Lauro Jardim e Malu Gaspar merecem o Prêmio Esso de Reportagem
07 março 2026 às 21h00

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Lauro Jardim e Totò Riina patropi
Espécie de Michael Corleone — quiçá com pretensões a se tornar uma espécie de Salvatore “Totò” Riina dos trópicos, o il capo dei capi da máfia siciliana Cosa Nostra —, o gângster Daniel “Banco Master” Vorcaro ordenou a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário (assassino, pistoleiro), que desse uma surra no jornalista Lauro Jardim, de 63 anos, um dos colunistas mais destacados do jornal “O Globo”.
Felizmente, apesar de acionado, Sicário não cumpriu sua missão. Talvez tenha faltado oportunidade ou talvez a investigação da Polícia Federal em cima do caso Banco Master tenha assustado os criminosos.
Mais do que quebrar todos os dentes de Lauro Jardim, Daniel Vorcaro e Sicário queriam intimidá-lo, colocá-lo na defensiva.

O que Lauro Jardim fez para ser vigiado e ameaçado por Daniel Vorcaro e Sicário? Jornalismo de primeira linha.
Lauro Jardim não inventou o colunismo como espaço para reportagens investigativas. Mas, em “O Globo”, tem feito jornalismo investigativo na sua coluna, com a colaboração de outros repórteres, de alta qualidade. Ganha, no dia a dia, o aplauso dos leitores e ameaças dos crapulóides da direita e, às vezes, da esquerda.
Malu Gaspar, a repórter Super Esso
A respeito dos bastidores das investigações do caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, ninguém tem feito tanto quanto a repórter Malu Gaspar, uma dos mais qualificadas do país.
Malu Gaspar é a repórter típica, ao estilo de Bob Woodward. Investiga bem, escreve bem e não está preocupada com questões ideológicas. Publica aquilo que é crível — doa a quem doer.

Num momento, a direita critica Malu Gaspar. Noutro momento, é a esquerda que a desanca. Porque, preocupada com os fatos, a repórter não quer agradar, e sim quer servir bem os leitores. Não opera como sorriso do poder e cárie da sociedade. Está mais cárie do poder e sorriso da sociedade.
Malu Gaspar, que nada tem de ingênua, está preocupada com a correção pública. De alguma maneira, é uma espécie de vigilante do Erário. Para reduzir (parece impossível acabar com) o roubo do dinheiro público, publica reportagens em “O Globo”.
Um site comprometido com o PT chegou a sugerir que um (ou uma) jornalista poderia ser preso (presa) por supostamente comprar informações a respeito de vazamento de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal.

Não há evidências de que Malu Gaspar e “O Globo” tenham comprado informações. Portanto, não há nenhum motivo para prisão (que cai bem, isto sim, para Daniel Vorcaro).
Agora, se um jornalista recebe informações fidedignas, a respeito de qualquer poderoso da República, tem o dever de publicá-las. É o que tem feito Malu Gaspar.
Dado o excelente trabalho que Malu Gaspar, sobretudo, e Lauro Jardim têm feito a respeito do Banco Master — “O Globo” está um passo à frente dos concorrentes “Folha de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo” (os dois são obrigados a informar: “‘O Globo’ publicou e nós confirmamos”) —, merecem ganhar o Prêmio Esso de Reportagem.

Mais tarde, deveriam unir forças e publicar um livro com as melhores histórias do caso do Banco Master & Daniel Vorcaro.
Malu Gaspar é autora de dois excelentes livros: “Tudo ou Nada — Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X” e “A Organização — A Odebrecht e o Esquema de Corrupção Que Chocou o Mundo” (https://tinyurl.com/4we27fck). São retratos precisos de como (não?) funciona o capitalismo brasileiro. Karl Marx e Lênin dariam nota 10 à jornalista.

