Romário Policarpo: “Segurança não pode ser responsabilidade só do Estado. Municípios precisam investir nas guardas civis”
28 fevereiro 2026 às 21h00

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Natural de Novo Gama, o GCM Romário Policarpo, ao longo dos anos, construiu uma trajetória de destaque na política goiana. Atualmente sem partido, é um dos políticos mais influentes da capital do Estado. Está em seu quarto mandato como presidente da Câmara Municipal de Goiânia (o único a atingir esse feito). Foi reeleito nas eleições de 2024 com 11,4 mil votos, tornando-se o terceiro parlamentar mais votado da capital. É membro da Guarda Civil Metropolitana, formado em Gestão de Segurança Pública (hoje, cursa Biologia) e já presidiu o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (SindiGoiânia) e a Associação dos Servidores da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (ASGMG).
Mesmo com sua popularidade e reconhecimento entre os pares, este pode ser seu último ano na Câmara Municipal, pois pretende concorrer a deputado estadual, ainda sem partido definido, mantendo conversas com Avante, PRD e outras siglas. Amigo e apoiador de Daniel Vilela – que deve disputar o Palácio das Esmeraldas – Policarpo destaca que o diferencial de Daniel em relação aos demais pré-candidatos é seu histórico de trabalhos e entregas, além da capacidade de dar continuidade ao legado deixado pelo governador Ronaldo Caiado.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, Romário Policarpo celebra os avanços de sua liderança na Câmara; elogia e também aponta lacunas na administração do prefeito Sandro Mabel e sugere melhorias para a cidade. Para ele, o gestor tem enfrentado problemas estruturais da cidade que seus antecessores jamais ousaram abordar. Romário também antecipa quais serão suas prioridades caso seja eleito para a Assembleia Legislativa. Para ele, a segurança pública deve ser uma prioridade, e irá defender que os municípios sejam responsáveis pelo assunto junto com o Estado. “Os municípios devem assumir responsabilidades, criando e investindo em guardas municipais”, defende.
Ton Paulo – Houve uma situação recente envolvendo o seu nome, na qual, após uma partida entre Vila Nova e Atlético, circularam imagens em que você aparece discutindo com o árbitro de VAR, Eduardo Tomaz, visivelmente exaltado. Gostaria que explicasse exatamente o que aconteceu naquele momento e como avalia a repercussão que o episódio acabou tomando.
Houve um erro de arbitragem que foi evidente para todos, não apenas para mim. Trata-se de um erro grave, que pode comprometer um planejamento iniciado ainda no ano passado. O futebol tem muito disso: você constrói um projeto ao longo de meses e, em poucos minutos, uma decisão equivocada pode colocar tudo a perder. O VAR foi criado justamente para corrigir lances como aquele.
Se a pergunta é “foi pênalti ou não”, qualquer pessoa, até mesmo a mais leiga, dirá que foi. Inclusive, houve um lance idêntico no jogo do Flamengo recentemente, e basta verificar o que foi marcado naquela ocasião. Eu fiz a cobrança, sim. Como vice-presidente do clube, é meu dever cobrar o árbitro, a federação e qualquer pessoa que atue contra os interesses do Vila Nova, instituição que eu represento e pela qual trabalho, apesar de muitos acharem o contrário. E faço isso, inclusive, sem receber remuneração.
A minha postura foi de defesa do clube. Se eu estivesse equivocado, a federação não teria emitido a nota que publicou, reconhecendo como extremamente inadequado o fato de ele ter levado, de maneira irresponsável, a filha ao estádio vestindo a camisa de um time rival.
Não o conheço, não sou amigo dele e não o considero desonesto ou mal-intencionado. Mas entendo apenas que ele cometeu um erro grave que prejudicou uma equipe.
Em lances como aquele, é comum que o VAR leve três ou quatro minutos para análise. Nesse caso, a decisão foi tomada em cerca de 30 segundos, mesmo sendo posteriormente classificada por ele como difícil de visualizar. Se era realmente difícil, chama a atenção que a definição tenha sido tão rápida.
Também é importante registrar que eu preservei a integridade da família dele. Apesar da exposição inadequada ao levar a filha ao estádio naquela circunstância, fui eu quem impediu a divulgação de imagens da criança vestindo a camisa do time rival. Ela é uma criança e tem o direito de torcer para quem quiser.
Ton Paulo – Ainda falando sobre futebol, no ano passado o Vila Nova conquistou um avanço importante com a doação da área do centro de treinamento. A partir de agora, o clube passa a ter a possibilidade de realizar investimentos efetivos no local. Já existe algum projeto de maior porte previsto para essa estrutura?
Primeiro o governador tirou um peso que existia sobre o Vila Nova, porque a área não era doada, e sim cedida. Com isso, de tempos em tempos era preciso mendigar politicamente para poder permanecer com a área.
Então o governador Ronaldo Caiado e o Daniel Vilela tiveram uma generosidade gigantesca com o Vila Nova e cederam de fato aquela área transferindo para o Vila. Agora o time pode fazer planejamentos a longo prazo. Antes, a cada mudança de governo temíamos sobre o que poderia acontecer com a área cedida.
Como político sempre busca colocar em prática decisões que irão tornar as pessoas independentes de mim. Não quero que a pessoa dependa eternamente de mim eternamente, quero resolver o problema em definitivo. É o que aconteceu agora com a decisão do governador Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.
Ainda sobre os projetos de investimento do clube, temos planos para futuramente expandir a nossa estrutura, como a construção de um mini estádio para que as categorias de base e o futebol feminino possam jogar. Obviamente é um processo um pouco mais longo, mas se conseguirmos recursos, por exemplo alguém interessado na aquisição da área do Onésio Brasileiro Alvarenga, que fica no Setor Universitário, podemos transferir a estrutura total do Vila Nova para onde é o CT hoje, inclusive construindo o estádio novo no local. Mas isso é projetar a longo prazo.
Ton Paulo – Na última quarta-feira, houve a abertura dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal. O que se viu, no entanto, foi um começo bastante conturbado. Havia a expectativa da presença do prefeito Sandro Mabel, que acabou não comparecendo. Além disso, a oposição promoveu uma série de manifestações. Para o senhor, esse episódio sinaliza um cenário de maior tensão entre o Legislativo e o Executivo? Como enxerga o início da relação entre a Prefeitura e a Câmara Municipal neste ano?
A relação começa da mesma forma que terminou: de maneira positiva. O prefeito Sandro conseguiu aprovar todas as matérias consideradas prioritárias para a Prefeitura, o que demonstra um ambiente de diálogo e articulação. A oposição, naturalmente, cumpre o seu papel, que é fundamental dentro do processo político.
Quanto à ausência do prefeito na sessão de abertura, ela ocorreu por uma questão de agenda e de deslocamento, já que ele não conseguiu chegar a tempo. Inclusive, a presença dele estava prevista e confirmada em conversa realizada no dia anterior.
A atuação da oposição é legítima e necessária. A crítica faz parte do regime democrático e, quando é construtiva, contribui para o aprimoramento da gestão, pois é por meio dela que se identificam falhas e pontos a serem corrigidos.
De modo geral, avalio que a relação do prefeito Sandro Mabel com a Câmara é muito boa. Evidentemente, não há concordância absoluta em todas as pautas e decisões da Prefeitura, mas isso é próprio do ambiente político e não caracteriza, na minha visão, um cenário de crise entre os Poderes.
Respeito a forma de atuação de cada parlamentar. Pessoalmente, posso não concordar com determinados estilos de manifestação, mas cada um tem sua maneira de fazer política, e não cabe a mim afirmar que a minha é a correta ou que a do outro está errada. Cabe a cada agente público agir conforme sua convicção e, posteriormente, ao eleitor avaliar essa postura no momento oportuno.
A Câmara Municipal é uma instituição séria e sempre tratei o Poder Legislativo com respeito. Nunca desrespeitei a instituição e continuarei agindo dessa forma. Em diversas ocasiões, inclusive, deixei de externar opiniões pessoais em respeito ao cargo e à instituição. No fim, cada parlamentar dialoga com seu público da forma que considera mais adequada, dentro da sua compreensão da realidade política.

Ton Paulo – Já houve alguma conversa com o prefeito a respeito dos projetos prioritários do Paço que serão encaminhados à Câmara? Existe um pedido de apoio na articulação para garantir a tramitação e aprovação dessas matérias? Em caso afirmativo, quais são os projetos que devem chegar à Casa nos próximos dias?
Em uma conversa recente, durante um café da manhã, o prefeito apresentou uma proposta que considera estratégica para a cidade: o repovoamento do Centro. Inclusive, ainda no período eleitoral, eu já defendia essa ideia. Na época do programa Centraliza, manifestei o entendimento de que aquela iniciativa, por si só, não seria suficiente para solucionar os problemas da região central. Sempre sustentei que a medida mais eficaz seria incentivar a moradia no Centro.
Nos próximos dias, o prefeito Sandro Mabel deve encaminhar à Câmara Municipal um projeto nesse sentido e solicitou apoio para a articulação da proposta. A iniciativa prevê a criação de uma modalidade de aluguel social voltada especificamente para o Centro da cidade, com a estimativa de beneficiar cerca de três mil famílias, através na concessão de subsídio. Naturalmente, haverá critérios e regras para a concessão do benefício. A lógica é simples: para enfrentar os desafios do Centro, é fundamental que haja pessoas vivendo ali.
Ao longo dos anos, a cidade se expandiu de forma significativa, e cada região passou a oferecer serviços próprios, como atendimento administrativo, agências bancárias, comércio e outras facilidades. Hoje, muitos moradores não precisam mais se deslocar até o Centro para resolver demandas cotidianas, como acontecia há 15 ou 20 anos. O projeto de repovoamento tende a ser, na minha avaliação, a principal pauta do primeiro semestre.
Ton Paulo – Outro projeto que deve ser encaminhado à Casa é o da reestruturação do Imas. Gostaria de saber em que estágio essa proposta se encontra.
Até o momento, o projeto ainda não foi enviado e, ao que tudo indica, deve levar um pouco mais de tempo para chegar à Câmara. Acredito que isso ocorra porque ainda não houve debate com a base a respeito do conteúdo da proposta.
Trata-se de um projeto relevante. Entendo que o Imas precisa passar por uma reestruturação ampla, pois, da forma como está, não pode continuar. Os servidores enfrentam dificuldades no atendimento, e a própria população, que contribui com seus impostos para manter o instituto em funcionamento, acaba sendo prejudicada.
É necessário equilibrar essa situação, já que há recursos sendo consumidos sem que o serviço atenda de maneira satisfatória. A Prefeitura já conseguiu avançar na solução de outros problemas, como o da Comurg. Agora, na minha avaliação, chegou o momento de enfrentar de forma definitiva a questão do Imas e promover as mudanças necessárias.
Ton Paulo – Estamos em ano eleitoral e o sr é pré-candidato a deputada estadual. No entanto, atualmente o sr está sem partido, após ter deixado o PRD. Como está essa situação? De que forma têm avançado as conversas com outras siglas e qual deve ser o seu próximo destino partidário? Há possibilidade de filiação ao Avante ou de retorno ao PRD?
O futuro pertence a Deus. Tenho dialogado com diversos partidos e nunca escondi que integro o grupo político do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, que é meu amigo. No entanto, as decisões partidárias são tomadas por mim.
Tenho mantido conversas com diferentes lideranças, inclusive com o Jorcelino Braga, com quem também tenho uma relação de amizade, algo que nunca foi segredo. Confesso que deixei o PRD com o coração um pouco apertado, porque, na minha avaliação, foi o partido que melhor me acolheu. Foi onde me senti mais bem acomodado e onde tive liberdade para fazer política da maneira que acredito. A saída ocorreu porque entendi que, diante da formação da federação partidária, a permanência não seria mais adequada.
Se lembrarmos do cenário anterior, o PROS, que depois se tornou Solidariedade, foi o partido que tentou cassar meu mandato como presidente da Câmara Municipal há cerca de dois ou três anos. Não fazia sentido permanecer em um ambiente cujos dirigentes haviam atuado para retirar meu mandato. Diante disso, optei pela saída, ainda que tenha sido uma decisão difícil e que tenha gerado certo desconforto.
Em relação à nova sigla, ainda não há definição. Pretendo conversar também com o nosso pré-candidato ao governo, Daniel Vilela, e a decisão deve ser tomada até o fim de março.

João Paulo Alexandre – Apuramos que as articulações para a eleição da Mesa Diretora já ocorrem desde o ano passado. Há informações de que um grupo de cerca de quinze vereadores estaria se organizando para discutir um nome para a próxima presidência da Câmara Municipal. O senhor tem conhecimento dessas movimentações? Está acompanhando esse processo?
Acompanho, sim. O que eu desconheço é a existência formal desse grupo específico, porque todos os vereadores têm conversado comigo de maneira bastante alinhada sobre o processo eleitoral. Esse tipo de articulação é natural. Aqueles que almejam a presidência buscam apoio, e eu mesmo fiz isso quando disputei o cargo. É parte do jogo político. Naturalmente, essa disputa tende a se intensificar à medida que o ano avança e o cenário se afunila.
Vejo essa movimentação com tranquilidade. Acredito que a próxima eleição também deva caminhar para uma construção consensual, até pelo bem institucional da Câmara. Tenho defendido que o próximo presidente precise ter um perfil conciliador, alguém capaz de resolver conflitos, e não de ampliá-los. Entendo que a Casa deve seguir por esse caminho, mas, neste momento, as conversas são legítimas e esperadas.
Ton Paulo – O senhor foi procurado por algum parlamentar em busca de apoio, ainda que de forma discreta?
Praticamente todos [risos]. Dos 37 vereadores, apenas eu não posso disputar novamente a presidência, então os demais têm interesse. Todos conversaram comigo, e mantenho uma relação de amizade com cada um deles. Evidentemente, tenho minhas preferências, que já foram manifestadas aos próprios vereadores, mas essa parte deixo para que vocês descubram.
Ton Paulo – O que há de concreto nessa informação de que seu nome teria sido ventilado como possível vice na chapa de Daniel Vilela? Foi procurado em algum momento?
Da parte do governo, nunca houve qualquer abordagem nesse sentido. Já deixei isso claro em outras ocasiões. Inclusive, o próprio governador Ronaldo Caiado costuma dizer, em tom descontraído, que eu não tenho perfil para ser vice de ninguém. E, sinceramente, acredito que isso tenha relação com a minha própria característica. Considero pouco provável ocupar esse papel, porque não faz parte do meu perfil político.
Essa especulação surgiu a partir de conversas dentro de alguns partidos. Parlamentares, vereadores e até alguns deputados entenderam que eu poderia ter um perfil que interessasse ao governo. E na política acontece muito isso: uma conversa informal começa em um ambiente restrito, ganha força, se espalha e, quando se percebe, já virou assunto na imprensa. Foi basicamente isso que ocorreu. Não houve nada oficial.
Eu mesmo descartei essa possibilidade desde o início, porque entendo que o foco agora deve ser vencer as eleições. Discutir a escolha de vice antes de consolidar o projeto principal não faz sentido. Escolher um vice e não ganhar a eleição não adianta nada. Como sempre digo quando sou questionado sobre o tema, só há uma pessoa em Goiás com autoridade para definir essa escolha: Ronaldo Caiado.
Ele conduziu um governo com alta aprovação e, por isso, tenho convicção de que saberá escolher um nome que contribua para fortalecer o projeto eleitoral e ampliar as chances de vitória.
Patrícia Moraes Machado – Qual seria o vice ideal?
Não é um tema que me preocupa neste momento. Essa é uma responsabilidade do governador, e cabe a nós confiar na condução que ele fará. Se me perguntarem, em caráter pessoal, quem eu gostaria que fosse o vice, respondo que veria com bons olhos o nome do Bruno. Entendo que Bruno Peixoto reúne características eleitorais importantes.
Acredito que ele poderia agregar uma parcela relevante do eleitorado ao projeto. No entanto, o governador tem uma compreensão muito mais ampla do Estado e do cenário político do que eu. Por isso, essa não é uma decisão simples nem pessoal. Muitas vezes, o que eu gostaria não é necessariamente o que deve ser feito dentro de uma estratégia maior.
Patrícia Moraes Machado – Recentemente, o senhor criticou o veto do prefeito as emendas impositivas dos vereadores. Espera reverter essa decisão?
Eu não sei se esse veto partiu diretamente do prefeito, até porque não vejo Sandro Mabel analisando emenda por emenda individualmente. Esse tipo de avaliação costuma passar pela equipe técnica.
A crítica que faço é a seguinte: se a emenda foi apresentada de forma equivocada, é correto que não seja paga. Emenda errada não deve ser executada. Agora, rejeitar uma emenda sob o argumento de que já existe alta demanda para o serviço que o vereador pretende atender é, no mínimo, incoerente. A emenda é impositiva, e a prerrogativa de destiná-la é do vereador.
Se não houver demanda suficiente, executa-se até o limite necessário e o valor não utilizado retorna aos cofres da Prefeitura. O que não cabe ao Executivo é decidir se a demanda é alta ou não para justificar a não execução. A lógica da emenda impositiva é justamente garantir essa autonomia.
Às vezes, a Prefeitura entende que já existem dez praças em determinada região e que não há necessidade de construir a décima primeira. No entanto, o vereador pode compreender que há, sim, uma parcela da população que precisa daquele equipamento público. É para isso que existem as emendas impositivas.
Se a Prefeitura considera que há excesso de oferta em determinado serviço, cabe a ela ajustar sua própria programação. Mas, se a emenda estiver corretamente apresentada, ela deve ser executada. Posso afirmar que esses vetos todos serão derrubados, porque essa discussão sobre a natureza impositiva das emendas já foi superada.

Patrícia Moraes Machado – Como senhor avalia o primeiro ano de gestão do prefeito Sandro Mabel?
Eu avalio de forma positiva o fato de ele ter resolvido, ainda que parcialmente, o problema da crise na Comurg. Isso foi um avanço importante.
Por outro lado, a questão da comunicação com a cidade ainda precisa ser melhor compreendida. O impacto disso só poderá ser medido ao longo do tempo, especialmente no cenário eleitoral daqui a dois anos e sete meses. Na minha avaliação, muitos dos ruídos enfrentados pela Prefeitura ocorreram por falhas na comunicação. Inclusive, em diversas ocasiões, eu mesmo pontuei que era necessário comunicar melhor as ações.
Às vezes, uma iniciativa positiva acaba sendo percebida de forma negativa pela maneira como é apresentada. Talvez por isso tenham ocorrido mudanças nessa área, embora eu não possa afirmar com certeza, porque não faço parte da gestão e não acompanho internamente essas decisões. Eu me posiciono apenas quando sou questionado.
De modo geral, entendo que a cidade tem registrado avanços. O Sandro Mabel está enfrentando um problema histórico e grave, que é a questão dos alagamentos. Desde 2022 eu venho alertando que a cidade corre o risco de parar em períodos de chuva, justamente porque não houve, ao longo dos anos, investimentos suficientes nessa área. Trata-se de obras que ficam debaixo da terra e, muitas vezes, não são percebidas pelo eleitor, o que acaba desestimulando investimentos. Era necessário que alguém assumisse esse enfrentamento. Se isso trará retorno eleitoral, só o tempo dirá. Do ponto de vista da correção de problemas estruturais da cidade, entendo que ele tem conduzido bem essa pauta e enfrentado problemas que ninguém enfrentou.
Patrícia Moraes Machado – Eleito deputado estadual, qual será seu principal foco?
É óbvio que é uma dimensão muito maior, estamos falando de um Estado, então precisamos fazer o que fizemos em Goiânia: debater cada região, debater cada cidade com as suas especificidades. Consegui fazer isso em Goiânia. Quando se tem um vereador que foi eleito em um partido pequeno e que chegou a uma votação expressiva, como eu, tendo voto em todas as regiões da cidade, a origem disso é que debati todos os problemas da cidade de forma individual, e é o que eu desejo levar para o Estado.
Ton Paulo – O senhor é natural de Novo Gama, o Sr tem projetos para região do Entorno de Goiás?
Apesar dos avanços conquistados neste governo, ainda existem dezenas de problemas a serem enfrentados, e o Entorno é uma região que precisa ser melhor avaliada. Uma bandeira que tenho defendido, inclusive, é a de que os municípios também assumam suas responsabilidades na área da segurança pública.
Já passou da hora de parar de deixar toda essa responsabilidade apenas nas mãos do Estado. Nas conversas que tenho mantido com prefeitos, tenho incentivado, por exemplo, a criação de guardas civis municipais. Existem inúmeros exemplos no interior do Estado de cidades que implantaram guardas municipais e registraram avanços significativos nos indicadores de segurança.
Se há algo que tenho levado tanto ao Entorno quanto a outras cidades, é justamente essa pauta das guardas municipais, porque entendo que é importante, necessário, ajuda a resolver parte do problema e ainda reduz o peso sobre o Estado. No caso do Entorno, especificamente, é preciso modernizar as guardas existentes. Visitei todas elas e percebi que há necessidade de modernização e de mais investimentos. Também é fundamental que as prefeituras estejam preparadas para buscar recursos junto ao Governo Federal, criando caminhos para ampliar as receitas e fortalecer essa estrutura.
Hoje, a Guarda Civil Metropolitana de Goiânia está, provavelmente, entre as três ou quatro mais modernas do país, tanto em equipamentos quanto em quantitativo de material. Esse é um exemplo que precisa ser observado. Precisamos reforçar, principalmente junto aos prefeitos dessas cidades, a importância de assumir a pauta da segurança pública como prioridade. Trata-se de uma área extremamente relevante, que exige investimento, estrutura e compromisso por parte dos municípios.
Patrícia Moraes Machado – Pensa em disputar a presidência da Assembleia Legislativa, caso eleito deputado estadual?
Não penso nisso neste momento. Acho muito cedo para qualquer projeção. Vou chegar a um ambiente cujo funcionamento interno ainda não conheço plenamente. É claro que conheço o regimento e as normas formais, mas cada Casa tem sua dinâmica própria, sua cultura e sua forma de operar.
Prefiro dizer que, se chegar lá, irei com a disposição de aprender. E, nesse processo, é sempre mais produtivo estar ao lado de pessoas que já têm experiência e conhecem bem o funcionamento da instituição. Foi exatamente o que fiz quando entrei na Câmara Municipal: passei os dois primeiros anos observando, entendendo os ritos e a dinâmica interna antes de dar passos maiores.
Não gosto de agir de maneira precipitada. Acredito que arrogância e prepotência muitas vezes antecedem a derrota. Sei o meu tamanho. Não me considero melhor do que ninguém, mas também não me coloco como pior. Tenho consciência, porém, de que ainda preciso aprender muito para ocupar e me consolidar em um espaço tão relevante como a Assembleia.

Ton Paulo – O senhor é apoiador do projeto Daniel Vilela que deve disputar a reeleição ao governo. O que o diferencia dos demais pré-candidatos Wilder Morais, Marconi Perillo e de um candidato do PT?
O trabalho. Tivemos esse exemplo aqui em Goiânia: havia um candidato da direita bolsonarista, havia o do PT e o candidato Sandro Mabel, que também é da direita, ligado ao governador Ronaldo Caiado e com um histórico de entregas. Como eu disse, o histórico de entregas do governador Ronaldo Caiado fala por si só.
Acredito que esta eleição será muito mais sobre aquilo que é possível fazer e como fazer do que propriamente sobre ideologia. O Daniel tem todos os atributos necessários para ser um grande governador, para dar continuidade e seguir o legado que Ronaldo Caiado está deixando, inclusive na área da segurança pública, até porque ele convive diariamente com essa realidade. Talvez tenha sido o vice que mais assumiu o governo em determinados períodos. No fim, entendo que a entrega pesa mais do que a ideologia. O objetivo é que o Estado continue avançando.
Patrícia Moraes Machado – Como o senhor enxerga as críticas à reforma da sede da Câmara Municipal de Goiânia?
As críticas são naturais, mas, em muitos casos, são no mínimo maldosas. A expansão da Câmara era óbvia: com o concurso que realizamos, dois novos vereadores foram incluídos e a estrutura agora atende de fato à sociedade. Alcançamos um nível de transparência que a Câmara nunca teve. Inclusive, agradeço à imprensa, porque foram eles que me cobraram nesse sentido. Hoje, o cidadão sabe onde a Câmara está, acessa informações pelo celular, visita a Casa, acompanha os trabalhos e faz suas cobranças.
Talvez seja a Casa Legislativa que mais recebe a população. Qualquer pessoa pode ir lá, e precisávamos recebê-las bem. Além disso, conseguimos economizar R$ 113 milhões.
Optamos por não construir um prédio novo porque o custo seria excessivo. Falamos de uma economia de R$ 113 milhões: gastamos R$ 7,4 milhões, se não me engano, nessa reforma, contra os R$ 120 milhões que custaria a construção de um novo prédio. Gastar R$ 120 milhões em um momento como esse seria um absurdo.
Diferente da Assembleia, que não tinha espaço para crescer, a Câmara tinha condições de se expandir. A decisão de criar o piso extra foi totalmente minha, mesmo com resistência de alguns funcionários.
Eu acredito que não se deve gastar dinheiro quando é possível economizar. Críticas maldosas, muitas vezes, nem respondo. Já as críticas construtivas, eu ouço e agradeço, e vocês sabem bem disso.


