Vice de Daniel Vilela em 2026 poderá ser governador em 2030. É o x da questão
14 março 2026 às 21h00

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Longe de ser uma mera obrigação protocolar, a vaga de vice na chapa de Daniel Vilela (MDB) para o governo de Goiás é um dos principais objetos de desejo da política goiana — se não for “o” objeto de desejo político central. A “joia da coroa”, como dizem uns e outros nos corredores dos poderes.
É sabido, claro, que o governo deixará para bater o martelo nos fins do prazo previsto para escolha do nome. Como dizem os mais experimentados no campo político, não faz sentido queimar a largada e anunciar o vencedor da vaga a esta altura do campeonato, expondo-o a todo tido de “chumbo” da oposição.
Mas nos bastidores, lideranças de diferentes segmentos trabalham já há tempos e disputam espaço. Constroem alianças e intensificam movimentos com o objetivo de ocupar um cargo que, principalmente nesta eleição, pode ser fator decisório nas urnas.
Ronaldo Caiado vai renunciar ao cargo de governador em pouco mais de duas semanas para tentar viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República. O goiano é um dos três nomes à disposição no PSD para concorrer ao Palácio do Planalto. E com a saída dele — que acontecerá com grande pompa no fim deste mês, Daniel Vilela assumirá o comando do estado no Palácio das Esmeraldas. Ou seja: vai disputar a reeleição já na condição de governador.
Por óbvio, essa transição por si só já altera completamente o peso político da vaga de vice.
Por tradição, a escolha de um vice costuma atender a critérios de equilíbrio regional, partidário e, inevitavelmente, eleitoral. Em suma: não basta ser técnico, ter trajetória política e agregar voto: precisa ser um misto dessas três coisas.
E os recentes movimentos do PL, que recuou da aliança com o governo e decidiu bancar candidato próprio, em um Estado altamente bolsonarista, pedem que o Palácio não cometa erros na hora de escolher que acompanhará o candidato governista no pleito eleitoral.
Em Goiás, o cálculo é ambicioso. O cargo de vice de Daniel Vilela hoje é visto como um propulsor político com potencial de projetar, quiçá, um novo protagonista para o estado. Isso porque o vice que for escolhido não será apenas companheiro de chapa, longe disso. Ele deve ser, na prática, um participante direto de um projeto de poder com largo horizonte.
Uma coisa no meio do mar de incertezas é certa: o nome que ocupará a vice será definido diretamente por Caiado. Os interessados sabem que em um estado onde o governador tem aprovação acima de 80% e forte capacidade de transferência política, ser escolhido por ele significa receber um selo na testa de confiança, o que que pesa substancialmente.
Fortes cotados não faltam. Luiz Carlos do Carmo, ex-senador e ex-suplente de Ronaldo Caiado, é um dos nomes que mais trabalham para despontar como favorito para a vaga. Ligado também ao agro (ele é dono de cinco usinas de calcário em Goiás), Luiz é um representante proeminente do segmento evangélico e é apoiado por lideranças como seus irmãos, Bispo Oídes do Carmo e Eurípedes do Carmo, prefeito de Bela Vista. A eventual escolha dele significaria, em tese, a consolidação do apoio de um eleitorado que já é altamente simpático ao governo Caiado.
Outro nome que se movimenta é o do presidente da Faeg, José Mário Schreiner, um dos mais influentes no segmento do agro em Goiás, setor que impacta grande parte da economia e da política do estado e que tem ligação natural com Caiado, cuja trajetória foi construída dentro do movimento ruralista.
Há, também, nomes que simbolizam a lógica da confiança interna do governo. O secretário de Governo, Adriano Rocha Lima, é um dos quadros mais próximos de Caiado. Na verdade, um dos braços direitos do governador do Estado. O nome de Adriano já “nasceu” no páreo para a vaga e continua forte nele.
Outros supostos pretendentes da vaga estariam na disputa oferecendo capital eleitoral. A exemplo, o deputado estadual Wilde Cambão, que conforme já analisado pelo Jornal Opção, representa o Entorno do DF, região que concentra um grande contingente de eleitores e costuma influenciar fortemente os resultados eleitorais em Goiás.
Já o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, que também estaria na lista de cotados, é um dos maiores aliados de Daniel e aparece como um nome com musculatura política: tem votos (foi o deputado estadual mais votado do Estado nas últimas eleições), partidos, rede de aliados e presença em praticamente todos os municípios goianos.
O ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale também é mencionado como possível vice. Mas ele tem reafirmado que será candidato a deputado estadual.
Por último e não menos importante, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha. Após ficar de fora da chapa ao Senado da base governista, o nome de Mendanha teria voltado ao radar como forte opção para a vice. Com forte base eleitoral na Região Metropolitana e relação próxima com Daniel, o ex-prefeito é visto como um líder nato e capacidade de agregar votos. Foi Mendanha, inclusive, um dos grandes responsáveis pela eleição de Leandro Vilela em Aparecida.
É preciso entender que, caso Daniel Vilela vença a eleição de 2026, vai estar em seu segundo mandato consecutivo e, portanto, impedido de disputar novamente o governo em 2030 (diz-se que ele pode tentar o Senado). Esse “detalhe” não passa despercebido aos atentos. O vice chega como um herdeiro natural de uma estrutura política tremenda.
Quem ocupar essa cadeira terá, na prática, quatro anos para ampliar sua visibilidade, assumir o governo na ausência do titular (vale lembrar que Daniel Vilela assumiu o Palácio por 11 vezes ao longo do mandato) e consolidar-se dentro da máquina estadual.
A disputa pela vice nunca foi, e jamais será, apenas um capítulo burocrático da formação de chapa. Trata-se, sim, de uma batalha entre os melhores dos melhores. Há quem diga que o cargo representaria acesso antecipado ao futuro do poder no estado. Uma posição, pode-se dizer, privilegiada e necessária para quem quer estar na linha de protagonismo político em Goiás.

