O prefeito da capital, Sandro Mabel (UB), recebeu a equipe do Jornal Opção no Paço Municipal para falar sobre os principais desafios do segundo ano de mandato. Dentre eles, está a organização do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas), que sofre há anos com críticas dos usuários sobre as inconsistências na rede de atendimento. Uma empresa venceu a licitação para ajudar na administração do Instituto, mas Mabel foi enfático: caso não dê conta do recado, em um ano, o Imas pode deixar de existir.

O prefeito também comentou o recente episódio em que foi alvo de xingamentos por parte do deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa (Alego). Mabel minimizou a situação, atribuiu o destempero do parlamentar a cortes de cargos na Comurg e confirmou que representará judicialmente contra ele.

O prefeito adiantou que busca um sócio para a Comurg e que, a partir deste ano, a empresa poderá atender outros clientes externos, inclusive, prefeituras. Para isso, a empresa terá um outro nome: Comurg Service – que será utilizado apenas quando os trabalhos executados ocorrerem fora de Goiânia.

Mabel ainda destacou os resultados na educação e que Saúde passa a ser sua prioridade, com a previsão da construção de novas unidades de saúde na capital e também na regularização total do almoxarifado de insumos, para evitar desabastecimento nos Cais e Ciams.

O gestor também avaliou a ida de Ronaldo Caiado para o PSD, a expectativa de formação de chapas para as eleições gerais deste ano e sobre a filiação de Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, ao PL para concorrer como vice-governador, algo que o pegou “de surpresa”.

Ton Paulo – Durante a abertura dos trabalhos legislativos da Alego na última semana, o deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) desferiu diversos xingamentos contra o senhor em um determinado momento da solenidade, que contava, inclusive, com a presença do governador Ronaldo Caiado e do vice, Daniel Vilela (MDB). Mas as trocas de farpas entre vocês já ocorrem há meses. O que pode ter causado esse conflito? Tem alguma relação com os cortes de cargos na Comurg?

Desde que começamos a mexer na Comurg, ele começou a me xingar diariamente. Eu nunca dei bola para isso, mas a cidade sabe por que ele xinga. A minha postura foi tranquila, e eu não vou ficar batendo boca com ele, mas, agora, eu não posso deixar a pessoa me xingar do que ela quiser. Por isso, eu ingressei com uma ação penal contra ele sobre esse fato, mas há outras 19 ações propostas, entre elas, do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, pois houve uma quebra de decoro parlamentar na frente do governador, do vice-governador, do prefeito, de todo mundo. O presidente Bruno Peixoto deve resolver isso por lá, mas eu nem dou muita atenção para isso, já que eu tenho tanta coisa para cuidar.

Patrícia Moraes Machado – Além dos cortes já realizados na Comurg e do ajuste econômico já apresentado em números pelo senhor, foram encontrados atos de corrupção dentro da companhia? Eles foram devidamente denunciados?

Encontramos muitos atos de corrupção e estamos repassando aos órgãos competentes. A prova disso é que há muita gente sendo condenada; nós mandamos 32 denúncias por rachadinha. Eu não tenho olhado para trás, porque isso é de atribuição da polícia, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Eu preciso olhar para a frente: analisei os últimos ajustes para assinar a negociação com a Comurg, que será a mais diferente de todas já realizadas. São quase R$ 2,6 bilhões que o município vai deixar de pagar por atos de administrações anteriores que não foram realizados de boa-fé e que resultaram nesse montante.

Nós estamos trocando esse valor por R$ 300 milhões, que serão pagos em 10 anos. Também assinei uma série de recuperações visando à restituição de valores junto à Receita Federal, junto ao FGTS e a uma série de órgãos em que o município pagava a mais. Só no FGTS, há cerca de R$ 40 milhões que foram depositados sem destinatário, e esse dinheiro é nosso, tem que ser devolvido.

Ton Paulo – São previstos mais cortes na Comurg?

A Comurg tem atuado por serviço. Se nós pegarmos um serviço do Governo de Goiás, vamos realizar a contratação de funcionários para aquele trabalho. Caso haja demanda, eles seguem e, caso não haja, eles serão dispensados. Nesse novo contrato, estão previstos todos os serviços que a empresa realiza. Antes, só se mandava realizar um trabalho, que não era faturado naquele momento, mas que era superfaturado em cima de outro serviço. Depois, era encaminhado o dinheiro para dar sobrevida à Companhia. Isso era no passado.

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“A Comurg tem atuado por serviço. Se nós pegarmos um serviço do Governo de Goiás, vamos realizar a contratação de funcionários para aquele trabalho” | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Quando assumimos, já demos uma boa arrumada, mandamos uma grande quantidade de gente embora, cortamos despesas, corrupção e muitas coisas que atrapalhavam o desenvolvimento da empresa. Dentro disso, conseguimos equilibrar o financeiro da Comurg, que hoje vive do próprio faturamento. Recentemente, nós fizemos mais alguns cortes de despesas, e ela começou a faturar em cima de serviços que, antes, não eram cobrados. Ela tem que prestar um serviço correto e com um preço estabelecido dentro do mercado. Essa vai ser a vida da Comurg daqui para frente.

Se vai haver mais demissões ou não, vai depender da quantidade de serviços que ela irá executar. Se não tiver ocupação de funcionários, demite. Se precisar de mais mão de obra, contrata.

João Paulo Alexandre – A partir deste ano, a Comurg já passa a prestar serviços para clientes externos? Como isso vai funcionar?

Sim, vai prestar. Inclusive, estávamos definindo um novo logotipo dela, que passará a se chamar Comurg Service quando for realizar serviços fora da capital. Não será Companhia de Urbanização de Goiânia, porque ela vai prestar serviços para outros municípios também. Então, quando atender outras cidades, será Comurg Service; quando fizer o serviço dentro de Goiânia, será a Companhia de Urbanização de Goiânia.

Patrícia Moraes Machado – Mas como vai funcionar esse contrato da Comurg com outras prefeituras? Já tem alguma interessada?

A Comurg participa da licitação ou pega a dispensa pela expertise dela em determinados serviços realizados, e ela pode executar esses trabalhos. Em Minas Gerais, existe uma super companhia que fatura R$ 3 bilhões. Então, a Comurg também vai ser uma companhia que vai crescer, tanto que estamos buscando sócios para ela.

O Governo de Goiás já demonstrou interesse em fazer o convênio, porque há muitos serviços pequenos que não têm quem faça. Estamos conversando com a Secretaria de Estado da Administração para viabilizar isso. A Ceasa também é outro lugar que tem interesse na contratação, assim como empresas que são grandes geradoras de lixo, que buscam a Comurg para coleta. Nós queremos uma diretoria comercial como nunca houve na companhia.

Patrícia Moraes Machado – O senhor falou que busca um sócio. Como será isso?

Nós vamos buscar um sócio que tenha experiência no mercado e que tenha disposição de investir financeiramente na companhia. É claro que isso não é fácil, no atual estado da Companhia, que, mesmo sobrevivendo com o próprio orçamento, ainda conta com uma dívida muito grande, principalmente trabalhista. Nós estamos combatendo isso. Estamos atrás de multas rescisórias que foram pagas e que não deveriam ter sido pagas.

Ton Paulo – Isso significa que a Prefeitura pode deixar de ser a acionista majoritária?

Não. A Prefeitura sempre será a acionista majoritária. Sempre o Executivo terá o controle. O sócio — ou os sócios — terá um teto de 49% de participação dentro da companhia.

João Paulo Alexandre – Como será feito o trabalho de imagem para que a Comurg se mostre competitiva perante outras empresas do mercado para realização de serviços externos?

A Comurg tem uma série de serviços realizados e possui vasta experiência dentro do que faz, o que pode interessar prefeituras, órgãos ou empresas por esse tipo de serviço. Nós temos que melhorar a qualidade do trabalho ofertado e do maquinário, que passou por um investimento recente, quando compramos novos tratores giro zero, sopradores, caminhões… A Comurg conta com maquinários para a prestação de serviço que realiza. Caso venha a pegar um grande serviço, ao invés de comprar, pode ser feito o aluguel do maquinário necessário para a realização do trabalho, assim como contratar o pessoal necessário. É uma empresa comum.

Patrícia Moraes Machado – Mas a roçagem ainda é um gargalo do município no quesito zeladoria. Já não é uma imagem ruim para a companhia?

A roçagem não é um gargalo. O erro veio pelo fato de o presidente não avaliar bem o contrato de maquinários que estava em vigor e que iria vencer em setembro do ano passado. Desde abril, eu o alertei da necessidade de reforçar o time de roçagem, porque o mato cresce na cidade inteira a partir de setembro, devido ao período chuvoso. O contrato venceu, e ele não conseguiu dar andamento à licitação que estava fazendo nem fazer uma contratação emergencial. Com isso, ficou sem máquinas durante um período de quase 50 dias. De repente, toda a cidade passou por esse descontrole de mato alto; até aqui no Paço Municipal isso aconteceu.

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Patrícia Moraes Machado, João Paulo Alexandre e Ton Paulo entrevistam Sandro Mabel | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Nós contratamos uma empresa que, inclusive, presta serviço para Aparecida de Goiânia, por três meses, em caráter emergencial, para ajudar a regularizar a situação. Mas a equipe que temos é suficiente para atender a cidade.

Ton Paulo – Sobre reforma administrativa: o Jornal Opção apurou que o senhor estava pensando em mexer no comando de algumas pastas estratégicas, como a Administração e a própria Comurg. Vai ter troca de secretariado a curto prazo?

Eu não tenho nada para indicar nominalmente, mas comigo é o seguinte: o que não está funcionando, troca. É simples assim. Eu tenho conversado com vários secretários, reforçando as metas deles e, se não tiverem entregando, vão ser trocados.

João Paulo Alexandre – E qual é a pasta que tem dado mais dor de cabeça ao senhor?

Tem momentos de alegria e de dor de cabeça. Não tem só uma que dá dor de cabeça, até mesmo porque não estaria mais, pois já teria trocado. Eu não tenho compromisso de manter pessoas ineficientes nos cargos. E não é só no secretariado, não. São nos Cais, nas Unidades Básicas de Saúde, nas escolas.

Só na Educação, trocamos 244 diretores. E a troca não se deu pelo fato de ele ser querido na escola. Quem teve interesse em concorrer ao cargo passou por uma formação de gestão, treinamento, provas e testes. Foram dois nomes preparados para cada escola, em que a comunidade escolar escolhia um deles. Nós nem os tratamos como diretores, mas como gestores, porque eles têm que fazer uma série de procedimentos, como analisar a luz e a água que são gastas e buscar meios para economia.

Eu tenho escolas que gastam R$ 6 de água por mês por aluno e tenho unidades que gastam R$ 18. Aí entram as estratégias: nessa escola que gasta mais, é o caso da construção de um poço artesiano, que se paga rapidamente. E o gestor tem que existir, porque não quero chegar a uma escola e ter um vaso quebrado, a porta de um banheiro danificada ou um vazamento no telhado. Isso não é gestor. Só no ano passado, mandamos R$ 225 milhões diretamente para as diretoras das escolas, exatamente para que elas aplicassem dentro das necessidades das suas comunidades escolares.

Patrícia Moraes Machado – O ano letivo começa com escolas em melhor qualidade?

Muito melhor. No final do ano, 381 escolas e Cmeis foram reformadas, entre pequenos e grandes reparos. Teve escola em que a diretora fez tanta obra que as aulas voltaram em meio aos trabalhos. Nós estamos mandando quase R$ 700 mil por escola para que a diretora aplique o dinheiro lá. E cobramos a prestação de contas. Quando visito uma escola, o primeiro lugar a que vou é o banheiro. Se estiver bagunçado, é sinônimo de que a escola está bagunçada.

Patrícia Moraes Machado – Durante a campanha eleitoral, o senhor falava que não só a estrutura física tinha que mudar na educação, mas também a forma de preparar essas crianças e adolescentes para o futuro. Conseguiu implementar isso?

Com as economias realizadas, sobraram R$ 400 milhões para se fazer investimentos. Pela Constituição, 25% do orçamento deve ser gasto na Educação. Nós gastamos 25,8% e ainda sobrou esse montante. O que fizemos? Adquirimos lousas eletrônicas para todas as escolas. Essas lousas têm Inteligência Artificial, estão ligadas ao Google, ao YouTube, ao Maps. Ela não é uma lousa simples, em que o professor fica cansativamente escrevendo. Ele consegue mostrar uma figura, um filme, fazer a aula mais interativa. Assim, o professor consegue melhorar o seu trabalho pedagógico também. Foram 1.475 lousas adquiridas e compramos mais de 15 mil tablets, algo que soma R$ 60 milhões de investimento.

Também vamos melhorar a internet nessas escolas, com a expectativa de que todas recebam fibra óptica. Havia escolas que não contavam com computadores, com processos que eram feitos à mão. Compramos 4,8 mil computadores para professores, além de computadores fixos também. Desse modo, cada vez mais vai se igualando a aula que vai ser dada com o que é projetado e com o que o aluno tem que aprender. O resultado disso foi um crescimento de 10% na quantidade de crianças que estão lendo melhor em 2025. Nós ganhamos o selo ouro de qualidade na educação. Até o índice de falta dos alunos reduziu, porque o aluno não queria assistir a uma aula chata.

Ton Paulo – Quais foram as melhorias realizadas com o empréstimo de R$ 710 milhões que foi feito na gestão passada, mas que ficou no seu orçamento?

Estamos fazendo asfalto. Em um primeiro momento, projetou-se realizar 500 quilômetros de asfalto recuperado na capital. Nós revisamos o projeto e vimos que é possível fazer 800 quilômetros com o mesmo valor. Isso pelo fato de que há avenidas em que você conta com um pedaço de 200 metros de asfalto ruim, e o restante está bom. Não preciso retirar o asfalto bom para colocar outro por cima. Eu deixo esse asfalto que ainda tem vida útil e recomeço o trabalho no trecho que está ruim. Estamos priorizando as ruas principais dos bairros.

Ton Paulo – Goiânia ainda registra nota C no sistema oficial da Capag. Isso deve mudar este ano?

Nossa nota vai ser B na próxima publicação. Nós esperávamos chegar à A e isso só não aconteceu porque não é apenas o ano de 2025 que é levado em consideração, mas, sim, a média dos três últimos anos. Então, os dois últimos anos para cá, quando a nota caiu para C, foram muito ruins; não foram feitos investimentos, somente gastos. Mas, neste ano de 2026, vamos conseguir chegar à nota A porque teremos dois anos bons e apenas um ruim dentro da visão deles.

João Paulo Alexandre – Vamos falar da área da Saúde: recentemente houve uma operação em que houve a desclassificação de algumas empresas que foram contratadas e não entregaram os insumos. O secretário da pasta disse que tem até 60 dias para regularizar esse almoxarifado. Como está a situação hoje? Esse prazo realmente é suficiente para regularizar essa situação?

Quando nós assumimos, não tínhamos nem 30% de medicamentos nas nossas farmácias. Era uma bagunça geral. A saúde estava em calamidade, tanto que foi necessária uma intervenção estadual para conseguirmos arrumar a casa. Havia uma dívida de R$ 1,8 bilhão, e foi necessário fazer uma renegociação desse valor e a Assembleia Legislativa nos ajudou, junto com a Câmara, com o decreto de calamidade.

Já fizemos várias nesse sentido, com 40% de desconto e 30 meses para pagar. E começamos a comprar remédios, mas percebemos que alguns fornecedores ainda estavam acostumados com o sistema anterior, em que vinha uma nota fiscal de dois remédios, mas apenas um era entregue. Isso acabou. Passamos a fazer uma auditoria nos caminhões que eram descarregados, em que uma pessoa acompanhava a descarga dos insumos. Os remédios que faltam hoje são de empresas que ganharam licitações e não entregaram os produtos.

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Prefeito Sandro Mabel, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Com isso, nós fizemos uma lista suja de fornecedores que não atendem mais o município e começamos a buscar outros. Nós temos dinheiro e temos condições de comprar esses medicamentos, e fomos atrás de indústrias e fornecedores maiores, oferecendo uma carta de fiança bancária em respeito ao pagamento. É importante reforçar que, quando há falha em uma licitação, demora entre três e cinco meses para que outra seja feita. Por isso, pode-se chegar ao posto de saúde e não haver determinado medicamento. Hoje temos 85% de medicamentos em todos os locais, mas queremos chegar a 100% em todas as unidades de saúde.

João Paulo Alexandre – E quais serão as obras realizadas na saúde este ano?

Saúde é prioridade total. É algo mais complexo, mas estamos trabalhando. Tem gente que me pergunta se vou reformar o Cais de Campinas. Eu não vou arrumar. Aquilo não tem condição: é uma construção que tem 30 anos, ultrapassada, suja, desarrumada, com fiação ruim, um verdadeiro lixão. Temos que fazer um novo e colocar aquele no chão. A nossa expectativa é que, entre maio e junho, seja lançado um edital para fazer a licitação de três novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nível três: Campinas; região Oeste, para atender o Vera Cruz e o Cerrado; e no Cândida de Moraes, para atender a região Noroeste.

Sobre a UPA Guanabara: estamos terminando a licitação de lá, pois tivemos que fazer uma série de modificações no projeto para transformá-la em uma UPA nível três, com cobertura do Ministério da Saúde para atender direito. Este ano ela será entregue. Vamos colocar uma Organização Social para terminar de fazer o que é preciso e para administrá-la.

Ton Paulo – O senhor teve aval na Câmara para fazer o empréstimo de R$ 132 milhões com o BNDES. Como está o procedimento para a contratação deste empréstimo?

O BNDES liberou uma parcela dela e estamos fazendo um novo plano, pois eu não concordo 100% no que estava previsto para ser gasto. Eu quero que se gaste de forma mais objetiva em lugares que geram um melhor atendimento ao usuário e que a gente possa ter uma arrecadação melhor, uma cidade toda funcionando não apenas para um modernização da arrecadação, mas de administração de maneira geral. Então, o dinheiro vai sendo liberado por partes, conforme vai se fazendo esse investimento.

Patrícia Moraes Machado – Imas será um gargalo como a Comurg?

O Imas é um problema sério. Há um grande trabalho a ser feito ali. Tiramos muita irregularidade, tanto que estamos conseguindo equilibrar o orçamento do instituto, mas o atendimento ainda não é o ideal. O Imas tem uma série de problemas cujo melhor caminho seria fechá-lo. Nós não temos competência para tocar o Imas. Até os grandes planos de saúde estão vivendo com dificuldade. Por isso, nós vamos trazer uma empresa para nos ajudar a administrar o Imas.

Não é que vamos terceirizá-lo, mas é uma empresa que tem experiência em fiscalização de hospital, em aprovação de guia, liberação de cotas, entre outras atribuições. Foi feita uma licitação, três empresas participaram, com muita experiência, sendo uma delas que presta serviço ao Ipasgo. A ganhadora foi uma empresa que presta serviço para a Hapvida quando há uma área que não está dando certo.

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“O Imas é um problema sério. Há um grande trabalho a ser feito ali” | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

Nós vamos trabalhar forte para que possamos equilibrar o orçamento. Haverá mudanças no sistema de pagamento também. Tem gente que paga mais do que devia, há pessoas que pagam menos e há usuários que não pagam o que deveriam pagar. Quando você entra no Imas, não há uma entrevista para saber se você tem um problema de saúde preexistente, como é feito nos planos de saúde.

É um problema fora do eixo. Não é algo que nós dominamos. A Comurg você lida com trator, máquina; a gente sabe como tocar. O Imas, não. É hospital, gente doente, é algo mais complexo. Por isso, vamos fazer essa última tentativa. Espero que a empresa dê conta do recado; caso contrário, dentro de um ano, não teremos mais Imas.

Patrícia Moraes Machado – O senhor continua no União Brasil. Qual é a sua avaliação da saída de Ronaldo Caiado, do partido e desse rearranjo político que está acontecendo?

Eu continuo no União Brasil e estamos tentando ajudar a formar essas chapas para deputados estaduais e federais. Há uma indecisão ainda sobre quem será o presidente, qual será a chapa, entre outras questões. Pedi uma reunião com o governador, Gracinha Caiado e os deputados estaduais e federais, porque precisamos formar a chapa, senão vai todo mundo embora. O pessoal precisa ter segurança sobre como vai ser conduzido o partido, a verba que vem para a sigla, o fundo eleitoral, tudo isso tem que ser discutido. Nós estamos esperando que o governador possa fazer uma reunião, uma vez que ele não é mais o presidente porque saiu do partido, mas, de fato, ele é.

Patrícia Moraes Machado – Você acredita que a ida para o PSD aumenta a viabilidade da candidatura de Ronaldo Caiado para presidente da República mais do que pelo União Brasil?

Ele disse e entende que sim. Eu não participei; aliás, ninguém participou. Ele anunciou, e ninguém sabia. Acho que até o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, soube de última hora. Mas, com a exposição que ele fez, há realmente chances de ele sair candidato pelo partido. Não acho que seja tão fácil. O Gilberto Kassab é um cara muito pragmático, todo mundo conhece, mas Ronaldo Caiado é um bom candidato, é um cara que fez um modelo que o Brasil precisa, principalmente no que diz respeito à segurança pública, à educação… Tudo tem uma boa avaliação. Se o partido quiser investir nele, eu acho que ele tem uma boa chance de ser eleito.

Patrícia Moraes Machado – Durante o lançamento da pré-candidatura de Wilder Morais ao governo de Goiás pelo PL, houve uma grande surpresa: a filiação de Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, ao partido para concorrer como vice-governadora. Como você avalia isso? Esse movimento surte alguma interferência política no pleito de 2026?

Foi uma surpresa total. Ela mudou de partido sem comunicar aos amigos. Complicado (risos). A Ana Paula é uma pessoa que traz consigo a história do Iris e da mãe, Dona Iris. Ela não é uma força política porque não pratica política, nunca disputou um cargo, não está no contexto político, mas tem demonstrado que gosta de política. Primeiro lançou a pré-candidatura ao Senado, o que foi uma surpresa também, e agora esse outro anúncio.