Cansados de ciscar com poucos resultados, os animais reuniram-se para ver até onde cada um podia chegar, num terreiro onde muito se prometia e pouco se mudava. Falava-se em novos horizontes, em voos mais altos.

O clima era de insatisfação com os resultados pífios do terreiro em comparação com os vizinhos.

O leão, soberano atento, aprovou uma competição para escolher o melhor para dirigir os destinos do terreiro.

— Vamos escolher aquele que consegue alcançar maior altura e distância.

Marcou-se uma grande disputa entre as aves.

Águias e falcões prepararam-se em silêncio. Conheciam o ar.

Mas, entre comentários e curiosidade, uma galinha ganhou destaque. Prometia alturas nunca vistas, dizia que o céu era questão de vontade.

— Eu irei mais alto do que pensam — afirmou.

Um macaco acreditou. Um porco velho, não.

— Querer não alonga asas — murmurou.

No dia marcado, os papagaios anunciaram a partida.

As aves de rapina subiram firmes, dominando o vento. Outras as seguiram como puderam.

A galinha correu com vigor, bateu as asas com convicção, ergueu-se por um instante… e caiu.

Houve silêncio.

Ninguém riu. Ninguém falou.

Apenas se percebeu que, sem mudança estrutural, o voo da galinha não ganha altura — e o terreiro não sai do chão.