Uma possível desmoralização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pode resultar na volta do bolsonarismo ao poder.

A “queda” — ainda que não o afastamento, e sim a crise moral — de Alexandre de Moraes poderá gerar a tese de que não tinha condições morais de julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, como os generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto.

Mas o suposto envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-poderoso chefão do Banco Master, não tem a ver com o julgamento de Jair Bolsonaro, Augusto Heleno, Braga Neto e Almir Garnier Santos.  

O retorno dos antidemocratas

Jair Bolsonaro, os generais e o almirante foram condenados por atentar contra a democracia, por patrocinar um golpe de Estado. Não tem a ver, portanto, qualquer relação de Alexandre Morais com Daniel Vorcaro.

Jair Bolsonaro, Emilio Médici, Sylvio Frota e Braga Neto: o golpismo resiste com as viúvas dos ditadores da linha dura | Fotos: Reproduções

Frise-se que, se Daniel Vorcaro encomendou uma surra no jornalista Lauro Jardim — Sicário seria o agente do crime —, o grupo de Jair Bolsonaro planejou o assassinato do presidente Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Alexandre de Moraes. (Detalhe: a turma de Jair Bolsonaro é, de certo modo, a mesma do general Sylvio Frota, que tentou um golpe de Estado contra o general-presidente Ernesto Geisel, na década de 1970, para tentar impedir a redemocratização do país. Outro aliado é o coronel Brilhante Ustra, o torturador-mor da ditadura.)

Não se está fazendo a defesa de Alexandre de Moraes, pois é o ministro que tem de se defender. Ele deve ser investigado como qualquer outro cidadão brasileiro.

O que se está dizendo é outra coisa: que sua desmoralização pode resultar numa ponte para a volta do bolsonarismo ao poder. Quer dizer, o retorno ao poder daqueles que são antidemocracia. Está se sublinhando também que o caso Banco Master-Vorcaro não tem nada a ver com o julgamento dos golpistas.