Herbert de Moraes Ribeiro, que morreu há 10 anos, vibraria com a qualidade e a vitalidade do Jornal Opção
28 março 2026 às 21h00

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Fundador do Jornal Opção, o jornalista e economista Herbert de Moraes Ribeiro morreu há 10 anos. Uma década. Se vivo, teria 83 anos. (Uma curiosidade: quando alguém falava de morte na sua presença, ele batia na mesa três vezes e dizia: “Eu, hein!” Era sua maneira de esconjurá-la.)
Certa vez, quando falávamos do filósofo francês Gerard Lebrun (exímio explicador de Kant), perguntei a Herbert de Moraes Ribeiro: “O que mais importa para você?” Respondeu, a palo seco, que era a “permanência” do Jornal Opção. Sua continuidade. O jornal vivo o manteria vivo, ao menos em espírito, no sentido cultural e histórico.

Quando Patrícia Moraes — hoje, a alma e o corpo do jornal — se decidiu pelo jornalismo, após concluir o ensino médio, no Colégio Visão, Herbert de Moraes Ribeiro chegou a irritar-se comigo. Pensou que eu era o responsável por sua caçula — quase um ano mais nova do que o cinquentão Jornal Opção — desistir de estudar Medicina e optar pelo Jornalismo.
Quando Patrícia Moraes se formou em Jornalismo, em São Paulo, e em seguida estagiou no “El País”, maior jornal da Espanha e um dos mais influentes da Europa, Herbert de Moraes Ribeiro ficou satisfeito. Mesmo sendo um homem contido, me disse que estava feliz.
Feliz porque, com Patrícia Moraes optando pelo jornalismo, entendeu que finalmente o jornal ganhava permanência, continuidade.

Quando Herbert de Moraes Ribeiro morreu, em 24 de março de 2016, Patrícia Moraes já dirigia o jornal havia alguns anos. Seu pulso firme e criativo, sempre inovador, agradava ao pai. Ele vibrava com a vocação e a obstinação da filha.
Então, se o Jornal Opção está vivo, pode-se sugerir que, de alguma maneira, Herbert de Moraes também está vivo.
Na década de 1990, quando estávamos preparando algumas mudanças no jornal impresso, com um novo projeto gráfico-editorial, Herbert de Moraes Ribeiro disse à redação que jornal não podia ficar mumificado. Precisa(va) mudar sempre, atualizar-se com frequência. “Lembre-se, Euler, da frase do poeta Manuel Bandeira: ‘Homem nenhum pode ser inatual’.”

Apreciador de Raul Seixas, Herbert de Moraes Ribeiro gostava de mencionar a expressão “metamorfose ambulante”. Dela extraía a ideia de que jornais não podem ficar fossilizados. Ele só não abria mão de duas coisas. Primeiro, de o jornal continuar sendo bem-escrito, com textos fluentes e não repetitivos. Segundo, não aceitava renunciar à análise crítica. Dizia sempre: “Busque a essência por trás da aparência”.
Patrícia Moraes mantém o que pai traçou, mas tem acrescentado avanços substanciais. O Jornal Opção, como diário — produzido por uma equipe moderna e competente —, é uma das mudanças substantivas. Reportagens com imagens, cada vez melhores, é o prenúncio de um canal de televisão que está sendo articulado, viabilizado.

Se estivesse entre nós — de certa maneira, está, com suas lições, incentivos, cultura e espírito crítico — Herbert de Moraes Ribeiro também ficaria contente ao saber que seu filho Herbert Moraes Júnior voltou para Goiânia, depois de quase 20 anos no Oriente Médio como correspondente da TV Record, e trabalha na redação do Jornal Opção. Criativo, inteligente e atento, ele escreve artigos e reportagens todos os dias. Irrequieto, é uma usina de boas ideias (pautas).
Recentemente, quando a redação às vezes duvidava que os Estados Unidos iriam atacar o Irã, ao lado de seu aliado Israel, espécie de “estadosunidinhos”, Herbert Moraes, baseado em seu amplo conhecimento de política internacional, dizia (e escrevia): “Estão enganados. Os Estados Unidos e Israel vão atacar o Irã”. Ele é um articulista posicionado, que nunca fica em cima do muro. Porém, ao mesmo tempo, é reflexivo e atento aos fatos.

Agradaria a Herbert de Moraes Ribeiro saber que o Jornal Opção tem dois “filhos” — o Jornal Opção Entorno do DF e o Jornal Opção Tocantins. Todos viáveis e influentes.
O jornal conta com quatro editores jovens e competente. O Jornal Opção Online — o diário — é editado por duas mulheres proativas e criativas, Bruna Ariadne e Giovanna Campos. São também articulistas de primeira linha — perspicazes e críticas.

Elas operam o jornal sob a supervisão de dois jornalistas atentíssimos — João Paulo Alexandre e Ton Paulo. Os dois são craques — algo assim como Mbappe e Dembélé (os novos “filhos” de Pelé não são brasileiros — são franceses).
Para a tristeza da redação, o pequeno notável Ton Paulo tirou quinze dias de férias — viajou pela África —, mas felizmente a redação ficou sob os cuidados atentos de João Paulo Alexandre.
Então, repetindo: o Jornal Opção está vivo. Vivíssimo. Com seu sorriso contido — nunca um riso —, Herbert de Moraes Ribeiro ficaria tremendamente contente com isto.

