Ano Novo! Vida Nova!?
31 dezembro 2025 às 12h25

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O dia 31 de dezembro, que daqui algumas horas irá de encontro com o 1º de janeiro de um novo ano, sempre nos “força” a encerrar ciclos e “adotar” novas posturas. Será!?
O que não dá para correr é que 2026 não espera. Ele chega sem bater na nossa porta e essa atmosfera me faz lembrar de Mário Quintana, Rubem Alves e Raul Seixas. Mas, antes de falarmos sobre esses ícones da poesia, crônica e rock nacional, vamos tratar de mudança:
Hoje, com sinceridade
Eu acordei com uma vontade de cuidar de mim
Me levar para um passeio
Sem pisar o pé no freio, sem pensar no fim
Arrumar minhas gavetas
Botar tinta na caneta do meu coração
Escrever um: Eu me amo
Cada vez que a voz do mundo me disser que não
Lê um livro, colher flores
Pra te dar quando tu fores flor no meu jardim
Animar essa pessoa
Que andou vagando à toa, mas que mora em mim
Quando eu mudo, o mundo muda, cai na minha dança
Se eu mexo no meu mundo, o resto se balança
Muda tudo, o tempo todo feito uma criança
O que não muda nesse mundo é somente a mudança
Essa poesia cantada é de autoria de Flávio Leandro. Natural de Bodocó, em Pernambuco, ele é considerado uma das figuras mais expressivas da música nordestina contemporânea. Canção essa, que vem a calhar com o fim de ano, que obviamente é a junção de 365 dias.
Hoje é um convite à reflexão. Essa pausa no calendário nos lembra que o ano termina, assim como certos capítulos da nossa vida também precisam de encerramento para o que virá. Aceitar o que não pode ser mudado também faz parte do processo de mudança. Permitir que novas possibilidades surjam é um ato de coragem e maturidade, que nos liberta do passado e nos prepara para o futuro.
Só que a mudança é cotidiana! O poeta e jornalista Mário Quintana, um dos principais expoentes da segunda geração do modernismo brasileiro, já dizia: quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro, numa página nova.
Antes de encerrarmos qualquer ciclo, é importante olharmos para trás e reconhecermos as experiências vividas. O que deu certo? O que não deu? Quais aprendizados? Essa análise traz clareza e valoriza o caminho percorrido, mesmo que tenha sido desafiador e, muitas vezes, dolorido para algumas pessoas.
Nem tudo pode ou deve ser levado adiante. Relacionamentos desgastados, hábitos que não contribuem para o seu crescimento, medos que paralisam — deixar isso no passado é autocuidado. Encerrar um ciclo é, muitas vezes, dizer adeus a algo que já cumpriu seu propósito – nossos terapeutas sempre vão dizer isso.
O que não podemos nos esquecer é que o ritmo acelerado da vida, muitas vezes, nos faz esquecer da comemoração de vitórias, por menores que elas sejam. Encerrar um ciclo também é uma oportunidade de celebrarmos as conquistas e reconhecermos o nosso próprio esforço.
Para o cronista Rubem Alves, é ilusão imaginar que o Réveillon marca o início de um “novo tempo”: “Ano novo, vida nova.” Giram os astros, infinitamente, e a vida continua igual – apesar que ele mesmo confessava que gostaria de mudar (risos). Sou como a minha avó: todo ano me digo: Ano novo, vida nova. Faço minha lista de boas intenções: fazer ginástica, caminhar, meditar… Meditação oriental, não ocidental. Para os ocidentais meditar é encher a cabeça de pensamentos. Para os orientais meditar é esvaziar a cabeça de pensamentos.
Enfim, quantos como Rubem Alves – por anos a fio – buscou programar uma vida nova? Ele partiu dia 19 de julho de 2014, mas deixou suas crônicas e reflexões para a eternidade. Eu, como ele, já prometi começar meditação, seguir à risca o plano alimentar da minha nutricionista, ter mais tempo para os amigos, trabalhar menos. Ou como ele bem dizia: vagabundear sem dores de consciência.
Perder peso, conseguir um emprego novo, economizar, comprar um carro, fazer mais atividade física: é hora de definir as resoluções para 2026. Apesar de toda boa intenção, apenas 8% das pessoas conseguem cumprir seus objetivos, de acordo com um estudo da Universidade de Scranton, nos Estados Unidos.
Até mesmo para não irmos contra os ritos, vamos comer uvas e guardar as sementes para o sucesso financeiro. Usar dourado, branco e tantas cores alusivas a uma vida melhor, não é mesmo? (risos) Nós, do Jornal Opção, desejamos que usem esse momento para a redefinição de intenções e objetivos para o próximo capítulo da sua história.
Se não der certo!? Faça como Raul Seixas: “Tente Outra Vez” em 2027.
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