Amma inicia plano de adaptação climática com foco em calor, poluição e escassez hídrica
02 abril 2026 às 20h42

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A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) já iniciou a elaboração do Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas para Goiânia. Após a adesão ao programa AdaptaCidades, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a pasta começou a desenvolver um esboço do documento. Ao mesmo tempo, servidores participam de capacitações promovidas pelo Governo Federal.
Segundo o gerente de Combate às Mudanças Climáticas da Amma, Gabriel Tenaglia Carneiro, o esboço ainda está em fase inicial. No entanto, ele apontou três principais desafios climáticos para a capital do diagnóstico preliminar: aumento das temperaturas, poluição do ar e escassez hídrica. A partir disso, o plano deve prever ações e estratégias para resolver os problemas.
“Para enfrentar esses problemas, por exemplo, precisamos investir em arborização urbana, reservamento de água, preservação de áreas ambientais e unidades de conservação”, disse Tenaglia ao Jornal Opção. “O plano municipal vai integrar todas essas ações, funcionando como um plano diretor voltado às questões climáticas. Para novos empreendimentos, as diretrizes já deverão considerar a resiliência climática. Já os bairros antigos precisarão passar por requalificação, como projetos de arborização urbana”, explicou.
Entre as ações que podem ser implementadas, o gerente cita soluções como uma usina de biogás para o aterro sanitário e a renovação da frota de transporte público, que já está em andamento. “Identificamos a emissão de gases de efeito estufa, especialmente o metano do aterro sanitário e os gases emitidos por veículos. Por isso, pensamos em soluções como a usina de biogás e a renovação da frota de transporte público”, afirmou.
A respeito da escassez hídrica, ele afirma que é necessário avaliar os dois principais sistemas da Região Metropolitana de Goiânia: o Rio Meia Ponte e o Ribeirão João Leite. “Pode não ser suficiente para o futuro, por isso precisamos buscar novas fontes e preservar os mananciais. Uma das ideias é aumentar a permeabilidade do solo urbano, com medidas como trincheiras de infiltração nos lotes, permitindo a recarga do lençol freático”, contou Tenaglia.
Plano de Redução de Riscos
Paralelamente, o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) também deve ser incorporado ao Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas. O documento foi elaborado em parceria entre o Ministério das Cidades e o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“Recebemos recentemente o PMRR, que identificou cerca de 63 áreas de risco no município. A vantagem é que o plano já indica as soluções e os custos estimados e será incorporado ao Plano de Adaptações Climáticas. A proposta não é remover as pessoas, mas adaptar essas regiões para reduzir o risco. O desafio agora é eliminar as áreas existentes e evitar que novas surjam”, contou o gerente de Combate às Mudanças Climáticas da Amma.
Capacitação
Conforme informou o Jornal Opção, o prefeito Sandro Mabel (UB) assinou o termo para a iniciativa AdaptaCidades, do Programa Cidades Verdes Resilientes, coordenada pelo MMA. Segundo o gerente da Amma, a capital já concluiu a etapa inicial de capacitação, com cursos da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), e avança agora para a fase presencial.
Paralelamente, o município estruturou a área de gestão climática na Amma e instituiu o Fórum Goianiense de Mudanças Climáticas (GynClima). O Paço Municipal também busca captar recursos nacionais e internacionais para viabilizar iniciativas estruturantes.
“Vamos conversar com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe), o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, conhecido como Banco do BRICS) e o GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit, agência alemã de cooperação técnica internacional que promove o desenvolvimento sustentável), além de outros fundos internacionais de meio ambiente, dispostos a financiar projetos”, relatou o gerente.
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