Um alerta para aperfeiçoar o alerta
20 janeiro 2026 às 19h50

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Em outubro do ano passado, a Defesa Civil lançou um aviso importantíssimo para alertar as pessoas a terem atenção ao trafegar por pontos críticos da cidade durante temporais. A plataforma é válida e tem a premissa de evitar tragédias causadas pela falta de um plano de drenagem funcional no município.
Entretanto, há uma problemática que precisa ser resolvida para que a ferramenta seja cada vez mais efetiva. Em algumas situações, os alertas têm chegado ao conhecimento da população momentos depois ou após do temporal, o que acaba retirando a característica de um aviso preventivo.
Não é difícil encontrar pessoas que reclamam da situação recorrente. Assim, este artigo não tem o intuito de descredibilizar a plataforma. Muito pelo contrário: a ferramenta é necessária — melhor, uma conquista! Afinal, por anos, o risco que o grande volume de precipitação da chuva poderia trazer só era retratado por meio de tragédias que já tinham a possibilidade de serem evitadas.
Mas, como qualquer ferramenta na área tecnológica, ela precisa ser aperfeiçoada. É necessário incluir aspectos relevantes para que os alertas sejam disparados com a antecedência necessária, permitindo que a pessoa que vai sair de casa consiga planejar seu trajeto até o trabalho, escola, ou outra necessidade. Não é aceitável que os moradores sejam alertados por volta das 6h20 sobre uma chuva que teve início às 5h da manhã, como foi o caso que aconteceu nesta terça-feira, 20.
Estamos em pleno século XXI, em que já contamos com tecnologia em tudo o que fazemos: aplicativos bancários, ferramentas que mostram o trajeto mais rápido e que o recalculam em tempo real para fugir de congestionamentos, além de inteligências artificiais que têm contribuído para diversos segmentos, como a medicina e a educação. Há recursos que podem ser utilizados para tornar esses avisos mais precisos.
A ferramenta foi elaborada devido ao grande apelo popular, mas é evidente que ainda precisa melhorar. Contudo, ele seria quase inexistente se houvesse maior investimento por parte do Poder Público nos pontos críticos de alagamentos da cidade. Além disso, a manutenção do meio ambiente também se mostra fundamental para que os impactos dos períodos chuvosos não sejam tão destruidores.
Por outro lado, também devemos reconhecer que os munícipes não cuidam tão bem da cidade quanto cobram tamanho zelo. Ainda há muito descarte irregular de lixo, mesmo com campanhas intensificadas para que isso não ocorra.
A cidade funciona melhor com a contribuição de todos: com a elaboração de serviços de qualidade, investimentos em áreas deficitárias e o zelo dos próprios moradores. Sem um desses pilares, o colapso é inevitável.
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