Trump e Epstein: presidente expõe a face suja para esconder a putrefata
07 fevereiro 2026 às 21h28

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O magnata e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o que se pode chamar de “cara durão”. Com boa parte de sua personalidade formada a partir da mente do abominável, mas brilhante, Roy Cohn, não é qualquer coisa ou qualquer um que seja capaz de desestabilizá-lo. Mas existem duas palavras que formam um nome e que, quando pronunciadas perto de Donald, fazem com que o chefe norte-americano se arme com toda a ferocidade possível e, de imediato, perca a compostura e o equilíbrio, se é que ele os possui. Essas são: Jeffrey Epstein.
A ligação entre Epstein e Trump vem de longa data e remonta à década de 80. Os dois se conheceram após Trump adquirir o resort Mar-a-Lago, em 1985, período em que Epstein também morava em Palm Beach. Em 2002, Trump afirmou à New York Magazine que conhecia Epstein havia “15 anos”, descreveu-o como um “cara sensacional” e comentou: “Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são bem jovens”.
Acontece que o “cara sensacional” referido por Donald, segundo investigações, abusou de dezenas de mulheres e meninas menores de idade e comandava uma extensa e obscura rede de tráfico sexual que envolvia milionários, políticos e celebridades do mundo inteiro.
Epstein morreu na cadeia, após supostamente ter tirado a própria vida. Mas seu rastro ficou.
Donald Trump, o amigo do “cara sensacional”, é mencionado mais de mil vezes nos três milhões de arquivos sobre Epstein divulgados até hoje pelo Departamento de Justiça dos EUA. Enquanto algumas das referências são comuns, até inofensivas, outras abrangem gravíssimas alegações de agressão sexual envolvendo Trump, ainda não verificadas, assim como detalhes sobre como vítimas de Jeffrey interagiam com o hoje presidente dos Estados Unidos.
A exposição da rede de tortura, pedofilia e abuso sexual de Epstein e de seus integrantes é um incêndio que, felizmente, não dá sinais de acabar tão cedo. E a Casa Branca sabe disso. Munido de todo o aparelho estatal, Donald Trump está fazendo absolutamente tudo para se desvincular do “cara sensacional”.
Desde embates diretos com a imprensa, em que o presidente chama de incompetente, esquerdista e infeliz qualquer um que ousar mencionar o caso Epstein perto dele, até posicionamentos “institucionais”, nos quais porta-vozes da Casa Branca tratam o caso como uma “conspiração criada para atingir o presidente”.
E, é claro, uma de suas maiores táticas: a cortina de fumaça. Derivada de técnicas militares, essa tática visa à manipulação da opinião pública e da imprensa, além da desinformação, para desviar a atenção de questões importantes para assuntos secundários. No caso de Trump, a intenção é clara: tirar os olhos escandalizados do público do caso Epstein e direcioná-los para outras falhas de caráter e absurdidades cometidas pelo republicano.
A mais recente cortina de fumaça foi um vídeo publicado nas redes de Trump com ataques ao sistema eleitoral e que, ao final, mostra uma montagem com os rostos de Barack e Michelle Obama nos corpos de macacos.
As imagens, por si só revoltantes e escandalosas, passam ao limbo do surreal quando o público se dá conta de que foram compartilhadas pelo presidente da nação mais poderosa do mundo. É claro que o efeito esperado veio, compreensivelmente: uma enxurrada de notícias tomou as manchetes do mundo todo, resultando também em uma sequência de debates e análises sobre a profundidade do mau-caratismo de Donald Trump.
O vídeo foi apagado, mas Trump não se desculpou. A Casa Branca se limitou a dizer que se tratou de “erro de um funcionário”. A mensagem, porém, ficou clara: Trump considera menos danosa a confirmação de que é um racista inescrupuloso, sendo interpelado por isso, do que continuar a ser questionado sobre sua ligação com Jeffrey Epstein.
Trump expõe sua face suja para esconder a putrefata. Em vez de responder a vínculos incômodos e acusações graves, o presidente lança mão de escândalos calculados, ataques raciais e provocações institucionais para dominar o noticiário e o debate público. Não se trata de bravata nem de descontrole. Não mesmo: é método, é estratégia. Acortina de fumaça só se sustenta porque encobre algo muito mais tóxico e asqueroso, que Trump sabe não conseguir enfrentar, só adiar.

