O ex-presidente Jair Bolsonaro é a Torre de Pisa ou Pompéia pós-erupção do vulcão Vesúvio dos trópicos?

A capa da revista “Veja”, que está na internet e circula a partir de domingo, 30, nas poucas bancas do país, é criativa. Mostra Jair Bolsonaro — um Messias laico — caindo e se desfazendo. É um editorial com imagem.

Jair Bolsonaro realmente acabou? Talvez sim, talvez não. Há ressureições na política brasileira — como a de Getúlio Vargas em 1950 e a de Lula da Silva em 2022.

Há o problema da prisão. É óbvio que, condenado a 27 anos e três meses de prisão, Jair Bolsonaro não ficará tanto tempo assim na cadeia. Ficará bem menos. Há a inelegibilidade por oito anos.

Ainda que fique menos tempo na prisão e considerando que já tem 70 anos, dificilmente Jair Bolsonaro terá condições de ser presidente da República outra vez. Exceto, claro, se houver uma reviravolta muito grande, que permita que, em 2030, ele possa voltar ao centro do palco nacional. Mas é muito difícil, quiçá impossível, que isto aconteça.

De alguma maneira, em termos políticos, Jair Bolsonaro “morreu”. Em termos de projeto para ele. Se tornou “Jafoinaro”.

Porém, se Jair Bolsonaro já pode chamar caixão de hermano — frise-se: em termos políticos —, o bolsonarismo não morreu. Está vivo. Ainda é forte.

Sem o símbolo — a cabeça, e não se fala de cérebro —, o bolsonarismo tende a perder força, substância. Por isso, a capa da “Veja” é perfeita. Jair Bolsonaro “ruiu” e talvez, a médio prazo, o bolsonarismo siga pelo mesmo caminho.

Flávio Bolsonaro perde força no RJ

Uma pesquisa do Prefab Future, divulgada na sexta-feira, 28, mostra um quadro ligeiramente complicado para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro.

O governador Cláudio Castro, do PL, aparece em primeiro lugar na disputa para o Senado — com 20,2%.

Flávio Bolsonaro: em queda livre na disputa para o Senado? | Foto: Reprodução/Youtube

Flávio Bolsonaro é o segundo colocado, com 18,3%. Mas seguido bem de perto pela deputada federal Benedita da Silva, do PT, que tem 16,2%.

A rigor, considerada a margem de erro de 2,19 pontos percentuais, Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro e Benedita da Silva estão tecnicamente empatados.

Entretanto, considerando a “força” do bolsonarismo, a situação de Flávio Bolsonaro não é nada confortável. Além de não aparecer em primeiro lugar, perdendo espaço para Cláudio Castro, pode acabar sendo superado pela petista Benedita da Silva.

Na pesquisa anterior, Flávio Bolsonaro tinha 22,2% e caiu para 18,3%. É uma queda pequena. Mas é uma queda, o que sugere perda de substância eleitoral.

Para piorar as coisas, Cláudio de Castro saltou de 11,2% para 20,2%. O que sugere que está em ascensão.

Benedita Silva saltou de 6,6% para 16,2%. Um crescimento vertiginoso.

Então, tanto Cláudio Castro quanto Benedita Silva estão crescendo. Flávio Bolsonaro, dos três, foi o único que caiu.

A rejeição de Flávio Bolsonaro é a mais alta — 28%. A de Benedita da Silva é de 21,2%. A menor é de Cláudio Castro — 14,2%.

Viabilidade eleitoral deveria excluir golpismo

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Jair Bolsonaro: um fantasma da política brasileira? | Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A condenação de Jair Bolsonaro, seguida de sua prisão numa cela da Polícia Federal, em Brasília, pode levar os eleitores, ao menos em parte, a deixarem o bolsonarismo de lado? É possível. Mas, para se ter certeza, é preciso esperar o resultado da eleição de 2026. É o que vai responder, de maneira fidedigna, à pergunta.

Fica-se que com a impressão de que, no momento, há um cansaço com a polarização excessiva gestada pelo bolsonarismo. Os brasileiros querem paz para seguir suas vidas. Não querem perder tempo com os conflitos artificiais criados pelo adeptos de Jair Bolsonaro.

O bolsonarismo cometeu a tolice de, apesar da viabilidade eleitoral, ter articulado um golpe de Estado. Foi de uma burrice atroz e chega a impressionar que um militar da inteligência do general Augusto Heleno tenha embarcado no Titanic dos Bolsonaros.

Resta saber se a direita não bolsonarista, democrática e civilizada, conquistará o apoio dos eleitores bolsonaristas. Tais eleitores apoiam o bolsonarismo exatamente pelo discurso radical, nada moderado e golpista. A “nova” direita, a que terá de se “libertar” do bolsonarismo, terá de apresentar um discurso para tais eleitores — que, insistamos, são arredios aos políticos moderados.