Após participação no III Seminário Internacional Gestão para a Aprendizagem, realizado em Sevilha, na Espanha, em janeiro, a secretária Municipal de Educação de Goiânia, Giselle Faria, reforçou o plano para ampliação do uso de inteligência artificial (IA) nas unidades do município. O foco é na personalização do ensino, no reforço da aprendizagem e na redução das desigualdades educacionais.

Durante o evento, que reuniu gestores educacionais de diferentes países, ela contou ao Jornal Opção que a delegação brasileira discutiu como as políticas públicas podem se adaptar às mudanças de paradigma enfrentadas pela educação. O debate ocorre em um cenário marcado por transformações tecnológicas. Também pesa a queda nas taxas de natalidade em diversos países. Soma-se a isso o avanço acelerado da inteligência artificial.

Segundo a secretaria, a IA é uma realidade irreversível no cotidiano dos estudantes e precisa ser mediada pela escola para que contribua efetivamente com a aprendizagem. “A inteligência artificial pode trazer muitos ganhos, mas também riscos, se não houver planejamento e estrutura adequados. Por isso, o papel da escola é fundamental nessa mediação”, destacou Faria.

A secretária avalia que um dos principais usos previstos para a tecnologia seria no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem em matemática. Ela avalia que a disciplina, construída de forma progressiva, exige domínio de conteúdos básicos que, quando não consolidados, geram lacunas que se acumulam ao longo dos anos. Com o apoio da inteligência artificial, será possível identificar essas dificuldades individualmente e oferecer intervenções personalizadas.

Anteriormente, a rede municipal iniciou a aquisição de 1.475 lousas digitais com inteligência artificial integrada. A partir do 3º ano do ensino fundamental, todas as salas de aula passarão a contar com o equipamento. As lousas estarão conectadas a tablets, que serão utilizados pelos alunos em atividades interativas. As respostas fornecidas pelos estudantes permitirão que a tecnologia identifique dificuldades específicas e gere dados em tempo real para os professores.

“Mesmo um professor experiente encontra limitações para atender individualmente 20 ou 30 alunos em sala. A inteligência artificial pode auxiliar nesse processo, apontando onde cada estudante precisa de reforço”, avalia a secretária

Além da matemática, a tecnologia também deve ampliar o acesso ao conhecimento em conteúdos que não fazem parte da realidade imediata dos alunos, especialmente daqueles em situação de vulnerabilidade social. Recursos visuais, ambientes virtuais em 3D e vídeos interativos podem facilitar a compreensão de temas como história, geografia e ciências, tornando as aulas mais atrativas e reduzindo a evasão escolar.

Outro eixo destacado é o uso da IA na avaliação da aprendizagem. Ferramentas já utilizadas, como a avaliação de fluência leitora, permitem resultados rápidos e ampliam a responsabilização de escolas, professores e gestores. A secretaria afirma que os dados gerados pelas tecnologias garantem maior transparência e permitem decisões mais precisas na gestão educacional.

Para implementar o novo modelo, a SME prevê a aquisição de mais computadores para professores e a realização de formações específicas para o uso das lousas digitais, tablets e recursos de inteligência artificial.

Além da tecnologia, Faria conta que a viagem à Espanha também trouxe referências em outras áreas, como o atendimento a estudantes da educação inclusiva e a integração de alunos imigrantes. A secretaria também vai estudar a adoção de práticas observadas nas escolas espanholas.

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