O Popular divulga que será publicado no formato berliner mas continua um jornal sem opinião própria
22 março 2016 às 18h59

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O “Pop” vai publicar artigos de medalhões que saem em vários jornais do país. Pode ficar com a cara de “depósito” do material das agências de notícias e de outras publicações e perder sua identidade

“O Popular” começa a circular nos próximos dias com o formato berliner — um pouco menor do que o formato do Jornal Opção. A diretoria do Grupo Jaime Câmara imprimiu quatro páginas, com uma capa, para mostrar como ficará o jornal. “Vem aí a evolução do jornal que Goiás pediu” afirma a empresa. Não se trata de cabotinismo sugerir, claro, que o Jornal Opção chegou antes. Bem antes. O “Pop” padece, diria Harold Bloom, de “angústia da influência”? O “Pop” esperou quase 80 anos para ficar com a cara do Jornal Opção, com uma diferença: trata-se de um jornal factual e não de opinião.
O formado berliner facilita a leitura e, claro, economiza papel.
O jornal criou um “panfleto” com o novo formato do jornal, com as informações de como será daqui pra gente, e o enviou para os clientes. O novo design será, afirmam, será “mais bonito, descolado e contemporâneo com infográficos, fotos, editoriais identificadas por sistema de cores e nova diagramação para uma leitura mais agradável organizada.

O “Pop” vai cometer um velho equívoco. No lugar de criar ou formar novos articulistas, sobretudo que tenham identidade com a região onde funciona, o jornal vai publicar colunas de articulistas consagrados dos principais jornais do país, da “Folha de S. Paulo”, “O Globo” e “Estadão”.
As colunas são publicadas em vários jornais do país. Isto significa que o “Pop”, ao menos em termos de opinião, longe de ter identidade, ficará igual a outros jornais do país.
O jornal não conseguiu formar, ao longo dos anos, nenhum comentarista diário de economia. O motivo é o de sempre: não investe na força produtiva local. Ocorre que, quando precisa examinar a economia goiana ou do Centro-Oeste, o “Pop” publica textos fraquíssimos.
Dos 25 colunistas mencionados — a maioria de qualidade — apenas sete moram em Goiás. Há três goianos que moram em outros Estados e o restante são os chamados medalhões. No quadro das imagens, o jornal publica duas vezes a fotografia da poeta e cronista Maria Lúcia Félix. Chega a confundi-la com Maria José da Silveira.
Dos cronistas anteriores voltam Maria José Silveira, Maria Lúcia Félix e Edival Lourenço — todos muito bons. A poeta Cássia Fernandes, cronista de primeira linha, também volta a escrever no jornal.
Não dá para avaliar o “novo” jornal, pois ainda não circulou, mas, pela divulgação, fica-se com a impressão de que a reforma será mais gráfica — uma mudança no design e no formato — do que editorial. Mas tomara que vá além isso, senão vai decepcionar seus leitores e o mercado publicitário mais uma vez.

