O ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale afirma que nasceu em uma família política. Em Minas Gerais, berço de nascimento, viu o pai ser vereador. Em 1983, entrou na faculdade para cursar Medicina e se especializou em Nefrologia. Sua justificativa para o curso é porque via a oportunidade de mudar a vida das pessoas.

Mas a mesma percepção, Paulo do Vale tem da política. Segundo ele, sempre gostou “da prática da boa política” já que, abaixo de Deus, a política é a ferramenta mais poderosa de transformação da vida das pessoas. Muito amigo do governador Ronaldo Caiado, atendeu um pedido dele para sair como deputado federal em 2014, quando obteve 42 mil votos, ficando como segundo suplente.

Dois anos depois, se candidatou em Rio Verde para administrar até então o quarto maior PIB de Goiás. Ele venceu e, ao longo dos anos que esteve à frente da gestão, fez grandes mudanças que podem ser traduzidas em números: na Saúde conseguiu aumentar a cobertura da atenção básica de 34% para 83,55%, a cidade ganhou novas unidades de saúde, além de um novo hospital municipal, onde foram investidos R$ 220 milhões em recursos próprios. É o maior hospital gerido pelo município de Goiás, com 360 leitos e 36 voltados à UTI pediátrica.

Na geração de empregos, a cidade criou mais de 21 mil vagas durante sete anos. O crescimento não parou por aí. A cidade registrou um PIB de R$ 22,3 bilhões em 2023, colocando Anápolis e Aparecida para trás e ficando em segundo lugar nas maiores economias do Estado. A cidade recebeu o Terminal Ferroviário de Rio Verde da Rumo, o que facilitou o escoamento das produções para o Porto de Santos (SP).

Com isso, Paulo do Vale foi reeleito em 2020 e teve peso nas eleições municipais de 2024, quando conseguiu fazer o seu sucessor, o médico Wellington Carrijo (MDB), o qual está seguindo com o trabalho que iniciou. Agora, informa que é pré-candidato a deputado estadual por entender que pode contribuir com os demais municípios goianos, mas diz que o nome está a disposição caso entenda que seja o melhor ao projeto tê-lo como vice na chapa de Daniel Vilela. Acredita na vitória do emedebista já no primeiro turno e afirma que apoiará o governador Ronaldo Caiado na decisão que ele tomar.

Euler de França Belém — Ronaldo Caiado foi um bom governador para o Sudoeste goiano?

Sem sombra de dúvidas. Não só para a região Sudoeste, mas também para todo o Estado. Não só na parte social, mas também na infraestrutura e na área hospitalar. Na pandemia, que foi um grande desafio, havia regiões que não contavam sequer com um leito de UTI, e o governador criou mais de 800 leitos, que salvaram muitas vidas em Itumbiara, Formosa, São Luís de Montes Belos, Posse e outras cidades.

Ton Paulo — O sr., como médico, avalia que foi uma boa gestão nesse período?

Não tenho dúvida. Por isso acredito que temos que continuar o que está dando certo. Não podemos mudar, é a minha opinião. Igual aconteceu em Rio Verde. Saímos com 95% de aprovação na nossa gestão, fizemos o nosso sucessor, o Dr. Wellington, que está sendo super bem avaliado, dando continuidade ao trabalho de um grupo que fez um planejamento de políticas de Estado. Ronaldo Caiado resgatou a credibilidade da política perante os goianos. E tenho certeza de que o nosso próximo governador vai dar continuidade a esse trabalho.

Euler de França Belém — Apesar de ter feito muito pelo Sudoeste goiano, há uma história da existência de uma resistência ao governismo na região. Isso procede?

Houve algumas situações em que essa polarização da política nacional respingou aqui no Estado. O governante que é eleito tem a responsabilidade de cuidar das pessoas e há momentos em que o conflito entre as esferas é inevitável. E houve isso quando falamos do combate à Covid.

Nós passamos por várias crises, como o Plano Verão e o Plano Collor, e, desde muito cedo, Ronaldo Caiado esteve em defesa do setor produtivo rural. Ele lutou dentro do Congresso, como deputado federal e senador, defendendo a classe produtora. Agora temos que pensar nessa bandeira e nesses posicionamentos adotados junto à classe trabalhadora. Rio Verde e região contam com muitos governistas dentro do agro.

Euler de França Belém — Você afirma que deixou a prefeitura e colocou uma pessoa que está dando continuidade ao trabalho que começou. Isso se reflete no cenário estadual? É por esse motivo que você está envolvido no projeto de reeleição de Daniel Vilela?

Eu não tenho dúvidas de que ele dará continuidade ao projeto do governador Caiado. O Ronaldo, quando assumiu o Estado, a folha de pagamento dos servidores estava atrasada, havia uma dívida enorme com o governo federal e não havia condições de fazer investimentos em Goiás. Hoje vemos um estado completamente diferente. As políticas que foram implementadas deram resultado à população. Isso é incontestável.

E, principalmente, houve o resgate da confiança da população na política. O governador Ronaldo Caiado tem uma alta avaliação de governo entre os estados brasileiros. Por que mudar isso, se o Daniel Vilela vai continuar esse trabalho? Em time que está ganhando, não se mexe na escalação. Rio Verde já provou isso, e o goiano vai provar na eleição do nosso governador Daniel Vilela.

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Paulo do Vale com Daniel Vilela | Foto: Divulgação

Euler de França Belém — Quais são os méritos de Daniel Vilela para ser governador de Goiás?

Daniel Vilela foi vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-governador e tem, dentro de casa, um exemplo de gestor: Maguito Vilela, que tirou o nome “Goiânia” de Aparecida. A cidade é o que é hoje pelo resultado do trabalho que Maguito realizou no município. Aparecida está praticamente em terceiro lugar na arrecadação de ICMS do estado, atrás apenas da capital e de Rio Verde.

Euler de França Belém — Daniel Vilela vai enfrentar o candidato do bolsonarismo e outro que já foi governador de Goiás. Essa é uma eleição de primeiro ou segundo turno?

Tenho convicção de que será decidida no primeiro turno. Um dos candidatos já prestou serviço ao Estado e o que ele fez em seu período de governo já está bom. Trazer a questão nacional para uma disputa regional exige muito cuidado, porque nem sempre isso representa o melhor para o Estado.

Como Goiás está dando certo e seguindo no caminho correto, e o nosso candidato, Daniel Vilela, pretende dar continuidade a esse trabalho, acredito que a população percebe isso. Por isso tenho certeza de que venceremos no primeiro turno.

O governador Ronaldo Caiado tem 86% de aprovação, que vem de resultado. Se ele tem como sucessor o seu vice, com a mesma postura e o mesmo compromisso de continuidade, a população vai compreender esse cenário.

Volto a dizer: é preciso resgatar a credibilidade da política. Em âmbito nacional, vemos escândalos que nos envergonham muito. A classe política aparece cada vez mais envolvida em situações erradas. Mas, quando observamos municípios e um Estado que dão exemplo de respeito ao dinheiro público, a população sabe avaliar isso e, na hora da verdade, reconhecerá nas urnas.

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Paulo do Vale elenca as transformações realizadas em Rio Verde | Foto: Fábio Chagas

João Paulo Alexandre – Tivemos um entrevistado anterior que trouxe uma analogia interessante: que Goiás não tem bons históricos com vices à frente do governo. Por que com Daniel Vilela pode ser diferente?

Primeiro porque Ronaldo Caiado, neste segundo mandato, tem passado para Daniel Vilela muitas decisões no comando do Estado. Segundo que Daniel terá seis meses para mostrar à população que está preparado para dar continuidade ao trabalho de Caiado e que tem coragem de fazer isso.

Ele terá essa autoridade enquanto governador, porque assume agora no início de abril. Vejo que há adversários dizendo que ele é jovem, que não está preparado, que não tem experiência, mas ele vai provar, ou melhor, já vem provando, para a população que dará continuidade ao trabalho de Ronaldo Caiado.

Ton Paulo – Ainda no assunto sobre vice, mesmo afirmando que o seu projeto é para a Assembleia Legislativa, o nome do senhor chegou a circular como um possível cotado a vice do Daniel. Chegou a existir essa conversa? Houve um trabalho para tentar viabilizar isso?

Eu sou muito realista. Quando deixei a Prefeitura de Rio Verde, muitos aventaram a minha ida para alguma secretaria dentro do governo, e eu deixei o meu governador à vontade para tomar a sua decisão. Nunca cheguei e exigi algum cargo. A gestão é dele. Se ele achasse que, naquele momento, eu deveria assumir alguma pasta para somar ao projeto, seria uma decisão dele.

É a mesma coisa em relação à vice. Eu deixo tanto Daniel Vilela quanto Ronaldo Caiado bem à vontade. A única coisa que falo é que sou da política de grupo. Se, mais à frente, acharem que eu vou somar, estou à disposição, mas correr atrás disso não é o meu estilo de fazer política.

Eu acredito no plantar e no colher. Eu nunca fiz e não vou fazer pressão em uma decisão que depende de duas pessoas. Não condeno quem corre atrás, quem quer ser e faz política nesse sentido, mas não é o meu estilo.

Euler de França Belém – Mas, se for convidado, vai aceitar?

Se acharem que vou somar para o grupo… é claro que depois tem que haver uma decisão familiar, pois terei que conversar com a família.

Euler de França Belém – Corre nos bastidores que o senhor vai para o MDB, procede?

Não. Vou continuar no União Brasil. Meu filho, o deputado Lucas do Vale, está no MDB, onde há 99% de certeza de que deve continuar e disputar uma vaga na Câmara Federal pelo partido, e eu vou permanecer no UB.

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Paulo do Vale afirma que estará com Caiado com a decisão que tomar | Foto: divulgação

Ton Paulo – Recentemente, o governador Ronaldo Caiado deixou o União Brasil e foi para o PSD para tentar viabilizar o seu projeto para a Presidência da República. Sem ele, o senhor acha que o União Brasil segue coeso ou já dá sinais de que pode haver uma debandada de nomes do partido?

Aqui no Estado, a primeira-dama, Gracinha Caiado, deve assumir a presidência dessa coligação. Nós fazemos parte da Executiva Nacional do União Brasil, onde devo permanecer. Aqui muda pouca coisa. Há uma união entre o PP e o União Brasil. No Estado, o presidente do PP é Alexandre Baldy, que é antenado e um auxiliar do nosso governador no setor de habitação. Não acho que haverá trauma. Acho que teremos uma boa chapa e vamos tentar eleger o máximo de deputados estaduais e federais.

Ronaldo e Gracinha Caiado têm articulado para que possamos montar uma estrutura bem robusta na disputa para deputado federal. Sylvie Alves deve continuar no UB, e foi a deputada mais bem votada nas últimas eleições. O Dr. Zacharias Calil estava no União, mas se filiou ao MDB para ser candidato ao Senado, e estamos buscando novos companheiros para que consigamos eleger de dois a três deputados federais.

Euler de França Belém – O que o senhor acha dessa possibilidade de se ter três candidatos ao Senado pela chapa governista?

Eu acho bem democrático, é um direito de todos. O Gustavo Mendanha também quer ser e, se não me falha a memória, podemos ter até dois candidatos dentro do mesmo partido. Tem o Vanderlan Cardoso também. O Alexandre Baldy tem essa vontade e acho que isso está em aberto. Quanto mais candidatos, melhor. Eu acho que a nossa base vai eleger os dois senadores. Tenho convicção disso.

Euler de França Belém – E o senhor defende o projeto de Ronaldo Caiado para presidente? Está definido que ele vai?

O que o governador Ronaldo Caiado decidir, eu estarei junto com ele. Vou trabalhar e vou me empenhar para ajudá-lo. 

Euler de França Belém – Qual é a sua avaliação do governo de Lula da Silva (PT)?

Nós precisamos mudar o governo federal. Ninguém dá conta de mais de 15% de juros. Os investidores pararam, ninguém investe mais. Isso é muito triste, porque é por meio dos investimentos que temos a geração de empregos e a melhoria na vida das pessoas. A economia está em frangalhos. Precisamos mudar o governo para voltar a ter mais capital disponível para os investidores.

Nós conseguimos convencer o dono da Inpasa, que é a maior produtora de álcool de milho, a investir em Rio Verde, na nova fábrica que será inaugurada no final do ano. Foram R$ 2,5 bilhões, que vão gerar 800 empregos diretos e 1,8 mil indiretos. Mas isso é apenas um setor. E os outros?

O setor produtivo rural vai passar por uma dificuldade muito grande com o valor das commodities atualmente. O preço da soja, hoje, não paga o custo de produção. Há muitas recuperações judiciais no meio do agronegócio e isso está ficando inviável. Como você vai gastar X e receber X menos 20%? As contas não fecham, e isso é preocupante.

O setor privado é hoje o maior financiador da produção agrícola. O governo federal praticamente se afastou. É hora de mudar.

Entenda como Rio Verde desbancou a economia de Anápolis e Rio Verde e chegou ao 2º maior PIB de Goiás

Euler de França Belém  – Qual era o maior gargalo de Rio Verde em 2016?

Segurança pública era o maior clamor em 2016. Rio Verde era uma cidade muito violenta, sendo necessária a segurança privada nas ruas; as casas tinham sistema de monitoramento, concertinas nos muros. A cidade virou notícia nacional devido aos índices altíssimos de homicídios por ano. Uma pesquisa realizada na época mostrou que 93% da população clamava por resolver o problema da segurança pública. Ultrapassou até mesmo a saúde, que era preferência de 8% das pessoas à época. E saúde sempre foi uma demanda de qualquer cidade.

Mas não foi só isso. Buscamos trabalhar com cinco eixos: saúde, educação, segurança pública, geração de empregos e lazer. Rio Verde já era uma cidade grande, mas não tinha lugares para que as famílias pudessem se divertir, principalmente as mais carentes. A cidade também estava tomada por buracos nas vias. Fizemos usinas de recapeamento e trocamos quase todo o pavimento asfáltico da cidade.

Na educação, tínhamos uma colocação no IDEB muito baixa e, nos oito anos que estive à frente da prefeitura, fomos para o primeiro lugar no índice em Goiás — tanto nos anos iniciais quanto nos finais —, ficamos em segundo lugar no Brasil em cidades acima de 100 mil habitantes e em quarto lugar entre todos os municípios brasileiros. Isso foi possível porque valorizamos o professor. Nós concedemos praticamente todos os aumentos, inclusive aqueles 33% que foram oficializados pelo governo federal. E acredito que fomos o primeiro município a anunciar que sempre colocaríamos um valor a mais em cima do que o governo federal preconizava como aumento para os professores. Também fizemos uma modernização nas salas de aula, investimos em livros didáticos, adquirimos computadores para crianças, laptops, notebooks, telas interativas e também em capacitação de profissionais. Ao todo, foram 28% investidos na educação, acima do que prevê a Constituição, que é de 25%.

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Paulo do Vale quer ser deputado estadual | Foto: Fábio Chagas/Jornal Opção

Na saúde, tínhamos uma fila muito grande de cirurgias eletivas, que foi zerada em seis meses. Nós ampliamos a rede de atendimento: em 2017, eram apenas 19% de área de cobertura na atenção básica, sendo nove equipes de saúde da família para uma cidade de 216 mil habitantes à época. Em 2024, entregamos 85% de área de cobertura, com 43 equipes de saúde da família. Pois, quando você investe R$ 1 na atenção básica, você economiza R$ 8 na saúde especializada. Várias unidades de saúde foram construídas com recursos próprios, assim como o maior hospital municipal de Goiás, onde investimos R$ 220 milhões de recursos próprios, sendo R$ 160 milhões para construção e R$ 60 milhões para aquisições de aparelhos. São 360 leitos, sendo 36 de UTI humanizadas, onde a família pode ficar com o paciente durante 24 horas. O hospital também foi o primeiro no Centro-Oeste a disponibilizar um tratamento com robótica ao paciente do SUS, com duas cirurgias realizadas em janeiro. Adquirimos aparelhos de hemodinâmica dos mais avançados do mundo.

Também fizemos o novo Paço Municipal da cidade com recursos próprios. A estrutura antiga era da década de 1980 e tínhamos diversos prédios alugados. Foram mais de R$ 100 milhões investidos, o que tem trazido uma economia de R$ 1,5 milhão por mês com o pagamento de aluguéis. Isso significa que, com pouco mais de 80 meses, esse investimento será pago.

Novo Paço Municipal de Rio Verde. Obra custou R$ 100 mi e leva o município a economizar R$ 1,5 mi por mês com aluguéis | Foto: reprodução

Eu deixei 39 obras para serem terminadas na gestão do Dr. Wellington Carrijo, com R$ 156 milhões em caixa para que ele pudesse finalizar cada obra e mais R$ 130 milhões em outros fundos.

Euler de França Belém – E o déficit de que tanto falam?

Isso é uma mensagem distorcida. No Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios tem o resultado dos quatro anos de gestão. Esse déficit vai ser referente aos dois anos finais. Se for feita a pesquisa nos anos de 2021 e 2022, há o superávit de R$ 300 milhões, que foi o montante aplicado em obras. Mas é importante dizer que o déficit de 2023 e 2024 foi pago com os anos anteriores.

Ton Paulo – Qual é a nota da capacidade de pagamento do município hoje?

Rio Verde conta com nota A. Isso significa que, hoje, o município tem uma capacidade de endividamento de mais de R$ 1 bilhão, aprovada pela Secretaria do Tesouro Nacional. E reforço que todas as obras que foram feitas na cidade, enquanto estive à frente da administração, foram feitas com recursos próprios. Não houve emendas parlamentares ou financiamento.

Ton Paulo – O senhor se consolidou como uma força política muito grande na região de Rio Verde e está com sua pré-candidatura a deputado estadual. O que pesou para tomar tal decisão?

Eu não estou começando na política agora. Estou dando continuidade a essa missão, porque eu acredito que, abaixo de Deus, é o maior poder que nós temos para transformar a vida das pessoas para o bem. A minha missão começou com a minha profissão de médico há mais de 30 anos e eu continuo agora como cuidador. E quero levar os resultados que consegui na gestão de Rio Verde para Goiás como um todo. Eu acho que posso contribuir muito para isso. A decisão veio pensando nesse sentido da prática da boa política. Eu sou um político municipalista e precisamos de pessoas que já vivenciaram essa parte administrativa. Vejo que isso tem muito a somar, principalmente para o governo.

Ton Paulo – Após um ano, como você enxerga a administração de Wellington Carrijo, atual prefeito de Rio Verde?

Eu fico tranquilo e vejo que Rio Verde está em boas mãos com o prefeito Wellington Carrijo. É um jovem competente e que tem dado continuidade a esse trabalho que começamos. Nosso grupo tem a característica de fazer um trabalho de políticas de Estado, e não políticas de governo. Há uma diferença muito grande. É claro que depois vem o governo para ir ajustando essa política e esse planejamento que nós fizemos para os próximos 40 anos. Mas, quando você tem um grupo que vai dando continuidade, quem ganha com isso é a população, pois vai executando um planejamento de longo prazo.

Euler de França Belém – Rio Verde acaba funcionando como uma capital do Sudoeste goiano e acaba tendo uma relação com prefeituras de cidades vizinhas. Como é essa relação?

Rio Verde é uma cidade polo e essa convivência é muito importante para todos os outros municípios. Um hospital de 360 leitos é algo para uma cidade de mais de um milhão de habitantes. Quando temos um hospital nível 4, onde teremos a capacidade de fazer transplantes e procedimentos em hemodinâmica — que levam pacientes a recorrerem a outros centros —, traz um impacto muito positivo para a região Sudoeste.

Hospital Municipal de Rio Verde conta com 360 leitos e foi construído com recursos do próprio município | Foto: reprodução

Eu sou muito regionalista. Sempre procuramos atender às demandas de todos. Temos municípios que têm menos de 5 mil habitantes que contam apenas com uma equipe de saúde da família, uma sala de estabilização e nenhuma especialidade. Com isso, acabam recorrendo a Rio Verde, que sempre fez essa atuação para atender a população regional que não tem acesso às diversas especialidades.

Rio Verde foi a cidade que mais gerou empregos no Centro-Oeste de 2017 a 2024. Nós tivemos 22 mil novos empregos com carteira assinada, passando de 52 mil para 74 mil empregos formais. Só em 2025, foram 4.125 empregos formais, e esses colaboradores vêm da região, que sente o efeito positivo da geração de empregos. Temos trabalhadores de Santa Helena, Montividiu, Caçu, Paranaiguara, São Simão, Piranhas, Doverlândia, entre outras cidades. Se Rio Verde cresce e gera emprego, toda a região se beneficia disso.

Nossa região é responsável por 65% do PIB goiano, ou seja, 65% da produção agrícola do Estado de Goiás. E uma das grandes viradas na região foi a implantação do Terminal Ferroviário da Rumo. Com isso, nos tornamos o maior exportador de Goiás. Rio Verde corresponde a 1/3 das exportações do Estado.

Ton Paulo — A logística para escoamento dos produtos foi facilitada com a inauguração da ferrovia?

Extremamente facilitada. Nesses quatro anos, nós já levamos para o Porto de Santos (SP) mais de 35 milhões de toneladas de grãos. Isso equivale a cerca de mil caminhões bitrens de 50 toneladas. Nós tiramos essa quantidade de caminhões dos 1,2 mil quilômetros que separam Rio Verde do Porto de Santos. Isso diminui o risco de acidentes, o desgaste da pavimentação e gera empregos.

Terminal Ferroviário da Rumo transportou mais de 35 milhões de toneladas de grãos ao Porto de Santos | Foto: reprodução

Ton Paulo — Rio Verde era o quarto maior PIB do Estado. Qual a colocação que a cidade configura atualmente?

Hoje somos o segundo maior PIB de Goiás. Em 2016, Rio Verde estava em quarto lugar, atrás de Goiânia, Anápolis e Aparecida. Naquele período, registrávamos um PIB de R$ 8,3 bilhões. Em 2023, saltamos para o segundo lugar, ficando atrás apenas de Goiânia, com um PIB de R$ 22,3 bilhões. E ficamos em quinto lugar no Centro-Oeste, depois das capitais: Brasília, Goiânia, Campo Grande e Cuiabá.

Euler de França Belém — Em um recorte regional, Goiânia tem o segmento de serviços como o mais forte da economia. Qual é o segmento pujante em Rio Verde?

O agronegócio tem um peso muito grande, chegando a quase 30% de participação no PIB. Em seguida, vêm serviços, indústria e comércio, o que mostra uma economia estável. Uma das nossas maiores preocupações foi buscar a qualificação de mão de obra. Há três anos, criamos o maior programa do Centro-Oeste em qualificação, que tem suprido essa lacuna. São mais de 35 cursos disponíveis, e eles foram escolhidos de acordo com a necessidade que ouvimos dos Recursos Humanos (RHs) dos segmentos das indústrias, comércio e prestação de serviços.

Um exemplo: fomos às indústrias e ouvimos que a maior demanda era para a vaga de operador de empilhadeira, que foi o primeiro curso realizado. Todos os alunos saíram empregados, recebendo de R$ 3 mil a R$ 5,5 mil. Contamos com cursos de 20 horas a 1.350 horas, alguns que chegam a custar até R$ 12 mil no mercado. Nós custeamos tudo: curso, transporte, uniforme e alimentação.

Essa profissionalização ainda resultou em outro case de sucesso. Em 2020, foi inaugurada em Rio Verde a Crown Embalagens. É uma empresa que conta com 27% do mercado mundial de embalagens de alumínio. Ela montou a fábrica na cidade, fez o treinamento junto ao Sistema S de Rio Verde e em uma fábrica deles no Paraná, e a projeção de atingir o pico máximo de produção em 10 meses foi batida em 20 dias. Um bilhão de latas de refrigerante foram feitas nesse período. Isso tornou-se um case de sucesso dentro da Crown de maneira mundial. A empresa conta com 140 fábricas espalhadas pelo mundo.

Euler de França Belém – Quais grandes indústrias estão instaladas em Rio Verde?

A maior indústria de Rio Verde é a BRF, que é a antiga Perdigão. Quando ela foi construída, em 2000, era responsável por 50% da produção brasileira. Quando houve a união entre Perdigão, Sadia e outras operações para criar a BRF, Rio Verde passou a representar, hoje, 15% da BRF no Brasil e emprega 9 mil funcionários apenas no frigorífico, fora as unidades incubadoras e outras ligadas à empresa, além de mais de 16 mil empregos indiretos criados.

Além da BRF, temos a Cargill, a ADM, a Bunge e a Cereal, que é a quarta maior empresa de Goiás atualmente, e a Comigo, que é a primeira empresa goiana em faturamento e a maior do Estado. Das quatro maiores empresas de Goiás, pelo menos duas estão em Rio Verde.

Euler de França Belém — Isso mostra que a economia de Rio Verde não é só agrícola. É uma economia diversificada…

O grande motor da nossa riqueza vem do campo, da produção agrícola. Hoje, Rio Verde é o quarto maior produtor de grãos do Brasil. Já chegamos a ficar em primeiro lugar. Mas, quando falamos em produtividade, a cidade está na dianteira no cenário nacional.

Euler de França Belém — A cidade tem se tornado um grande polo universitário? Isso tem contribuído para a instalação de novas empresas no município?

Sim. Nós temos a UniRV, que conta com uma administração independente, mas é uma fundação municipal. Ou seja, ela entra dentro do orçamento do Executivo e o reitor tem uma responsabilidade perante ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Em 2016, ela contava com 4 mil alunos. Hoje já são mais de 12 mil estudantes, o que mostra um avanço neste setor universitário.

A UniRV conta com cinco faculdades de Medicina, tendo campus em Aparecida, Goianésia, Luziânia, Formosa e Rio Verde. O Hospital Municipal Universitário que fizemos foi baseado em três eixos: assistência, ensino e pesquisa. Na parte de ensino, há uma área da unidade que é voltada para os universitários fazerem o seu estágio. Além da UniRV, nós temos também a Faculdade Objetivo e a Faculdade Almeida Rodrigues (FAR).

Isso mostra a importância de se investir em educação, o que trouxe como resultado o primeiro lugar no Ideb de Goiás em oito anos e o segundo no Brasil, onde ficamos atrás apenas de Sobral (CE) no recorte de cidades acima de 100 mil habitantes. E fomos o quinto entre todos os municípios.

A cidade também se tornou um polo regional na prestação de serviços. Além da indústria, o comércio da cidade também é muito robusto.

Euler de França Belém — A malha viária da região Sudoeste que o governo estava reparando e reconstruindo foi terminada? As estradas ficaram boas?

Sim. Nós temos a GO-210, que está dentro do Fundeinfra. São 7,2 quilômetros de duplicação. Infelizmente, tivemos problemas com três empresas que passaram pela obra. Estamos indo para a quarta, que deve iniciar agora, e vamos torcer para que ela entregue essa saída para Montividiu.

Em frente à Tecnoshow foram feitas quatro pistas para dar conta da demanda de carros por causa da feira. A GO-401, que liga Rio Verde a Quirinópolis, vai ser retomada após o período chuvoso e será feita toda a recuperação. Outra demanda que está sendo feita são os projetos das duplicações das pontes entre Rio Verde e Montividiu. É um trecho onde há um grande número de acidentes e, assim que terminarem os projetos, as obras terão início.

Houve também recuperações em rodovias importantes da região, como em Aporé; Doverlândia, no sentido de Mineiros, onde as obras foram iniciadas; na GO-050, que liga a Chapadão do Céu. Um fato curioso é que Chapadão do Céu era uma cidade muito isolada. Parecia que pertencia mais ao Mato Grosso do Sul do que a Goiás. A GO-050 integrou a cidade ao restante do Estado e ainda se tornou uma rodovia importante para o escoamento de produtos para a malha paulista.

João Paulo Alexandre — Rio Verde tem recebido diversos empreendimentos imobiliários que chamam atenção pelo tamanho da cidade. Houve uma mudança do poder aquisitivo do rio-verdense?

A cidade hoje está recebendo o décimo prédio mais alto do Brasil, o maior do Centro-Oeste. Quando você tem uma massa trabalhadora cada vez maior, a economia gira. O comércio gira. O supermercado, a loja de material de construção, o profissional liberal e o médico passam a ganhar mais e investem na cidade. Consequentemente, acabam comprando apartamentos de alto padrão.

O programa Minha Casa, Minha Vida Parcerias, que depois virou Cidades, viabilizou que a população de baixa renda tivesse acesso a esse financiamento. Foi uma parceria entre os governos federal e municipal, na qual o município entrava com o terreno e a infraestrutura do condomínio, como rede de esgoto, iluminação pública, pavimentação e portaria. Com isso, houve uma redução de 30% no valor, e a prestação caiu de cerca de R$ 1 mil para R$ 300.

Em oito anos, autorizamos mais de 11 milhões de metros quadrados de loteamentos e 480 mil metros quadrados de apartamentos. O Valor Geral de Vendas foi de mais de R$ 17 milhões. Tudo isso é explicado pela geração de empregos. A roda gira e o capital continua presente na cidade.

Euler de França Belém — Além da soja, quais são as outras culturas produzidas em Rio Verde?

Milho, com produção de 2,8 milhões de toneladas, além de sorgo, girassol, algodão e feijão.

Paulo do Vale entrevistado pelos jornalistas João Paulo Alexandre, Euler de França Belém e Ton Paulo, do Jornal Opção | Foto: Fábio Chagas/Jornal Opção