A repórter Jéssica Maes, da “Folha de S. Paulo”, publicou na sexta-feira, 23, uma entrevista valiosa de Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da ONU para os oceanos ao Fórum Econômico Mundial.

Diplomata de Fiji, Thomson é um dos responsáveis pelo Fórum Econômico Mundial — em Davos, na Suíça — “ter adotado neste ano a temática Davos Azul.

O que Thomson assinala sobre a Groenlândia poucos políticos comentam. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pensa em questões ambientes, e sim apenas em segurança e economia.

“Do ponto de vista ambiental, penso imediatamente no derretimento da camada de gelo da Groelândia. Isso tem relevância direta para países [do Pacífico] como Tuvalu [fica na Oceania], que é formado por atóis de coral e não possui áreas elevadas. O derretimento da Groelândia significa, na prática, o desaparecimento de uma nação do outro lado do mundo, já que toda essa água escoa para um único sistema oceânico”, diz Thomson.

O diplomata frisa que, “no caso do Ártico”, o derretimento da criosfera (o gelo do planeta) é “uma questão extremamente relevante. A ciência indica que o gelo da região está diminuindo e que podemos prever um futuro em que, durante o verão, o oceano Ártico ficará livre de gelo. Isso é devastador para a vida selvagem e para os povos indígenas da região”.

Há o que fazer? Thomson postula que sim, se se adotar o que chama de “uma pausa preventiva em qualquer atividade econômica no oceano Ártico central”.

O representante da ONU sublinha que, no caso do Ártico, fala “de neutralidade em relação à exploração econômica. Quando alguns países e empresas veem um ártico livre de gelo, pensam imediatamente na exploração de petróleo, rotas de navegação transpolares e mineração em águas profundas”. Thomson defende “uma pausa preventiva nessas atividades”.

A iniciativa Amigos da Ação pelo Oceano contribuiu para o lançamento do Plano de Ação Oceânica 30×30 [de proteger 30% dos oceanos até 2030]. O projeto está em fase de implementação.

Thomson informa que, em abril de 2027, a Conferência da Década do Oceano será realizada no Rio de Janeiro.