Jornal O Popular faz enquete sobre AI-5 na capa do site
31 outubro 2019 às 15h26

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Publicação perguntava: “Você concorda com a instituição de um ‘novo AI-5’?”

O jornal O Popular tentou aproveitar a polêmica declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre a necessidade de um novo Ato Institucional número 5 (AI-5) no Brasil, como fez a ditadura militar em 13 de dezembro de 1968 pelo presidente Costa e Silva e resolveu colocar uma enquete na capa de seu site.
No questionamento da enquete, que chegou a ser colocada na manchete do site do O Popular, o jornal fazia a seguinte pergunta: “Você concorda com a instituição de um ‘novo AI-5’?”. Quando você clicava no link, um texto curto citava a declaração de Eduardo. “Se a esquerda radicalizar, a resposta pode ser via um AI-5.”
Ao final do texto, a pessoa tinha três opções de resposta, se concordava, não tinha opinião formada ou não concordada. Quando tirou do ar, 72% eram contra a volta de algo parecido com o AI-5, 26% favoráveis a uma medida como aquela adotada em 1968 e 2% não souberam responder.
Primeiro o jornal O Popular retirou a publicação da capa de seu site. E 50 minutos depois de publicar a enquete, o link foi retirado do ar, como é possível constatar na imagem abaixo.

Ato Institucional número 5
O AI-5, assinado pelo presidente Artur Costa e Silva – segundo presidente da ditadura militar – em 13 de dezembro de 1968 foi o mais duro dos atos promulgados pelo regime militar a partir do golpe de 1964 .
A partir do AI-5, o presidente da República passou a ter poderes para fechar o Congresso Nacional, Assembleias Legislativas nos Estados, censurar a produção cultural no Brasil, tornar ilegais reuniões políticas que não fossem autorizadas pela polícia, nomear interventores nos governos estaduais e municipais e suspender habeas corpus para crimes que tivessem motivação política.
Mas os poderes do presidente da República instituídos pelo AI-5 também autorizavam a ditadura militar a destituir a qualquer momento servidores públicos, políticos ou juízes do País, instituir toques de recolher, suspender poderes políticos das pessoas consideradas subversivas, cassar mandatos dos parlamentares de oposição, criar um colégio eleitoral ligado ao chefe do Executivo e acabar com eleições diretas para cargos executivos e legislativos em todo o território nacional.
Era sobre um gesto autoritário, unilateral, antidemocrático e de poder totalitário e de controle da população que se trata o AI-5, que o jornal O Popular resolveu transformar em enquete para aproveitar o momento da polêmica em torno da declaração do deputado federal e filho do presidente da República.

