Ligação de Daniel “Master” Vorcaro com sites, influencers e jornalistas merece investigação ampla
07 março 2026 às 21h00

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Aos poucos, só aos poucos, os leitores são informados de que o poderoso chefão do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha relações estreitas com jornalistas (como Diego Escotesguy) e sites (como o DCM; ainda não está bem esclarecido qual é relação do portal com o banqueiro preso).
Vários influencers, inclusive um sócio de Léo Dias, receberam dinheiro de Daniel Vorcaro para propagar fake news contra (supostos) adversários do banqueiro. O principal alvo dos ataques era o Banco Central.
A rede de influencers a soldo de Daniel Vorcaro ainda não foi devidamente desmascarada. É preciso esclarecer os fatos. Até para que se saiba se tais profissionais, que ostentam vidas de príncipes e princesas, não estão envolvidos em outros ataques direcionados e financiados.
A busca de informações precisas, pela Polícia Federal — que tem feito um trabalho de primeira linha no caso do Banco Master —, pode desmontar uma rede do que parece jornalismo, mas é, na verdade, puro “negócio”… às vezes sujo.

Ainda não vi a defesa de Diego Escosteguy — e ele tem o direito de apresentar a sua versão. Mas a história de que era financiado por Daniel Vorcaro, para defendê-lo e supostamente atacar rivais, é grave. Pode, até, encerrar sua carreira — que começou bem na “Veja” e na “Época”.
Exame e as supersafras de Iris Rezende
Jornalistas que se vendem são raros? Nem tanto. Ex-diretor de redação da revista “Veja”, Mario Sergio Conti relata, no livro “Notícias do Planalto”, que um emissário de Iris Rezende procurou a publicação da Editora Abril para publicar uma reportagem “positiva” sobre supersafras agrícolas. Entre 1986 e 1990, o goiano era ministro da Agricultura do governo do presidente José Sarney.
“Veja” se recusou a publicar a reportagem. Pouco depois, a matéria saiu na revista “Exame” — da mesma Editora Abril — com destaque, nomeando Iris Rezende como o ministro das supersafras (por sinal, a notícia não era falsa).

Mario Sergio Conti estranhou o fato, mas não diz, textualmente, que o autor da matéria, Mário Almeida, recebera alguma coisa para “homenagear” o ministro. Mário Almeida era da turma de José Roberto Guzzo. Mario Sergio Conti da turma de Elio Gaspari, que, na época, não estava mais na “Veja”.
Mino Carta e Claudio Abramo
O jornalista Mino Carta escreveu livros garantindo que a “Veja” entregou sua cabeça aos militares, no governo do presidente Ernesto Geisel, para receber um empréstimo milionário.
Mino Carta diz que não foi demitido — se demitiu — porque não aceitou ficar “encostado” na redação.

O biógrafo de Roberto Civita, o desafeto de Mino Carta na Editora Abril, diz que a “demissão” não teve a ver com o empréstimo (https://tinyurl.com/2yxh6hs4).
No mesmo governo de Ernesto Geisel — e de seu ideólogo Golbery do Couto e Silva —, a “Folha de S. Paulo” afastou Claudio Abramo da direção de redação. O fato aconteceu em 1977, em plena distensão.
Diz-se que militares pressionaram Octavio Frias Oliveira para demitir Claudio Abramo, o jornalista que iniciou a revolução — a modernização — da “Folha de S. Paulo”, depois atribuída ao filho do dono, Otavinho Frias Filho.

