Dia 7 de abril. Dia do Jornalista. Profissão pela qual me apaixonei quando tinha 10 anos ao assistir uma reportagem televisiva que trazia o processo de pacificação das comunidades cariocas. Ali, vi a repórter Mônica Puga não perder a linha de raciocínio – e o fôlego – ao fazer a sua passagem – que, no jargão televisivo, é o momento onde o repórter mostra a sua cara – em meio a um tiroteio que acabara de começar. Neste dia, eu falei que queria seguir aquela profissão.

Ser jornalista é um misto de sensações e de mitos que foram perpetuados com o passar dos anos. Tem gente que acha que você tem a obrigação de saber de tudo. O que não é verdade. Mas que não é a brecha para que o profissional seja desatento. Afinal, quem não é observador, perde muito o time do acontecimento e – consequentemente – da notícia.

O Jornalismo tem uma função social – e aqui não quero ser piegas – porque, mesmo com o descrédito que a profissão tem sofrido nos últimos anos – é nele que a população, principalmente a mais carente, busca ajuda quando se é negado o acesso aos direitos previstos da Constituição, como à saúde, educação, moradia, entre outros. É para incomodar. O jornalista que não provoca um questionamento com as suas palavras deve repensar o seu caminho. Não é acreditar no primeiro relato. É ir além. É duvidar. Ás vezes, é ser desentendido até entender. Eu ouvi de uma grande profissional da área que a gente acaba sendo, sem querer, jornalista 24 horas por dia.

Quando comento anteriormente sobre o descrédito da profissão, eu me refiro ao fato de que, em um passado, o Jornalismo era tido como o Quarto Poder, sendo tão – ou até então – respeito quanto o Executivo, Legislativo e Judiciário. Os dilemas não param por aí: na sociedade moderna, o problema da vez é que, com acesso facilidade à tecnologia, qualquer pessoa se comporta como um “repórter”, relatando um caso no momento que está acontecendo. Mas aí é que se esconde o perigo.

A notícia não deve ser repassada de qualquer forma. Não existe faculdade de Jornalismo à toa. E por isso a luta pela obrigatoriedade do diploma é recorrente. Há um preparo de quatro anos dentro da academia para que o recém-formado saia com uma base teórica para ser alinhada à prática. Tudo isso para que ele entenda o tamanho da responsabilidade que deve ter com o fato a ser narrado. A situação anda tão grave nos dias atuais que, em uma situação de acidente ou até mesmo de violência física, o celular deixa de ser o meio de acionamento ao resgate/polícia para ser a vitrine da exposição dos fatos nas redes sociais na busca por likes e engajamento. Ou seja, um comportamento irresponsável que pode trazer consequências irreparáveis.

Isso porque, assim como a da Medicina, o Jornalismo lida com vidas. Lembro de um caso emblemático que foi ensinado na faculdade que foi o da Escola Base, onde uma falsa acusação de estupro de tornou um dos erros mais graves na minha profissão e se tornou um exemplo a não ser seguido. A notícia foi colocada em segundo plano e vítimas, investigadores e os repórteres quiseram se sobressair em relação à denúncia para saber se procedia ou não. Era uma verdadeira espetacularização do fato. No final de tudo, os donos da escola que foram linchados perante à sociedade eram inocentes, mas nunca mais conseguiram dar a volta por cima, caindo em depressão.

Quem vê de fora, acha que a profissão tem o seu glamour. Já adianto que não tem. É pauta no barro, debaixo do sol, embaixo da chuva, com motorista buzinando na passagem, com erro de digitação passando pela rapidez com que a notícia tem que sair…. enfim, N casos que levam a gente a se perguntar o porquê que ainda estamos nela.

Não há uma valorização digna ao tanto que a profissão exige de você. Há vagas que perdem cinco funções com um salário que não pagaria uma. Há ainda o excesso da pejotização de profissionais, que são contratados sem benefícios da CLT, mas com cobrança similares ou – por vezes – mais excessivas. Sem esquecer, claro, da violência que sofremos: o Brasil teve cerca de 900 mil ataques virtuais contra jornalistas em 2025, segundo relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O número equivale a quase 2,5 mil agressões por dia (2.465), ou 2 por minuto (1,7).

Mas nem tudo é ruim. Através do Jornalismo você conhece histórias maravilhosas e reflexivas, que muitas vezes te retornam ao eixo que a correria do dia a dia tende a te tirar. Você valoriza sua comida, sua cama, sua família, sua saúde e entre vários outros clamores da sociedade parente à ineficiência do poder público. Ser jornalista é isso. Como diria a saudosa Rita Lee em uma das suas canções: a sutileza de um furacão.