De ajuste à expansão: com superávit bilionário, Goiânia aposta em isenções fiscais e novos investimentos
30 março 2026 às 10h00

COMPARTILHAR
As possíveis isenções fiscais que a administração municipal estuda indicam uma mudança de rumo na condução econômica da Prefeitura de Goiânia no segundo ano de mandato. No início da gestão, o discurso predominante era de austeridade fiscal, com foco no controle de gastos e na recuperação da arrecadação. Agora, após resultados financeiros considerados positivos, o prefeito Sandro Mabel (UB) já admite ampliar investimentos e adotar políticas de incentivo fiscal como estratégia de desenvolvimento econômico.
Por exemplo, na última prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre do ano passado, os dados indicaram um superávit de R$ 620 milhões nas contas públicas. Na ocasião, a receita do município ultrapassou R$ 10 bilhões e superou em 9,64% o valor registrado em 2024, com crescimento real de 5,16%, já descontada a inflação do período. O prefeito apontou que esse resultado está ligado ao aumento da arrecadação tributária, especialmente a partir do Imposto Sobre Serviços (ISS).
Dessa forma, com o fim do decreto de calamidade financeira, o prefeito Sandro Mabel segue reforçando que pretende realizar bilhões em investimentos até o final da gestão. Ao mesmo tempo, sinaliza avançar também em políticas de isenções fiscais. Um exemplo já em prática é a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para mais de 350 mil famílias. Paralelamente, a prefeitura prepara o programa Morar no Centro, que prevê incentivos para estimular a ocupação da região central da capital, além de benefícios fiscais voltados aos polos de desenvolvimento econômico.
Nesse contexto, os incentivos fiscais aparecem como uma etapa natural após o foco inicial de reorganização das contas públicas. Após o primeiro momento de ajuste e recuperação das contas públicas, a gestão agora parece entrar em uma fase mais voltada ao crescimento e à reativação de áreas estratégicas da cidade. Está claro para Mabel que agora o município possui mais condições para estimular investimentos e ampliar políticas de desenvolvimento urbano e econômico.
Os benefícios previstos para os polos produtivos, por exemplo, podem ajudar a tirar do papel projetos que já estavam previstos no Plano Diretor, mas que ainda dependiam de regulamentação para avançar. Ao reduzir custos para as empresas e incentivar alguns setores, a atual gestão busca criar melhorar o ambiente para novos negócios e para a geração de empregos, proposta que, inclusive, foi bastante destacada durante a campanha.
Ao mesmo tempo, a ampliação de isenções de caráter social e a preparação de programas como o Morar no Centro indicam uma tentativa de estimular a reocupação da região central. A proposta envolve o aproveitamento de imóveis que estão vazios e o incentivo a atividades econômicas em áreas específicas, medidas que podem contribuir para movimentar a cidade nos próximos anos.
Mais do que uma mudança brusca de rumo, o movimento da Prefeitura de Goiânia indica uma nova etapa da gestão: primeiro o ajuste das contas públicas e, agora, a tentativa de usar essa recuperação para viabilizar projetos e novas iniciativas em Goiânia. Resta saber como, na prática, a gestão vai combinar o plano de equilíbrio fiscal com a política de incentivos e investimentos.

