A Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Goiás divulgou nota pública em apoio às famílias dos assentamentos São Carlos, Bom Sucesso, Buriti Queimado e União dos Buritis, posicionando-se contrária a qualquer medida que comprometa o funcionamento da Escola Municipal Rural Olímpya Angélica de Lima, no município de Goiás. Já a prefeitura justifica a decisão baseando-se em um relatório da Secretária Municipal de Educação, que identificou déficit de estudantes nas unidades (veja a nota ao final).

No documento, a CPT afirma que se soma às vozes da comunidade na defesa da manutenção da unidade escolar, reconhecendo a escola como essencial para a garantia do direito à educação e à segurança das crianças e adolescentes atendidos. A pastoral destaca ainda a importância da proximidade entre escola e famílias, fator que permite o acompanhamento cotidiano da vida escolar e se articula com a dinâmica de trabalho das comunidades camponesas.

Segundo a entidade, a escola rural ultrapassa o papel estritamente pedagógico e se consolida como espaço fundamental de integração comunitária. “Trata-se de um local de convivência, formação, lazer e promoção da saúde integral”, afirma a nota, ressaltando que essas funções são centrais para a vida no campo.

A CPT também contextualiza o debate local dentro de um cenário mais amplo. A entidade participa do Comitê em Defesa da Educação no Campo, que tem mobilizado diversas instituições contra políticas de fechamento de escolas rurais no estado de Goiás, bem como contra a implantação de modelos educacionais considerados excludentes, como aulas virtuais em comunidades quilombolas e unidades de ensino tecnicistas voltadas exclusivamente ao agronegócio.

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Escola na zona rural de Goiás | Foto: Arquivo

No texto, a pastoral critica iniciativas que, segundo avalia, desconsideram a agricultura familiar camponesa e contribuem para o afastamento da juventude do campo. “São políticas que não valorizam quem produz alimentos e sustenta o país”, aponta a CPT.

A nota também relembra ações concretas desenvolvidas junto à escola. Em 2025, a CPT apoiou e participou da construção comunitária de uma estufa para produção de alimentos na Escola Olímpya Angélica de Lima, iniciativa voltada à integração entre saberes tradicionais, agroecologia e práticas escolares. A entidade manifesta o desejo de dar continuidade a essas ações em 2026 e nos anos seguintes, em parceria com a comunidade escolar.

Ao final, a CPT reafirma que a Educação no Campo é um direito fundamental e parte de um conjunto mais amplo de políticas necessárias para garantir o bem-viver das populações camponesas. A pastoral destaca a interdependência entre campo e cidade e defende uma educação que considere dimensões humanas, culturais, sociais e socioambientais. “Reafirmamos o desejo de construir pontes, tendo como ponto de partida a vida e o direito de viver”, conclui a nota.

O que diz a prefeitura de Goiás

A Prefeitura Municipal de Goiás vem esclarecer sobre mudanças na rede pública de ensino, incluindo a Escola Olimpya Angélica de Lima, no Assentamento São Carlos.

Após criteriosa avaliação, a Secretária Municipal de Educação identificou déficit de estudantes tanto na Escola Olimpya, quanto na Escola Pingo de Gente, no Distrito de Colônia de Uvá, que fica a 12 quilômetros do Assentamento São Carlos.

A partir destas informações foram iniciadas conversas entre a equipe pedagógica da secretaria, e também com a comunidade, para estudar medidas de adequação da rede, com base em dados concretos e levando em conta a qualidade do ensino e os possíveis impactos para os estudantes.

Após este diálogo, a Prefeitura definiu que não haverá fechamento da escola Olimpya Angélica de Lima, e o reordenamento de turmas está sendo discutida com a comunidade escolar.

A Prefeitura reafirma seu compromisso com uma educação pública universal e de qualidade

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