O debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força em Goiânia nesta semana com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O encontro contará com a participação do dirigente petista Delúbio Soares, que defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

Em entrevista ao Jornal Opção, Delúbio afirmou que o debate não deve ser tratado como confronto entre trabalhadores e empresários, mas como um processo de modernização econômica. “O fim da escala 6×1 não é contra empresas. É a favor do equilíbrio, da produtividade e da qualidade de vida. Tempo também é salário”, declarou.

O que está em discussão

Atualmente, a Constituição prevê jornada máxima de 44 horas semanais. Antes de 1988, eram 48 horas. A proposta em debate prevê reduzir o limite para 40 horas, eliminando a escala considerada 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa um.

Segundo Delúbio, a mudança teria impacto direto em setores como comércio, construção civil e indústria, onde predominam jornadas de 44 horas.

“Reduzir a jornada aumenta a empregabilidade e melhora a qualidade do trabalho. Isso já foi comprovado em diversos países”, afirmou.

Ele cita exemplos como Alemanha e França, onde a jornada é inferior à brasileira. “A mesma empresa que opera na Europa com 38 ou 40 horas mantém 44 horas no Brasil. Qual é a diferença do trabalhador brasileiro?”, questionou.

Resistência política

O debate enfrenta resistência de partidos como PL e União Brasil, que articulam no Congresso contra a proposta. Entidades empresariais também já manifestaram preocupação com impactos econômicos.

Delúbio afirma que a mobilização será popular e que a decisão caberá ao Congresso Nacional.

“O Executivo defende o debate, mas quem decide é o Parlamento. Vamos mobilizar a sociedade para pressionar os deputados”, disse.

Durante a entrevista, Delúbio rebateu declarações do governo estadual, que afirmou recentemente que não haveria trabalhadores em escala 6×1 no estado. “Basta ir a um shopping, a um supermercado ou à construção civil para ver que a jornada de 44 horas é realidade”, afirmou.

Qualidade de vida e produtividade

Para Delúbio, a redução da jornada está ligada não apenas ao descanso, mas ao aprimoramento profissional e à saúde mental.

“Com as novas tecnologias e a inteligência artificial, não faz sentido manter jornadas longas. O trabalhador precisa de tempo para estudar, conviver com a família e se qualificar”, argumentou.

Ele também defende que trabalhadores mais descansados produzem melhor. “Não é quantidade de horas que gera produtividade, é qualidade.”

Estratégia do governo federal

O ministro Guilherme Boulos, segundo Delúbio, tem a missão de ampliar o debate popular sobre o tema dentro da agenda do programa Governo na Rua. Veja ao final a agenda completa do ministro na Capital de Goiás.

“O governo assumiu a defesa da redução da jornada, mas o projeto é de iniciativa legislativa. A mobilização social é fundamental”, disse.

O debate em Goiânia integra uma série de encontros que buscam dar musculatura política à proposta. A redução da jornada para 40 horas depende de aprovação no Congresso Nacional.

Para Delúbio, o tema deve ganhar força nos próximos meses.

“O trabalhador precisa viver, não apenas sobreviver.”

Agenda do Boulos em Goiânia

Quarta-feira (25/02)
Horário: 19 horas – Plenária com movimentos sociais
Local: Adufg
Endereço: 9ª Avenida, 193, Setor Leste Vila Nova

Quinta-feira (26/02)
Horário: 9 horas – Debate na Rua (Fim da Escala 6×1)
Local: Praça do Bandeirante

Horário: 11 horas – Abertura oficial do Governo do Brasil na Rua, com a presença do ministro Guilherme Boulos
Das 9 às 18h: Atendimentos à população
Local: Feira Morada do Sol
Endereço: Rua Aurora, 329–389, Setor Morada do Sol

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