O Jornal Opção: meio século de análise
21 março 2026 às 21h00

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Lembro-me bem do entusiasmo com que Herbert de Moraes Ribeiro — sempre apoiado pela esposa Nanci Guimarães Ribeiro — fazia para mim sua exposição sobre os planos para um novo jornal goiano, que iria além da notícia.
Corria o ano de 1975, os jornais de Goiânia seguiam a linha informativa da imprensa brasileira e o casal se propunha fazer algo diferente. Além do fato, há que se mostrar o que está por trás dele — dizia Herbert.
Já lá se vão cinquenta anos, e poucos são os que, adultos à época do nascimento do Jornal Opção, restam, como este que redige, ainda vivos para dar seu testemunho. O próprio Herbert já se foi, para consternação dos amigos e da família, mas na pessoa dos filhos, o jornal sobrevive, forte e presente — e cresce — campeão de acessos no modo atual de leitura: pela via digital (embora não morta a edição do jornal impresso).
A história do jornal é rica, para dizer o mínimo, mas não foi fácil. Todo pioneirismo paga seu preço. O Jornal Opção, de 1983 até 1991, teve mesmo que deixar suas portas fechadas e interromper sua circulação, por problemas políticos e financeiros, mais aqueles do que estes, que somente os donos do jornal podem relatar em seus detalhes. Mas voltou com a força que suas últimas décadas de presença ininterrupta atestam — e bem.
Sejam canetas, sejam máquinas de escrever, sejam computadores, os instrumentos da redação do Jornal Opção sempre estiveram na mão de profissionais da imprensa os mais competentes desse nosso Estado, nomes inesquecíveis em nossa história, boa parte deles já — como dizia o filósofo Herbert Spencer — mergulhados no imperceptível.

Nomes que marcaram o Jornal Opção e a imprensa goiana: Afonso Lopes, Anatole Ramos, Andréia Bahia, Antônio José de Moura, Britz Lopes, Carlos Alberto Sáfadi, Clarissa Bezerra, Geraldo Luccas, Heloisa Amaral, Helton Lenine, Isanulfo Cordeiro, Ivan Mendonça, Jairo Rodrigues, Joaquim Rosa, José Luiz Bittencourt, José Luiz Bittencourt Filho, José Maria e Silva, Léo Alves, Lourival Batista Pereira, Luiz Carlos Bordoni, Marcio Fernandes, Marco Antônio da Silva Lemos, Reinaldo Rocha, Rogério Lucas, Sebastiao Abreu, Wilson Silvestre e outros que, aqui ou além, hão de me perdoar as falhas da memória, quatro décadas mais velha que o Jornal Opção.
Figuras de peso foram ou ainda são colaboradoras do jornal, como Abílio Wolney, Ademir Luiz e Hélverton Baiano (que hoje pertencem à Academia Goiana de Letras), Jorge Jacob, um dos empresários mais esclarecidos da indústria e do comércio paulista (foi o criador das Lojas Arapuã, entre outros empreendimentos), Halley Margon e o notável historiador Salatiel Correa.
O jornal teve ainda, durante um certo período, um correspondente europeu: Edgar Welzel, antigo executivo da Mercedes-Benz alemã, escrevia a coluna “Carta da Europa”, desde Stuttgart, a capital de Baden-Württemberg. De Moscou, escreve para o jornal Astier Basílio, um dos mais eminentes tradutores do russo. Em Brasília, seu correspondente era A. C. Scartezini, ex-editor da revista “Veja”.
Outra marca do Jornal Opção, além de ter sido desde o início um jornal não só de notícia, mas também de avaliação, foi o fato de ter sido, bem cedo, logo após os maiores jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo, um diário informatizado, embora permanecesse como semanário impresso. E mais uma vez ficou o Jornal Opção a dever a seu fundador esse avanço. Inteligente, curioso e empreendedor, Herbert viu que o futuro digital exigia a mudança. Não titubeou, e assessorado pelos jovens nerds William Barbacena, Adonai Andrade e André Roveri, superou os obstáculos do pioneirismo e não esperou o século XXI. Em 1999, o Jornal Opção era um jornal digital.
Quem sai aos seus não degenera, diz o brocardo. Da prole de Nanci e Herbert, a trinca Patrícia, Herbert e Ludmila, apenas a última não participa da direção do Jornal Opção. Herbert sonhava com Patrícia Moraes médica, mas a jovem mostrava mesmo vocação era para jornalista. Cursou jornalismo, trabalhou com o pai e hoje dirige com sucesso o complexo, jornalístico que inclui, além do original Jornal Opção, o Jornal Opção Tocantins, o Jornal Opção Entorno de Brasília e o Opção Play. Herbert Moraes Júnior também seguiu a carreira, fez jornalismo e tem grande experiência no exterior — foi correspondente por quase 20 anos da TV Record, cobrindo o Oriente Médio. Hoje, o bom filho à casa tornou. E o sonho de ver a filha médica, Herbert realizou não com Patrícia, mas com Ludmila. Coisas do destino.
O acervo do Jornal Opção é precioso para a história goiana e deve ser preservado. Pesquisadores futuros vão se deliciar com ele. Os fatos mais importantes da política e da economia não só goiana, mas nacional, estão registrados ali. E não só registrados, mas analisados e esmiuçados por jornalistas e intelectuais de primeira linha. Entrevistas com figuras históricas desse nosso Brasil estão gravadas nesse acervo e constituem uma coleção de dados impressionante, não só pela experiência dos entrevistados.
Há que se levar em conta a competência dos entrevistadores, e no Jornal Opção sempre militaram os craques. Exemplos de entrevistados importantes, cuja fala pode ser alcançada nas páginas antigas do jornal: Pedro Ludovico, Bernardo Élis, Carmo Bernardes, José J. Veiga, Antônio Olinto (presidente da Academia Brasileira de Letras), Darcy Ribeiro, Jorge Amado, Sebastião Nery e muitos outros.
Desde 1993, quando o jornal conquistou o seu passe, o editor-chefe Euler de França Belém passou a ser a estrela do time editorial. Ele já escrevia par o jornal desde a reabertura, em 1991. Leitor compulsivo, observador profundo, profissional focado, administrador inteligente, Euler vive o jornal 24 horas por dia, e cuida dele como se fosse um filho. É um Pelé animando um time de craques, e o Jornal Opção não é outra coisa. Craques são todos, desde Euler e Patrícia Moraes (que cuida de tudo: do jornalismo à subsistência do jornal), como o jornalista mais antigo até a caçula Bruna Ariadne, não nos esquecendo da Vilma Barbosa, secretária do jornal há décadas, professora, mestre e doutora no tratamento com as pessoas. Por isso o Jornal Opção ocupa o primeiro lugar em acesso digital, que conquistou entre os jornais goianos de qualidade, com sua estrutura enxuta e eficiente. E que venham outros cinquenta anos de sucesso e de boa informação.

