O grupo carnavalesco Bloco Socialista anunciou, nesta quinta-feira, 8, as atividades previstas para a 14ª edição do evento, marcada para o dia 12 de fevereiro de 2026, uma quinta-feira que antecede o feriado de Carnaval, na Praça Universitária, em Goiânia. Fundado em 2011 por um grupo de amigos, o bloco cresceu ao longo dos anos e atualmente reúne mais de 3 mil participantes a cada edição, segundo a presidenta do coletivo, Maressa Queiros.

De acordo com Maressa, ao Jornal Opção, o projeto surgiu com o objetivo de criar uma alternativa de folia na capital, em um período em que muitos moradores costumavam viajar para o interior de Goiás durante o Carnaval. Para a edição de 2026, estão previstas apresentações do grupo Mundhumano, que mistura ritmos latinos e africanos, da cantora Flávia Carolina, com repertório de samba e axé, e da escola de samba Lua Lá.

Além da programação musical, a presidenta destaca que o Bloco Socialista se diferencia por ir além da festa, assumindo compromissos de responsabilidade social e ambiental. O coletivo mantém parceria com o programa Lixo Zero, voltada à correta destinação de resíduos durante o evento.

Outra iniciativa é a campanha “Fogo só no rabo”, por meio da qual o bloco comercializa bótons para financiar o plantio de mudas nativas do Cerrado. A meta para este ano é o plantio de 500 mudas em áreas atingidas por queimadas. “Nós temos uma ação coletiva com os participantes do bloco para o plantio dessas mudas. Em 2026, o Bloco Socialista tem como meta plantar 500 mudas nativas do Cerrado, em parceria com os Plantadores de Água, em áreas afetadas pelas queimadas do ano passado”, afirma.

Maressa também ressalta que o bloco atua na promoção de pautas antirracistas e contra o machismo, mantendo parceria com a campanha “Não é Não”, de enfrentamento ao assédio sexual durante o Carnaval. Por questões de segurança, há ainda orientação para que ambulantes não comercializem garrafas de vidro durante o evento.

Em consonância com essa proposta, o bloco busca ser um espaço acolhedor e inclusivo para a comunidade LGBTQIA+ e outros grupos historicamente marginalizados. A estrutura conta com intérpretes de Libras, rampas de acesso e a presença de ouvidorias municipais, que atuam com orientações e recebimento de denúncias.

Por fim, Maressa define o Bloco Socialista como um coletivo de resistência cultural, que busca democratizar o acesso à cultura e ampliar a percepção sobre a diversidade artística de Goiânia. “O Carnaval em Goiânia é muito complexo, porque existe um rótulo forte de que a capital é apenas sertanejo. Mas Goiânia tem uma diversidade muito grande de manifestações culturais”, afirma.

Queremos trabalhar para que todas essas manifestações aconteçam nesse período, que é um momento de festa, e que as pessoas possam vivenciar o Carnaval como um verdadeiro direito à cultura

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