Leitores talvez estejam “tontos” com tantas informações sem nuance sobre o caso do Banco Master
17 janeiro 2026 às 21h00

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A reportagem que falta sobre o caso do Banco Master — se é que ainda não a fizeram — nem tem a ver com furo.
O que falta mesmo, e é básico, é publicar — talvez todos os dias — um texto explicando o que há de verdade, e realmente apurado, sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. A reportagem poderia acrescentar, ao lado, o que ainda é mera especulação.
Mesmo o leitor interessado, sobretudo se avesso às ideologias condenatórias, certamente está confuso a respeito da barafunda de reportagens. Não se está dizendo que não são sérias. No geral, são seriíssimas. Mas blogs e redes sociais transformam aquilo que é publicado — às vezes, de maneira ponderada e nuançada — em ataques. Esquerda e direita operam, de maneira simultânea, não para esclarecer. A criação de vilões a granel mais confunde do que esclarece.

O que se quer não é iluminar a história — arrancando a verdade a partir da pesquisa detida dos documentos e das versões. O que se quer — e não está falando dos jornais sérios — é confundir e espalhar lama de maneira generalizada.
Quanto a Daniel Vorcaro, não já dúvida: está envolvidíssimo nos rolos. Fala-se em políticos — ou em um político. Mas quais ou qual? Não se sabe exatamente.
Estrela venturosa da dolce vita, Daniel Vorcaro fez tanta falcatrua sozinho? É evidente que não. Mas quem realmente operava com o banqueiro-playboy? Nelson Tanure? O empresário nega. O PCC estaria envolvido realmente ou é lenda? Não se sabe, mas especula-se a rodo. Jornalismo às vezes aproxima-se da ficção, misturando fatos e possibilidades.
Retomando a história do político com foro privilegiado (por isso o processo foi para o STF): é um deputado ou é um senador? É filho de algum potentado? Não se sabe. Mas especula-se.

Vorcaro era “santo” e virou “demônio”?
O Banco Master, agindo ilegalmente, era visto, por todos, como um banco inteiramente legal. Ninguém fez nada contra, nem o Banco Central, até começar a pintar o escândalo. Até a cândida Gabriela Prioli, não se sabe por que — e não acredito que tenha recebido money —, defendeu a instituição financeira.
A frase de Vladimir Lênin — comumente atribuída, erroneamente, ao poeta-dramaturgo Bertolt Brecht — é estupenda, ante o caso do Banco Master: “O que é assaltar um banco perto de um banco”. Paulo Francis e Herbert de Moraes Ribeiro apreciavam a frase. Por sua precisão.
Se o Banco Master agia na legalidade, ou aparentava agir — na verdade, operava às avessas, aproveitando-se das brechas de um sistema bancário falho (de um capitalismo hiper-selvagem)—, por que a mulher de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, Viviane Barci Moraes, não poderia advogar para o negócio de Daniel Vorcaro?

A contratação de Viviane Barci visava facilitar a resolução de problemas — processos — do Banco Master no Supremo? A pergunta, antes mesmo de se falar em contrato de 129 milhões de reais — contrato que ainda não foi exibido pela imprensa —, precisa ser respondida de maneira objetiva.
Quer dizer, a vida de Daniel Vorcaro — sobrenome de origem italiana, da Lombardia e da Emilia-Romagna — melhorou, no STF, com a contratação de Viviane Barci? Isto, a rigor, não está provado. Insinua-se, mas não se apresenta provas cabais.
Jornais ditos sérios tentam arrastar o nome do ministro Dias Toffoli, do STF, para o escândalo do Banco Master. Mas nada a respeito do magistrado — pelo menos o divulgado até agora — prova alguma coisa relevante, e mesmo irrelevante, que o desabone de maneira grave.
No caso de Dias Toffoli, a imprensa precisa ter mais cautela. Porque, se não tiver, se publicar insinuações, as matilhas dos blogs e redes sociais vão assassinar, quem sabe para sempre, a reputação do ministro.
Porém, se a imprensa tem algo sério a respeito de Dias Toffoli — e não o mero irrealismo do moralismo (uma viagem de avião, por exemplo) —, que divulgue.

Há fatos, muitos fatos — que levaram à derrocada do Banco Master, que era tão sólido quanto um castelo de areia numa praia —, é claro, mas sobram, e como sobram, “opiniões” travestidas de análises e exposições de “verdades”.
Sente-se, leitor, e faça a pergunta: “O que realmente sei a respeito do Banco Master e o que é relevante e o que é mera especulação?”
Como se tem horror — “raiva” — aos escândalos que envolvem ricos (“estão roubando”, diz-se), sobretudo os super-ricos, como Daniel Vorcaro, os tribunais de linchamentos são instalados em blogs e nas redes sociais (tribunais públicos de justiçamento), às vezes a partir de apurações mal costuradas e mal apuradas da imprensa.
Pode-se sugerir que, assim como Banco Central, a imprensa patropi chegou tarde ao cerne do que é ou era o Banco Master. Daí, com uma pressa tremenda, começou-se a vasculhar e denunciar tudo. Um caso complexo como o do Banco Master exige mais tempo para avaliação. Por isso, a Justiça — seja Dias Toffoli ou outro ministro — não pode agir de maneira apressada. Porque, se a imprensa pode falhar à farta — como no caso da Escola Base e, até, no caso da Lava Jato (e ninguém fez mea culpa) —, a Justiça precisa ser mais cuidadosa.
Daniel Vorcaro já está na lama, enlameado até a medula, mas todos os “citados” têm o mesmo envolvimento? Não se sabe. Mas os tribunais populares, como os linchadores da Revolução Francesa de 1789 — a de Robespierre, que acabou, como Saturno, devorando os próprios filhos —, querem “sangue”, e não justiça.
Então, retomando a linha inicial, fica a sugestão: os jornais devem publicar, todo dia, o que está devidamente apurado, o que é verdade consolidada, e o que ainda é passível de investigação ampla. Senão, os leitores, os sérios — e os engajados ideologicamente na política de destruição de reputações a qualquer custo —, vão ficar “tontos” com tantas informações, às vezes desencontradas e, digamos assim, preliminares.
(Ah, uma palavra sobre os influenciadores. Tudo indica que alguns deles, como o grupo do jornalista Léo Dias, receberam dinheiro para atacar o Banco Central, ou seja, para defender Daniel Vorcaro e o Banco Master. Mas falta uma reportagem que reúna as matérias publicadas por jornais e revistas sérios a respeito do Banco Master antes da explosão do escândalo. Vale verificar também se o banco era um anunciante classe “a”. Era? Jornalistas viajaram em jatos de envolvidos no escândalo?)

