Sabrina Garcez

Por décadas, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) foi sinônimo de um problema que parecia insolúvel. Um organismo pesado, caro, pouco transparente e, em muitos momentos, usado como instrumento de distorções históricas: ineficiência, corporativismo, cabides de emprego, benefícios sem critério e, sobretudo, um modelo que drenava recursos da cidade sem entregar o que o cidadão merece.

Durante muito tempo, a Comurg deixou de ser uma ferramenta de gestão urbana e passou a representar um obstáculo ao desenvolvimento de Goiânia. E é preciso encarar isso com maturidade: não se tratava apenas de desorganização administrativa ou de dificuldades pontuais. A Comurg não era um desafio administrativo. Era um sistema.

Mas Goiânia fez uma escolha. Escolheu um prefeito com coragem para enfrentar o que ninguém teve disposição para encarar.

Mabel assumiu com uma promessa clara: reorganizar a Comurg, cortar desperdícios, enfrentar distorções e devolver racionalidade à gestão pública. Muitos duvidaram. Outros torceram contra. Porque quando um prefeito decide colocar ordem, ele não compra briga com a oposição, ele compra briga com interesses. E por isso houve reação. Houve resistência. Houve ataques.

Por isso, a reestruturação exigia mais que medidas suaves. Exigia comando, decisão e capacidade de suportar o desgaste inevitável. E isso tem nome: liderança.

Os números confirmam que a cidade entrou em um novo ciclo. A própria companhia divulgou que 2025 marcou a maior reestruturação da sua história, com destaque para a maior negociação fiscal já registrada, no valor de R$ 2.610.266.663,74. São dados que demonstram um movimento concreto de reorganização financeira, mitigação de riscos fiscais e retomada de capacidade institucional.

Mas a transformação verdadeira não aparece apenas em balanço: aparece quando se enfrenta o coração do problema. Houve reestruturação do quadro de pessoal e redução do custo da folha em R$ 14 milhões por mês. Isso se reflete no comparativo oficial da folha bruta: R$ 41.274.876,15 em dezembro de 2024 para R$ 27.257.567,35 em dezembro de 2025.

Além disso, a Comurg informa redução de custos operacionais em 2025 de R$ 189 milhões, envolvendo enxugamento, manutenção, locações e terceiros.

Mais importante: o que está sendo feito agora é o oposto de maquiagem. É mudança de estrutura, de cultura e de governança. É enfrentar privilégios indevidos e desmontar vícios que estavam normalizados. É substituir o improviso por método: regimento interno, padronização de procedimentos, fiscalização de contratos,central de operações, monitoramento diário e rastreabilidade operacional.

Isto é: a Comurg saiu do improviso para o método. E quando isso acontece, a empresa deixa de ser um peso e passa a ser instrumento.

Ainda há muito a fazer e reconhecer desafios é parte da responsabilidade. Mas há algo que não pode ser ignorado: Goiânia escolheu um gestor. E Sandro Mabel está mostrando, com firmeza e entrega, que governar não é administrar o presente: é corrigir o passado e preparar o futuro.

E é exatamente isso que a população espera: menos discurso, mais resultado. Menos complacência com o velho modelo, mais coragem para romper com privilégios. Quando uma cidade escolhe gestão, a máquina pública precisa obedecer a um único lado: o lado do cidadão.

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Sabrina Garcez é advogada, especialista em Direito Constitucional e Administrativo, e iniciou sua trajetória no movimento estudantil, onde ajudou a criar o Passe Livre Estudantil. Eleita vereadora por dois mandatos, foi a primeira mulher a presidir a CCJ e relatou projetos como o novo Plano Diretor. Atualmente, é Secretária Municipal de Governo de Goiânia