O Jornal Opção sempre diz a mesma coisa: o senador e empresário Wilder Morais (PL) tem o direito — vive-se numa democracia plena — de disputar o governo de Goiás, daqui a sete meses e alguns dias.

Wilder Morais segue a surrada máxima de que político tem de disputar eleição com frequência — para manter o nome em evidência, mesmo quando, no seu caso, tenha mandato para cumprir até 2030. Porque senador tem mandato de oito anos.

O que se questiona não é, portanto, o direito de Wilder Morais concorrer ao governo. O que se está discutindo é outra coisa: pode um político investir tão-somente em seu projeto pessoal e excluir o projeto do partido e dos outros integrantes do grupo? Pode o presidente de um partido, só por ser presidente, contribuir para levar à derrota o candidato a senador, no caso o deputado federal Gustavo Gayer, exclusivamente por pirraça e falta de vontade de pensar coletivamente?

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Daniel Vilela: o preferido dos prefeitos do PL para governador | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Nas pesquisas de intenção de voto, Wilder Morais aparece bem atrás — perdendo para Daniel Vilela (MDB), o líder, e Marconi Perillo (PSDB), o segundo colocado. Há a possibilidade de o candidato do PT — Edward Madureira, Luis Cesar Bueno, Cláudio Curado ou Valério Luiz Filho — superar o presidente do PL.

Não se está dizendo que Wilder Morais é um pré-candidato ruim e muito menos que não pode ou não deve disputar. O que se está sublinhando é que nenhum político pode ser candidato contra a vontade da maioria do partido. Ainda assim, se disputar, caminhará sozinho — como candidato de si mesmo.

Ou melhor, Wilder Morais conta com o apoio de Welinton Fernandes Rodrigues (Nenzão, que já foi preso pela Polícia Civil), Lissauer Vieira (o primeiro produtor rural red de Goiás, pois liderou o Partido Socialista Brasileiro, PSB, por um bom tempo) e o prefeito de Buriti Alegre, Garibaldo Neto (jovem dinâmico e bem-intencionado).

Se dependesse meramente de Wilder Morais, o deputado federal Professor Alcides Ribeiro — que Michelle Bolsonaro não aceita no PL, por motivos que todos sabem — continuará no PL.

Lula da Silva e Edward Madureira: um palanque petista em Goiás | Foto: Divulgação

Mas não há nenhum prefeito do PL, excetuando o citado, que apoia o projeto camicase de Wilder Morais. Não há nenhum deputado federal que veste o figurino suicida do senador. Mais: o líder — afinal, líder de quem? — não apresentou, até agora, o nome de um candidato a deputado federal de seu grupo que tenha consistência eleitoral.

Fica o desafio: quem, do grupo de Wilder Morais, tem condições de ser eleito deputado federal? Não há nenhum, ao menos até agora. Os deputados federais Gustavo Gayer, Magda Mofatto e Daniel Agrobom — os dois últimos do PL — apoiam o vice-governador Daniel Vilela para governador.

O que quer o PL e o que quer Wilder Morais — a rigor, um empresário multimilionário, com negócios privados comprovadamente decentes?

Wilder Morais quer brincar de “carrinho” com o PL e opera como se fosse o dono da bola? Não se sabe. Mas o verdadeiro líder precisa ouvir seus liderados. Até porque, se não ouve ou se não tem liderados, pode até ser presidente de um partido político, mas não chega a ser líder.

Marconi Perillo: pré-candidato a governador pelo PSDB | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Porque ser líder é muito mais do que exercer uma função burocrática. É ser aceito, de maneira ampla, por seus liderados — o que, neste momento, não é o caso.

Fica-se com a impressão — e espera-se que seja mera impressão — de que, quem sabe inconscientemente, Wilder Morais está jogando contra o PL. Talvez porque considere que, se deixar o partido enfraquecido, vai permanecer na sua liderança. O Jornal Opção prefere operar no campo da dúvida, por isso usa “quem sabe” e “talvez”.

Gayer, Vanderlan e evangélicos

O projeto verdadeiro e realista do PL — o dos deputados e prefeitos — não é ter um candidato a governador fraco, que puxe seus candidatos para baixo, e sim eleger um senador, Gustavo Gayer, e bancadas fortes de deputados federais e estaduais.

Não há dúvida de que Gustavo Gayer é um candidato forte — tanto que, nas pesquisas de intenção de voto, aparece em segundo lugar, atrás apenas de Gracinha Caiado, a pré-candidata a senadora pelo União Brasil. Ele supera o senador Vanderlan Cardoso, do PSD.

Vanderlan Cardoso: senador está no jogo e não pode ser subestimado | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Porém, se Wilder Morais for candidato a governador, sobretudo se não robustecer sua musculatura eleitoral, pode puxar Gustavo Gayer para baixo.

Noutras palavras, uma candidatura fraca de Wilder Morais, sem apoio em todo o Estado — porque os prefeitos caminharão, qualquer que seja a decisão do senador, com o postulante do MDB —, poderá contribuir para uma derrota de Gustavo Gayer, que, repetindo, é forte, mas ficará ainda mais forte se estiver na chapa de Daniel Vilela e Gracinha Caiado.

A estrutura político-eleitoral constituída pelo governador Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gracinha Caiado em todo o Estado é uma máquina poderosa, quiçá invencível. Pode ajudar Gustavo Gayer, como aliado, mas pode destruí-lo, eleitoralmente, se estiver com Wilder Morais.

O que se está dizendo, com todas as letras — até soletrando e desenhando —, é que um candidato fraco (e sem apoio), Wilder Morais, pode contribuir para derrotar um candidato forte, Gustavo Gayer.

Fred Rodrigues: sem a base governista, perdeu a Prefeitura de Goiânia | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Vale o registro da eleição de 2024. O candidato a prefeito de Goiânia pelo PL, Fred Rodrigues, ganhou de Sandro Mabel no primeiro turno, mas perdeu no segundo turno. O que fez a diferença foi o desempenho da máquina político-eleitoral operada por Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gracinha Caiado. O mesmo pode se repetir em 2026, no dia 4 de outubro.

Na eleição de 2018, Jorge Kajuru era cotado para ser mais votado para senador, mas acabou ficando em segundo lugar, atrás de Vanderlan Cardoso. A máquina eleitoral dos evangélicos pode ter feito a diferença.

Então, na disputa de 2026, não se deve subestimar Vanderlan Cardoso. No momento, é o terceiro colocado, com Gustavo Mendanha, outro evangélico de peso, na sua cola.

Porém, se Gustavo Gayer optar por compor com Wilder Morais — missão tida como impossível —, e se Vanderlan Cardoso disputar como segundo candidato da base governista, o deputado do PL poderá acabar ficando sem mandato, que é exatamente o que querem seus inimigos (ou adversários) políticos e até os mui amigos.

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Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro querem uma direita forte no Senado | Foto: Reprodução

Gustavo Gayer, se ficar na base governista, ao lado de Daniel Vilela e Gracinha Caiado, pode absorver parte do voto evangélico. Porém, se ficar fora da aliança, poderá, quem sabe, ser superado por Vanderlan Cardoso, que não é nenhuma “galinha morta”, ao contrário do que dizem alguns deputados. É um “galo índio” bem fornido, sobretudo se vitaminado pelos evangélicos.

Há uma questão factual que precisa ser, mais uma vez, abordada. O ex-presidente Jair Bolsonaro — escaldado com as derrotas dos candidatos a prefeito do PL em Goiânia (Fred Rodrigues) e Aparecida de Goiânia (Professor Alcides) — prefere ter um senador garantido, Gustavo Gayer, a ter dois derrotados (Wilder Morais e Gustavo Gayer).

Assim como Jair Bolsonaro, o pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, quer um Senado forte — até para enfrentamentos com o Supremo Tribunal Federal. Por isso, os Bolsonaros, no lugar de apoiar Wilder Morais, certamente vão optar por uma chapa com Daniel Vilela para governador e Gustavo Gayer para senador. É puro racionalismo e pragmatismo.

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Lula da Silva é o adversário da direita | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Há, porém, o alquebrado sofisma dos néscios: “Flávio Bolsonaro precisa de um palanque em Goiás”. Ora, se Wilder Morais não consegue montar um palanque para si — nem mesmo para ser candidato —, por falta de lideranças e liderados, como construirá um para o candidato do PL a presidente?

Palanque só é efetivo se reunir lideranças e liderados, ou seja, tudo o que Wilder Morais não tem no interior de Goiás e muito menos na capital. Nenzão garante palanque em Campinaçu? Nem ele acredita nisto. Lissauer Vieira garante palanque em Rio Verde? Como, se não conseguiu erguer palanque nem para si na disputa da Prefeitura de Rio Verde em 2024, quando perdeu para um jovem, Wellington Carrijo, que não havia disputado eleição nem para síndico de edifício.

Independentemente de apoio de Wilder Morais, Flávio Bolsonaro aparece bem nas pesquisas de intenção de voto em Goiás, atrás apenas de Ronaldo Caiado, mas à frente do presidente Lula da Silva, do PT. O senador pode até atrapalhá-lo, sobretudo se fizer uma campanha hostil ao governador Ronaldo Caiado.

A disputa presidencial deste ano deve ser decidida no segundo turno. Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado poderão ir para o segundo turno. Assim, um vai precisar do outro. Wilder Morais, se entrar no jogo, pode ser um dos agentes da derrota tanto de Gustavo Gayer quanto de Flávio Bolsonaro. Não custa lembrar que, em 2022, Lula da Silva ganhou de Jair Bolsonaro por pouco mais de 2 milhões de votos. Goiás tem poucos eleitores? São 5,1 milhões. Eles podem fazer a diferença — muita diferença — contra o postulante do PT.