Torneio amistoso reúne equipes de hóquei em linha do Centro-Oeste
04 abril 2026 às 18h00

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Times de Goiânia, Rio Verde e Brasília se reuniram neste sábado, 4, para disputar um torneio amistoso de hóquei em linha. A competição reuniu cerca de 40 atletas e foi realizada na quadra poliesportiva do Clube da Associação da Polícia Rodoviária Federal (APRFB). Participaram do evento o Goiás Hockey (Goiânia), o Hockey Kings (Rio Verde) e o Brasília Hockey.
O torneio teve como objetivo promover a integração entre equipes da região Centro-Oeste, além de incentivar a prática do esporte e a troca de experiências entre jogadores veteranos e novatos. Entre os atletas, destacam-se nomes com experiência internacional, como Pollyana Lopes de Oliveira, goleira do Goiás Hockey, que já participou de Sul-Americanos, Pan-Americanos e campeonatos internacionais de hóquei inline.
Em entrevista ao Jornal Opção, Pollyana ressalta que a prática do hóquei é desafiadora, mas vem crescendo no Brasil. “Em Goiás, continuamos com a mesma equipe e o objetivo é manter o hóquei ativo, mas a falta de infraestrutura limita o crescimento.
No país, a modalidade tem se expandido, principalmente em São Paulo, onde existem quadras para treino e equipes bem estruturadas. Além disso, o hóquei 3×3, nova modalidade nos Jogos Olímpicos, tem contribuído para impulsionar o esporte no Brasil”, afirmou a jogadora.
“Nosso maior problema nem é a quantidade de jogadores, mas a estrutura. O hóquei não recebe muita atenção no Brasil. Temos que agradecer por termos essa quadra, mas sempre há incerteza sobre o espaço para treino. Isso dificulta trazer mais jogadores e investir em escolas ou novas equipes”, disse a goiana que já representou a seleção brasileira da modalidade.

Para o capitão do Goiás Hockey, Alex Silva, a maior dificuldade está em encontrar quadras. “Estamos treinando em um espaço há algum tempo, mas não é fácil mantê-lo e renová-lo. Goiânia tem muitas quadras, mas nem todas permitem o uso de patins, o que complica”, relatou o atleta, que pratica a modalidade há mais de três décadas.
Ao Jornal Opção, ele ressalta que a equipe goianiense é formada em grande parte por atletas mais experientes e destacou o trabalho desenvolvido no Clube da APRFB.
“Adaptamos as bordas, arredondamos os cantos, fechamos aberturas e realizamos manutenção constante. Sempre que necessário, passamos tinta, corrigimos partes soltas das paredes e limpamos a quadra para evitar acidentes com poeira ou escorregões”, contou Silva. A quadra poliesportiva também conta com marcações específicas, e os gols são removíveis, sendo guardados no próprio espaço quando não estão em uso.
No entanto, o cenário é diferente em outras cidades, como Rio Verde e Brasília. O capitão do Hockey Kings, Marcos Paulo Machado, aponta que não existem mais quadras com as mesmas condições encontradas em Goiânia. Já o líder do Brasília Hockey, Heverton Ton, ressalta que precisa dividir as quadras públicas com outras modalidades. “Precisamos limpar o piso, tirar a poeira e negociar o uso com outros jogadores, especialmente em dias de futebol”, relatou.
O hóquei em linha é praticado sobre patins inline em quadras ou ruas lisas, diferente do hóquei tradicional no gelo. As regras básicas são parecidas, mas o ritmo do jogo se adapta ao patins e à superfície. Também há menos jogadores em quadra: quatro, ao contrário de cinco na versão no gelo, e o contato físico é menor.
Equipamentos
No Brasil, grande parte do material é importado, o que pode tornar o investimento considerável, mas essencial para segurança e desempenho. Para os jogadores de linha, o kit básico inclui capacete, luvas, caneleiras, patins e taco. O custo médio para adquirir todo o conjunto de boa qualidade varia entre R$ 2 mil e R$ 3 mil
Para os goleiros, o investimento é ainda maior. Além dos patins e capacete, o kit completo inclui peitoral, calças acolchoadas, luvas especiais e protetores adicionais, podendo chegar entre R$ 7.000 e R$ 8.000. “O goleiro precisa de mais proteção porque sofre mais contato e impactos durante a partida”, explica Pollyana.
Marcos Paulo reforça que a situação melhor, apesar dos esquipamentos ainda serem caros. “Hoje, conseguimos encomendar os materiais do Brasil e até do exterior. Isso ajuda bastante para quem quer começar a jogar, porque um bom equipamento garante segurança e confiança no treino e nos jogos, contou.
Integração
Para Heverton, a integração do hóquei entre Goiás, Goiânia, Rio Verde e Brasília é crucial para o desenvolvimento do esporte na região. “Há muita colaboração entre capitães e equipes. Quando alguém desanima, sempre há apoio de outros jogadores, até de pessoas de fora do estado, que vêm ajudar ou dar dicas sobre quadras. Isso mantém o grupo unido e motivado”, afirmou motorista de Uber e atleta da modalidade.
No entanto, ele ressalta que a rivalidade continua viva e saudável: “Fora da quadra, a amizade se mantém, mas dentro dela o jogo é firme. É divertido e tranquilo, ainda mais porque Brasília não fica tão longe”. Já Marcos Paula ressaltou a integração e o aprendizado entre as cidades goianas.
“Desde março do ano passado, passava uma vez por mês em Goiânia e conversava com alguns amigos sobre a possibilidade de jogar”, relatou o assistente social sobre a criação da equipe em Rio Verde. “A partir daí, começamos a movimentar um time na cidade com os meus amigos. Tenho cerca de seis anos praticando hóquei em Rio Verde, sendo apenas um ano com regramento formal. Jogo principalmente na linha de ataque, como centro, atuando como pivô”, finalizou.
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