FMI corta projeção de crescimento do Brasil para 2026 e cita impacto dos juros altos
19 janeiro 2026 às 10h16

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026, na contramão da revisão positiva para a economia global. Segundo o organismo, o principal motivo é a manutenção de uma política monetária restritiva para o controle da inflação.
De acordo com a atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, divulgada nesta segunda-feira, 19, o Brasil foi um dos poucos grandes países a ter suas estimativas revistas para baixo.
Projeções do FMI para o Brasil:
- 2026: crescimento de 1,6%, queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior (1,9%);
- 2025: projeção elevada de 2,4% para 2,5%;
- 2027: aumento de 2,2% para 2,3%.
As projeções anteriores haviam sido divulgadas em outubro. O FMI atribui o desempenho mais fraco em 2026 aos efeitos defasados do aperto monetário. A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, mantida desde agosto de 2025.
Segundo o Fundo, os juros elevados continuam limitando a expansão da atividade econômica no curto prazo, apesar da leve melhora esperada para 2025 e 2027.
Cenário global
Em contraste com o Brasil, o FMI revisou para cima as projeções de crescimento da economia mundial, impulsionadas principalmente pelo avanço dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial (IA).
Projeções globais:
- 2025: crescimento de 3,3%, alta de 0,1 ponto percentual;
- 2026: 3,3%, aumento de 0,2 ponto percentual;
- 2027: 3,2%, sem alteração.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que a economia global mostrou resiliência após as tensões comerciais e tarifárias observadas em 2025.
América Latina
O desempenho projetado para o Brasil também ficou abaixo da média regional. Para a América Latina e o Caribe, o FMI estima crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027. Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem avançar 4,2% em 2026.
Alerta
Apesar do cenário global mais favorável, o FMI alerta que o crescimento está concentrado em poucos países e setores, especialmente os ligados à inteligência artificial. Caso os ganhos de produtividade não se concretizem, o fundo avalia que podem ocorrer ajustes nos mercados financeiros.
Para o Brasil, a recomendação é de cautela. O FMI destaca que o alto custo do crédito segue como o principal entrave ao crescimento econômico.

