Galvão Bueno vai atrair telespectadores para os jogos da Copa do Mundo de 2025 transmitidos pelo SBT
15 novembro 2025 às 21h00

COMPARTILHAR
Fiquei surpreso ao comer uma lasanha com macarrão verde e cenoura (dei a metade para uma mulher em situação de rua) na pizzaria Kentucky — na Avenida Corrientes, em Buenos Aires — e o garçom, ao saber que sou brasileiro, começar a falar de Pelé, Zico, Falcão, Sócrates, Ronaldo (o Fenômeno), Rivaldo e Romário. “Neymar é craque, mas vive machucado, talvez por que está fora de forma”, sugeriu.
Perguntei por que sabia tanto sobre o futebol brasileiro, ao menos sobre nomes emblemáticos. “Em parte por causa dos jogos da Libertadores, quando é possível ver os craques brasileiros nos gramados argentinos. Mas sobretudo porque vejo, há muitos anos, os jogos dos campeonatos espanhol, o meu preferido, italiano, inglês e francês. Este mais porque Messi jogava no Paris Saint-Germain (PSG). “Muitos brasileiros jogaram e jogam na Europa. Ronaldo era um atacante extraordinário, de uma arrancada fulminante.”
O garçom namorou uma brasileira de Santa Catarina, quando mais jovem. “Paixão à primeira vista. Mas ela não quis se mudar para Buenos Aires e eu não quis morar em Floripa. Aprendi um pouco de português devido ao nosso amor.” De fato, fala português razoavelmente bem. “Dá para o gasto”, brinca. Depois, avisa que está casado e que sua mulher é ciumenta. “Não me complica, caro periodista”, disse, rindo.
O funcionário da pizzaria desconcertou-me ainda mais ao perguntar sobre “Galvón” Bueno. “É verdade que deixou a TV Globo e foi contratado por outra emissora de televisão? Vi e ouvi jogos narrados por ‘Galvón’, em Floripa e Camboriú, e ele me pareceu mui bueno”, assinalou, brincando com o nome do narrador esportivo e com a palavra “bueno”, que significa “bom” em espanhol.
Para minha surpresa, ele sabia até que Galvão Bueno narrava corridas de Fórmula 1. “Galvón é o melhor narrador do Brasil, não é?”, inquiriu, de maneira afirmativa.
Expliquei que Galvão Bueno é o mais conhecido narrador (e até comentarista) do Brasil. Mesmo tendo saído da TV Globo, não perdeu prestígio e continua na ativa.
Galvão Bueno vai narrar a Copa do Mundo de futebol de 2026 no SBT. Os jogos por si atraem público. Mas Galvão Bueno vai ser um atrativo a mais.
Mesmo criticado, talvez por ser muito enfático — um narrador-torcedor, notadamente em jogos da seleção brasileira —, Galvão Bueno, devo concordar com o “expert” argentino, é mesmo muito bom. Tão bom quando Waldir Amaral e Jorge Curi.
De alguma maneira, Galvão Bueno agrega — galvaniza — o público. Até agora, a Globo não conseguiu um narrador emblemático para substitui-lo.
Há bons narradores na rede da família Marinho, mas nenhum que empolgue e mobilize tanto o público, o telespectador, quanto Galvão Bueno.
Não vejo todos mas vejo muitos jogos da Copa e em 2026 não será diferente. Vou assistir alguns jogos no SBT só para ver se “Galvón” ainda está em forma, com aquele vozeirão — quase de Orlando Silva e Francisco Alves — que chama a atenção e é facilmente identificável.
Não consigo identificar a voz de nenhum narrador da Globo ou de outra emissora. Mas a de Galvão Bueno identifico de longe. E nem escuto tão bem.
De alguma maneira, Galvão Bueno tem carisma e é uma espécie, digamos de Lula da Silva na narração esportiva.
Ao final da conversa, tentei ensinar como se fala Galvão ao argentino. Ele “torcia” a língua, tentando adotar o “acento” brasileiro, mas não saía nada diferente de “Galvón”. Então, combinamos, que fique mesmo sendo “Galvón”.

