Crise no agro em Goiás mistura queda de preços, mudanças climáticas e crédito caro
11 março 2026 às 14h13

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O Brasil registrou recorde nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio, o aumento em comparação com 2024 foi de 56% e atingiu 1.990 solicitações. Goiás foi o segundo estado com mais pedidos registrados sendo 296 no estado ficando atrás apenas de Mato Grosso, que teve 332 pedidos.
Em seguida, vem os estados do Paraná (248), Mato Grosso do Sul (216) e Minas Gerais (196). Já no recorte de modalidade de negócio, os produtores cadastrados como pessoa física lideram os pedidos no país sendo 853, depois vem os registrados como pessoa jurídica alcançando 753 soliticação e, por fim, empresas da cadeia do agronegócio marcaram 384 recuperações judiciais.
Motivos para situação de Goiás
Para compreender melhor a quantidade de pedidos de recuperação judicial do agro em Goiás e razão deste panorama, o Jornal Opção conversou com Edson Novaes, gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG). Ele afirma que os produtores rurais do Brasil inteiro estão em uma situação muito difícil por conta de vários fatores, dentre eles, a queda de preço das principais commodities (soja, milho, boi, cana), a manuntenção dos altos custos de produção e os problemas climáticos que impactaram o rendimento nas últimas três safras.
Edson ainda fala de medidas tomadas pelo Governo Federal no ano passado:
“O ano passado nós tivemos uma medida geral que foi promovida pelo Governo Fedeal com base na medida provisória 1314, apesar de terem juros elevados, foi uma medida anunciada que muitos produtores conseguiram renegociar, principalmente, com o Banco do Brasil por conta dessa medida”
O Jornal Opção também entrevistou Luciano Hanna, advogado especialista em recuperação judicial. Ele afirmou que a necessidade de solicitar recuperação judicial começa quando os produtores começam a parar de pagar os impostos, depois suspendem os encargos trabalhistas e, por fim, começam a deve fornecedores.
O advogado, ao explicar seu ponto de vista sobre os motivos da alta em pedidos de RJ, afirmou:
“Primeiro, o custo do dinheiro, dinheiro ficou caro. O produtor rural sempre tabalhaou alavancado, Banco do Brasil, depois cooperativas, o Brasil todo se organizou em cooperativas e até insituições privadas. O juro não está barato, em razão disso, um dinheiro ficando caro, eles não conseguiram saldar os compromissos que fizeram lá na ponta com os bancos para poder produzir, lavoura ou compra de gado. O que tornou o negócio não tão lucrativo, quanto estava antes.”
Dicas para produtores rurais
O gerente técnico da Faeg reconhece a legalidade e utilidade da Recuperação Judicial e diz que a decisão de solicitar é de cada produtor, entretanto afirma que recomendação da Federação é que tentem e renegociação das dívidas diretos com o credores e instituições financeira. Como conselho Edson disse:
“Fiquem atentos a questão dos custos, dos preços, dos produtos que comercializam, principalmente no momento da colheita. Que os produtores possam sempre procuram o seu sindicato rual, ou a própria federação de agricultura como auxílio nessa renegociações de dívidas, procurar, primeiramente, a instituição financeira, as empresas que renegociaram para abrir esse canal de diálogo”
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