Luiz do Carmo: “Eu só disputo dois cargos: governador ou vice-governador. Mas é preciso ter juízo”
10 janeiro 2026 às 21h01

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Natural de Palminópolis, Luiz Carlos do Carmo construiu uma trajetória não apenas na política, mas também em diversos outros segmentos, como o empresarial e o agro. Ex-senador, é proprietário de cinco usinas de extração de calcário no interior de Goiás, além de uma transportadora e uma distribuidora de autopeças. Também já atuou no setor bancário, onde chegou a ocupar o cargo de gerente.
Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006 e reeleito para a Assembleia Legislativa de Goiás em 2010. Em 2014, foi eleito para o Senado Federal como suplente de Ronaldo Caiado e assumiu a cadeira quando o titular da chapa foi eleito governador de Goiás. Atualmente, Luiz do Carmo é apontado como um dos principais nomes cotados para ocupar a vaga de vice na chapa que disputará o governo do Estado, que deve ser encabeçada por Daniel Vilela.
Luiz do Carmo vem de uma família tradicional tanto na política quanto no segmento evangélico. Seus irmãos são Oídes do Carmo, bispo da Assembleia de Deus, e Eurípedes do Carmo, prefeito de Bela Vista de Goiás. Nesta entrevista ao Jornal Opção, o ex-senador, embora rejeite o título de representante exclusivo dos evangélicos, afirma ter capacidade de agregar o voto desse eleitorado. Além disso, destaca sua ligação com o agro, segmento no qual acredita ter voz ativa e representatividade.
Segundo o ex-parlamentar, neste momento da vida política, existem apenas dois caminhos viáveis para uma eventual candidatura: governador ou vice-governador. Na conjuntura atual, e para quem tem juízo, como ele próprio afirma, o cenário mais adequado e estratégico seria disputar a vice na chapa de Daniel Vilela, que, em sua avaliação, tem grandes chances de vitória.
Ton Paulo – Não é segredo para ninguém que o senhor é um dos principais cotados para compor com o Daniel Vilela como vice. Como está, de fato, esse diálogo, essa movimentação? O senhor está trabalhando para isso? O que há de sólido sobre essa questão?
Começou devagarinho. Eu acho que vice não tem disputa, vice é um chamado. Mas começou um movimento de uma pessoa, de outra pessoa, e aí nós começamos esse movimento. Eu fui deputado estadual por dois mandatos, fui senador e agora existe essa possibilidade de ser vice, inclusive com a possibilidade de assumir por nove meses, caso o Daniel saia para disputar o Senado. Ele nunca falou que vai sair, mas essa possibilidade existe.
Então a gente está conversando com a imprensa, conversando com gente que tem liderança, para dialogar e saber se realmente esse projeto é viável, sem impor nada. Os outros candidatos que têm aí, como o José Mário Schreiner e o Adriano Rocha Lima, e podem surgir outros, são pessoas capacitadas e qualificadas para ser vice-governador. Eu também acho que tenho essa capacidade.
Eu comecei a minha vida empresarial cuidando de uma chácara lá em Palmeiras de Goiás. Eu comecei lá e vendia aquela mexerica, que era o sucesso da cidade. Depois comprei uma frutaria, depois fui ser bancário. Fiquei 11 anos como bancário, fui gerente bancário. Depois eu saí para cuidar da minha vida. Montei uma transportadora, montei um estúdio de autopeças. A minha vida empresarial, graças a Deus, começou do zero, sozinho, e deu uma prosperidade pequena, mas tive. Hoje eu tenho indústria de calcário, são cinco indústrias de calcário. Eu vivo do agro, eu sou do agro, porque para quem o meu produto vende? Para o agricultor.

Na política, eu fui senador e sou muito amigo do Daniel Vilela. Quando eu fui deputado estadual, o Daniel foi meu líder. Foi naquela época em que o Marconi mandava tudo. Eu ganhei pelo PMDB e eu era a oposição. E o que a oposição faz? Faz oposição ao governo. O Daniel foi meu líder. Eu lembro que, quando eu ganhei, falavam que ninguém me conhecia, que eu tinha saído do nada e ganhado a eleição para deputado. Falavam assim: “O Luiz do Carmo vai mudar no outro dia”. Foram oito anos na oposição. Então, na política, a gente precisa ter lado.Parte superior do formulário
Ton Paulo – O senhor segue no Podemos, mas há a possibilidade de mudar de partido, indo para o PL, por exemplo?
O Podemos hoje é um partido que tem prefeito, deputado federal, deputado estadual e vereadores. Aqui em Goiás, o Podemos é um partido que vai fazer uma chapa forte. Deve eleger, no mínimo, dois deputados federais e, no mínimo, três estaduais. É um partido médio, do qual eu tenho o prazer de fazer parte.
É lógico que eles falam: “O senhor vai para o PL fazer uma composição lá?”. Mas isso não tem nada definido. Não há nada definido. Existe conversa, existe composição, mas eu sou do Podemos e defendo o Podemos.
Ton Paulo – Mas existe esse diálogo com o PL?
Existiu essa conversa, porque quando eu fui senador eu defendi demais o Bolsonaro. Eu cheguei a apresentar, sozinho, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Eu dizia que ele queria mandar no Poder Executivo. Entreguei isso ao Bolsonaro e, a partir daí, construí uma amizade muito grande com ele.
Eu ia sair candidato a deputado, mas o Bolsonaro pediu para eu sair a senador. Só que havia uma condição: eu teria que apoiar o Major Vitor Hugo para o governo de Goiás. Como eu ia largar o meu grupo, com o Caiado? Não tinha jeito. Então eu preferi não ser candidato ao Senado.
João Paulo Alexandre – O senhor representa um segmento muito importante, principalmente hoje, na atual conjuntura política, que é o segmento evangélico. Qual a importância, se o nome for confirmado, de ser um representante como vice-governador desse segmento?
Meu irmão é o bispo José do Carmo. Para ser crente naquela época, em 1970, quando existiam poucos evangélicos, não era fácil. Eu passei em 1968. Só que eu não tinha o dom de ser pastor, ele tem o dom de ser pastor. Mesmo assim, eu defendo essa bandeira, defendo realmente.
É lógico que eu serei um representante desse segmento, mas também dos empresários, dos quais eu faço parte. Vou representar o agro e a indústria, setores aos quais pertenço. Acho que, nesse caso, eu completo essa composição e isso deixa bem claro que eu não sou pastor. Meu irmão é bispo, muito respeitado. Tenho outro irmão que é prefeito. Então, na família, existe essa oportunidade de representação.
O Podemos hoje é um partido que tem prefeito, deputado federal, deputado estadual e vereadores. Aqui em Goiás, o Podemos é um partido que vai fazer uma chapa forte. Deve eleger, no mínimo, dois deputados federais e, no mínimo, três estaduais
Mas é muito importante entender que hoje o segmento evangélico é forte. Não posso dizer que sou o representante de todo o segmento, qualquer segmento pode indicar representantes, na minha visão. No entanto, nós conseguimos nos unir com mais facilidade. Temos cultos na terça, na quinta, no sábado e no domingo. Depois, as pessoas se reúnem em outros momentos, como no churrasco do irmão, em encontros familiares. Quem reúne essa massa de gente? O Evangelho. Só ele.
Agora, é importante deixar claro que sou contra usar a igreja como palanque. Não é para tratar disso dentro da igreja. Mas nós somos eleitores, nós somos cidadãos. Tenho o maior prazer em dizer que sou do segmento evangélico, mesmo não sendo pastor. Nós somos evangélicos e não foi algo recente. Não entrei ontem, nem agora. Só para vocês terem uma ideia, quando eu passei para a Assembleia de Deus, tinha que usar chapéu, não podia ver televisão e não podia beber Coca-Cola.
Estou dizendo o seguinte: eu sou do agro, vendo para o agro. Eu tenho transportadora, vivo disso e também pertenço ao segmento evangélico. Os outros nomes cotados para vice também têm virtudes e defeitos. Eu tenho defeitos, tenho muitos defeitos. No momento certo, eu acho que o Caiado, que é o homem que realmente vai lidar com essa decisão, é quem conduzirá esse processo. Hoje, o Caiado tem mais de 80% de aprovação e é um líder natural. O Caiado, juntamente com o Daniel e com os partidos, é quem vai escolher o melhor nome.
Ton Paulo – Como você avalia essa possibilidade de uma composição do MDB com o PL aqui em Goiás? O Wilder insiste que deve ser o candidato. O senhor acha que isso é uma possibilidade real? Seria o melhor caminho?
Eu acho que é real e é o melhor caminho, porque seria um candidato a menos na disputa pelo governo. Com quem o Daniel vai disputar? Vai disputar com o Marconi, alguém do PT e mais alguém que ainda vai surgir. Então tirar um candidato da disputa é muito importante.
Inclusive, se o Marconi puder sair da campanha, melhor ainda, na minha visão.

Eu acho que o governo está trabalhando certo. Não sei se o PL tem esse interesse. O Gayer tem, mas em partido tudo precisa ser conversado.
Ton Paulo – Wilder tem força para manter a pré-candidatura e transformá-la em uma candidatura?
Ele representa o partido. É o presidente do partido em Goiás e tem uma força grande. Se não fosse assim, essa composição já teria sido feita. Então tem alguém lá segurando isso, e eu penso que é o Wilder.
Ele pode, sim, ser candidato, porque tem o partido nas mãos, tem recursos e é senador da República. Ninguém pode tirar esse mérito dele de querer ser candidato. Agora, pensando em uma composição para vencer o governo do Estado, o ideal seria ele se unir com a gente. A estratégia é importante, mas também não se pode desprezá-lo.
Cilas Gontijo – O segmento evangélico tem um grande peso em Goiás. Conforme o IBGE, essa população corresponde a mais de 30% no estado. É um eleitorado que pode definir a eleição?
Quero deixar bem claro que eu não me tornei evangélico para ser político. Depois de muitos anos como evangélico é que me tornei deputado estadual. É uma força muito grande, é muita gente. Lógico que não vai votar todo mundo, mas pode, sim, impactar uma eleição.
Ton Paulo – Depois de muita especulação, foi enviada à Justiça Eleitoral a formalização da federação União Brasil e PP. Inclusive, o governador Ronaldo Caiado está pleiteando ser o nome da federação. Tudo aponta que ele deve ser o escolhido, mas na política a gente sabe que tudo pode mudar. Na avaliação do senhor, existe a possibilidade de o governador sair do União Brasil e ir para outro partido? O próprio Glaustin nos disse que deixou o Podemos aberto para ele, caso quisesse.
Acho que o melhor candidato para o Brasil chama-se Ronaldo Caiado. Ele tem mais de 40 anos de política. Pegou o Estado em uma situação difícil e colocou Goiás no caminho certo. Eu fui vítima daquele Estado violento de anos atrás. Há 12 anos, mataram uma filha minha. Não foi só a minha filha, ela foi uma vítima, mas aquilo era quase normal naquela época, com assaltos constantes. Eu fui vítima desse cenário.
É muito importante entender que hoje o segmento evangélico é forte. Não posso dizer que sou o representante de todo o segmento, qualquer segmento pode indicar representantes, na minha visão. No entanto, nós conseguimos nos unir com mais facilidade
Chegou o Caiado e tudo mudou. Ele consertou as finanças do Estado de Goiás, melhorou a segurança e a saúde. Então, o Caiado tem bagagem para ser presidente da República. Se eu fosse presidente do partido União Brasil ou do PP, não teria dúvida. O Caiado seria o nosso candidato e ponto final.
A composição federal é mais difícil, eu concordo. Tem o Nordeste, que tem interesses próprios, tem São Paulo, que também tem interesses. Infelizmente, nós de Goiás representamos cerca de 3% dos votos. Mesmo assim, o político mais capacitado que temos chama-se Ronaldo Caiado.
Ton Paulo – O senhor acha que foi uma boa escolha do presidente Jair Bolsonaro escolher o Flávio como representante do bolsonarismo para as eleições presidenciais deste ano?
Existe muita crítica em relação a essa escolha.
O bolsonarismo ainda existe. Caiu muito, mas existe. A figura forte do bolsonarismo é o próprio Bolsonaro. O Flávio, eu fui senador com ele. É uma pessoa que dialoga, mais moderada. Mas será que ele tem o mesmo apelo político que o pai tem? Eu não sei. O pai dele é um presidente diferenciado, um político que realmente conquistou a população.

Eu acho que o Brasil precisa mudar. Do jeito que está, não pode continuar. Eu sou empresário e sei que existe receita e despesa. A despesa não pode ser maior que a receita. No próximo ano, devemos ter problema de caixa no Brasil.
Ton Paulo – O senhor acha que o Flávio Bolsonaro mantém a candidatura dele ou pode recuar para dar espaço ao Tarcísio?
O ego das pessoas é muito grande. Existe todo um entorno bolsonarista conversando, articulando. Para nós, o candidato único é o Caiado. Um homem com mais de setenta anos, que já fez de tudo na vida e nunca se soube de nenhum envolvimento dele em escândalos.
No caso do Flávio, vejo muito mais uma questão de vaidade pessoal. Eu acho que ele não tem a capacidade de unir os partidos ao redor dele. É o que eu penso, embora ele possa ter mudado.
Fui senador com ele e, na minha avaliação, ainda teria de mudar muito. Só para você ter uma ideia, eu tenho o telefone dele. Quando ele veio a Goiás, eu disse que queria falar com ele e não obtive resposta. O Congresso é um poder muito complexo. De madrugada tem reunião, às dez da noite tem reunião. É um ambiente difícil. Por isso que eu acho que o presidente da República deveria ser o Caiado.
João Paulo Alexandre – Mas o Caiado tem defendido um pouco essa pulverização de candidaturas, pelo menos no primeiro turno, para que, caso vá para o segundo turno, haja união em torno de um único nome. É uma estratégia que você acha que pode dar certo?
Eu acho que quem perde com isso é o Flávio e os outros candidatos, porque o Caiado tem discurso. O Caiado sabe falar. Se a pessoa quiser falar de segurança pública em um debate, ele tem argumento. Se o tema for saúde ou educação, ele também tem conteúdo. Se o Caiado não efetivar a candidatura dele, quem vai perder é o Flávio e quem for o candidato da direita.
Mas a estratégia está correta. Se houver apenas um candidato contra o Lula no primeiro turno, eu acho que perde na hora. Nós não podemos desprezar o Lula. Eu não gosto da esquerda, mas não podemos subestimá-lo. Ele tem algo que ainda não conseguimos identificar claramente. Com o Caiado sendo candidato, a direita sai ganhando.
João Paulo Alexandre – Recentemente recebemos aqui o prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, que é do PL. Uma das falas dele foi sobre a falta de diálogo, principalmente dentro do PL estadual. Pelo que a gente nota, isso também se reflete no cenário nacional. Essa falta de diálogo, de certa forma, atrapalha o projeto da direita?
Atrapalha demais. O presidente não pode ir sozinho, ele precisa de um grupo. Quem é o PL em Goiás hoje? É o Gayer, o Fred, o Wilder. Parece que eles não ouvem os deputados estaduais, e isso não pode acontecer.
Antigamente, a gente sentava à mesa, discutia, quase saía no tapa, mas ninguém rompia o diálogo. O presidente do partido não mandava sozinho. Hoje, onde o partido tem diretório municipal de fato? Na maioria dos lugares, são diretórios provisórios. Se eu fosse presidente de partido, a primeira preocupação seria abrir diretórios em todos os municípios.
Acho que o melhor candidato para o Brasil chama-se Ronaldo Caiado. Ele tem mais de 40 anos de política. Pegou o Estado em uma situação difícil e colocou Goiás no caminho certo
O PL já foi um grande partido e cresceu muito com o Bolsonaro, ajudando a construir essa estrutura. O Bolsonaro me avisou muitas vezes lá atrás que talvez fosse para o PL. Eu poderia ter ido para o PL, ele me avisou. Mas permaneci onde estava, como senador da República.
Cilas Gontijo – O senhor foi visto tirando uma foto com os deputados Issy Quinan, Veter Martins, Cairo Salim e Henrique César. Esses quatro deputados têm grande representatividade no segmento evangélico e em Aparecida de Goiânia. Alguns deles, até pouco tempo, declaravam apoio ao nome de José Mário Schreiner. A foto simbolizou uma declaração de apoio ao senhor? Qual a importância dela?
Eu fiquei muito feliz. Eles me chamaram na Assembleia e declararam apoio, e ainda existem mais quatro deputados que também querem me apoiar. Aquela foto teve um impacto muito grande na minha campanha para ser indicado a vice.

Mas o que também mudou esse cenário foi o apoio do Paulo do Vale e do filho dele. Uma foto fala mais do que muita coisa. Além desses deputados, há também prefeitos me apoiando.
Ton Paulo – Existe, de fato, uma tendência do eleitorado evangélico de votar em candidatos autodeclarados de direita. Qual será o diferencial de Daniel Vilela para atrair esses eleitores?
Ele é um nome da direita, e eu vou agregar a isso. Qual foi o parlamentar que pediu o impeachment do Alexandre de Moraes? Fui eu. Eu agrego muito dentro da direita. Sou da direita e sou do agro. O agro também é da direita, e eu vou trazer esse voto.
Eu estava no meu canto, tranquilo, e nem pensava em voltar para a política. As pessoas ainda me chamam de senador, nem de ex-senador. E por que eu trocaria um cargo de senador por deputado federal? A chance é zero. Para vice-governador é diferente. Eu só disputo dois cargos: governador ou vice-governador. Mas é preciso ter juízo.
João Paulo Alexandre – O que pesou para que o senhor pleiteasse a vice de Daniel Vilela?
Eu penso o seguinte: vice é uma pessoa de confiança. Quando mataram a minha filha, o Daniel foi o primeiro a ir à minha casa me apoiar. Minha esposa tem uma doença no lobo frontal há 12 anos, desde a morte da nossa filha, e hoje precisa de cuidadora. O Daniel foi à minha casa me visitar.
Quando o Caiado se candidatou, eu era suplente dele. Naquela época, o Daniel concorreu contra o Caiado, mas mesmo assim me procurou e disse que eu estava liberado para trabalhar para o Caiado, porque, se o Caiado ganhasse, eu me tornaria senador.
Minha proximidade com o Daniel é muito grande.Parte superior do formulário
Ton Paulo – O bispo Oídes está participando das articulações?
O bispo Oídes é pastor, e nós estamos tratando do âmbito político. Quem tem me ajudado muito é o Glaustin e também o Gustavo Mendanha, que é um grande candidato ao Senado Federal e está realmente trabalhando.
É lógico que é o Caiado quem vai decidir o nome da vice. Ele tem competência moral para isso e não é alguém que imponha algo impossível.
Ton Paulo – Como o senhor avalia o nome da primeira-dama Gracinha Caiado para o Senado Federal?
A Gracinha construiu o próprio nome. No Goiás Social, por onde você passa, o nome dela é reconhecido. Ela trabalhou muito na área social e, enquanto esteve à frente do programa, ia até as comunidades calungas para prestar apoio.
A Gracinha mereceu esse reconhecimento. Ela merece ser candidata ao Senado e merece vencer, pela primeira-dama que foi e por tudo o que realizou. Ela ajudou muito o Caiado e consolidou o trabalho dele. Por isso, a Gracinha merece ser senadora.
João Paulo Alexandre – O senhor já disse que não concorda com o uso da igreja como palanque político. No entanto, isso acontece com frequência. Na sua vivência e experiência, até que ponto isso pode ser prejudicial para quem busca a igreja como um espaço de reconexão da fé, mas acaba sendo constantemente exposto a questões políticas?
Quem faz isso está errado. A igreja é um lugar para cultuar a Deus, para estarmos reunidos em fé. Eu sou pré-candidato, todos vão ficar sabendo disso naturalmente, então não é preciso fazer discurso político dentro da igreja.
Quando mataram a minha filha, o Daniel foi o primeiro a ir à minha casa me apoiar. Minha esposa tem uma doença no lobo frontal há 12 anos, desde a morte da nossa filha, e hoje precisa de cuidadora. O Daniel foi à minha casa me visitar
Existem outros espaços para isso. Tem casa, tem salão, nós temos facilidade para apresentar uma pessoa. Apresentar, tudo bem. Agora, dizer que tem que votar em alguém, isso não existe. É normal conversar, mas não usar a fé para isso.
Ton Paulo – Como o senhor avalia a gestão do presidente Lula?
O Lula é um político que precisa ser estudado. Ele mente e está afundando o Brasil. Está gastando dinheiro de forma absurda e não apresenta um norte claro. Qual é o norte dele, além do programa Minha Casa, Minha Vida? Esse mérito eu até reconheço.
Mas, no geral, o Lula e o PT estão fazendo um mal muito grande ao Brasil.

Ton Paulo – Um dos pontos mais destacados por Caiado são os avanços de Goiás na segurança pública, justamente o ponto fraco do governo Lula. Se for candidato e eleito, o Caiado conseguiria projetar nacionalmente e implementar esses avanços no país?
Consegue, sim. O Estado é forte. Dá para contratar mais dez mil, quinze mil policiais, construir presídios e estruturar o sistema. O Estado tem condições de dar conta disso. O Estado precisa assumir essa responsabilidade.
João Paulo Alexandre – Quando falamos de segurança pública em nível nacional, estamos tratando de um país com grande extensão territorial e realidades muito diferentes. A violência é mais intensa em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que têm dimensões geográficas distintas. Como o Caiado poderia alcançar lá o mesmo êxito que teve em Goiás?
A Bahia é hoje um dos estados mais violentos, depois vem Pernambuco. Os estados do Nordeste enfrentam uma violência absurda. É preciso encontrar uma solução. Primeiro, acabar com a milícia, porque milícia surge dentro da própria polícia. Não adianta combater o crime e deixar a milícia agir. Depois, enfrentar o tráfico.
Mas tem jeito. É preciso colocar gente lá para ajudar as pessoas, investir em presença do Estado, levar as crianças para a escola e educar. Começa pelas crianças e pelos adolescentes. Não é fácil, porque as condições onde essas pessoas vivem são muito difíceis, mas tem solução. É preciso pensar e agir.
Ton Paulo – Existe algum encontro ou alguma agenda planejada do senhor com o Daniel ou com o Caiado para tratar da questão da vice, ou a conversa ainda está apenas no campo do diálogo?
Eu converso muito com o Daniel e também com o Caiado. Mas esse tema, quando entra em pauta, é realmente complicado. Como definir isso faltando ainda tantos meses para a eleição? Está muito cedo, muito cedo mesmo. O José Mário antecipou esse debate e, além disso, pode até surgir outro candidato nesse meio tempo.
O que eu sei é que se eu for vice, eu saberei o que fazer no governo. E eu vou respeitar a hierarquia do cargo. Se o Daniel sair candidato a senador, eu assumir por nove meses e o Caiado quiser voltar para o Estado de Goiás, não vou concorrer com ele. Eu tenho juízo.

