Retorno ao bom jornalismo: Caco Barcellos põe a Globo para cobrir fatos a partir das ruas do Irã
12 abril 2026 às 23h31

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A Globo vinha cobrindo a guerra de Estados Unidos & Israel contra o Irã com repórteres baseados em Londres, Roma, Washington e Nova York. Em geral, com notícias de segunda mão, várias delas já divulgadas na imprensa americana do norte e europeia.
O “Jornal Nacional” reporta os fatos, praticamente sem analisá-los. Fatos, por sinal, produzidos mais por Estados Unidos e Israel do que pelo Irã. Fatos, portanto, unilaterais.
A GloboNews tem um corpo de comentaristas de qualidade, como Marcelo Lins, Guga Chaga e Demétrio Magnoli.
Mas, até por uma questão de segurança de seus profissionais, não havia cobertura direta. Aqui e ali, há reportagens feitas de Tel Aviv. Mas raramente das ruas, com imagens e diálogos exclusivos com populares locais.
No domingo, 12, os brasileiros começaram a receber informações diretas do Irã. O repórter Caco Barcellos, de 76 anos, está no país e reportando os fatos diretamente das ruas locais. Como deve ser feito por empresas jornalísticas que têm estruturas adequadas.
Caco Barcellos mostrou que o governo do Irã tem forte apoio nas ruas. A suposta revolta pró-Estados Unidos não parece realidade. Pelo menos não apareceu na reportagem.
Palmas, portanto, para a Globo e, sobretudo, para Caco Barcellos. Tanto por sua coragem quanto por sua competência jornalística. Agora o Brasil começa a ter informações a partir do Irã, com um repórter presente, narrando os fatos na medida em que estão acontecendo — nas ruas. Um avanço notável.

