS pontua que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia. A pasta esclarece que, tanto no edital antigo quanto no novo, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso. A secretaria ressalta que são os médicos, no ato da contratação, que optam pela carga horária desejada. O credenciamento estabelece limite máximo de 24h para plantões médicos, previsto na legislação brasileira e recomendado pelo Conselho Federal Medicina, resguardando os períodos de descanso dos profissionais.”

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