Inteligência artificial do Google sintetiza reportagens e sites dos jornais se tornam secundários e perdem acesso
17 janeiro 2026 às 21h00

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A expressão “chover no molhado” aplica-se muito bem ao que se vai dizer a seguir. Ainda assim, é necessário apontar o problema: o acesso dos jornais caiu. Pode voltar a subir?
Sim, se as “regras” do Google, um parceiro tão desejável quanto indesejável, mudarem, ao menos em parte.
Sem o Google, muitos leitores — aquele que não buscam o acesso direto nos jornais — deixarão de consultar reportagens das publicações. Então, o site de busca é absolutamente necessário. Incontornável.
Todos nós, leitores, usamos o Google e, em menor escala, o Bing (da Microsoft). Ambos são cruciais àqueles que precisam fazer consultas rápidas ou mais densas (assim como a Wikipédia é vital para se saber a respeito de cientistas, políticos, escritores, atletas etc).
O Google e o Bing são “enciclopédias” universais que facilitam a vida das pessoas, inclusive dos jornalistas. Portanto, contribuem para a confecção de textos — para torná-los mais precisos e amplos — e para a pesquisa.

Uso o Google, o Bing e a Wikipédia com frequência. Facilitam o meu trabalho, sobretudo quando quero checar informações.
Entretanto, desde a criação do Gemini, sua inteligência artificial, o Google desenvolveu uma “técnica” que prejudica o acesso direto aos jornais.
Veja-se um exemplo: o Jornal Opção publicou em 2016, pioneiramente, que a brasileira-gaúcha Mabel Robinson Fierz contribuiu, de maneira decisiva, para a publicação do primeiro livro de George Orwell (https://tinyurl.com/85f9pjaf).
Até pouco tempo, quando o leitor buscava o assunto no Google, aparecia, primeiramente, o link para o texto do Jornal Opção. Isto contribuía para aumentar o acesso — até porque a reportagem não é perecível. É o que se pode chamar de material referencial.
Agora, se usar o Google, o leitor não terá mais acesso direto ao site. Porque o Gemini faz um resumão do texto — com as informações centrais — e, abaixo ou ao lado, aponta o link da reportagem.
Quer dizer, o Google, com a Gemini, não exclui o texto do Jornal Opção, mas o coloca como secundário, como se fosse tributário de “seu” texto.
Como as pessoas querem prato-feito, sínteses — por falta de tempo ou preguiça —, a tendência é que, tendo consultado o Google, não acessem o material que deu origem ao texto formulado pela IA Gemini.
Em outros países, o Google paga aos jornais para transcrever suas principais notícias — o que reduziu a pirataria, digamos, sofisticada. No Brasil, os jornais nada recebem de relevante — exceto migalhas.
Para piorar as coisas, além de sua IA copiar as informações dos jornais — o que contribui para reduzir o acesso —, o Google recebe dinheiro, das mesmas publicações, para impulsionar o acesso de suas reportagens. Talvez seja a escravidão moderna. Tão moderna que é quase voluntária.
Noutras palavras, o Google se apropria do material dos jornais e ainda os obriga a pagar para divulgá-los. Se isto não for feito, ao acesso cai. E, saiba, o acesso de todos os jornais caiu. Quem disser que não está faltando com a verdade.

