Com Caiado e Ratinho Jr., PSD de Kassab cria 3ª via de peso para as eleições
31 janeiro 2026 às 21h00

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A ida surpresa de Ronaldo Caiado para o Partido Social Democrático, o PSD, veio acompanhada de reações de todos os lados. Enquanto lideranças como Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, criticou o movimento (ele estava em diálogo com o governador de Goiás quanto à possibilidade de sua filiação à legenda), outras como Jair e Flávio Bolsonaro elogiaram.
Após ter visitado o ex-presidente da República na prisão (Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado), o governador Tarcísio de Freitas disse que ele viu com bons olhos a filiação de Caiado. “O presidente tem um apreço pelo Caiado, uma consideração pelo trabalho que o Caiado fez ao longo da sua trajetória política. O presidente entende que é uma candidatura que soma também com esse projeto, que no final vai estar todo mundo junto contra o PT, não tenha dúvida disso”, disse.
Já Flávio Bolsonaro, “filho 01” do ex-presidente, disse em entrevista à CNN que a chegada de Caiado à sigla pessedista reabre negociações estaduais, já que palanques regionais passam a ter compromisso com uma candidatura nacional do partido.
O ponto é que, sejam negativas ou positivas, as reações em cadeia de lideranças políticas e a repercussão da iniciativa de Caiado na imprensa nacional – o governador de Goiás está nas manchetes dos principais veículos de imprensa do país desde o anúncio da filiação – corroboram o que analistas políticos já teorizam: com Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite, o PSD dá forma a uma terceira há anos demandada pelo eleitorado moderado e pelo chamado Centrão e que, de fato, tem chances de fazer um contraponto a Lula.
Em novembro do ano passado, uma pesquisa do instituto Genial/Quaest revelou que 24% dos eleitores afirmam que um nome nem ligado a Lula, nem a Bolsonaro seria o melhor resultado da eleição em 2026. Outros 23% acham melhor Lula ganhar de novo; 17%, alguém de fora da política; 15%, que Bolsonaro volte a ser elegível e vença.
Os números mostram, portanto, que o eleitorado dá sinais de cansaço da polarização e tende a preferir um nome que figure no espectro do centro, um candidato equilibrado que não alardeie paixões lulistas ou bolsonaristas.
Desde que a polarização ideológica tomou conta da política brasileira, colocando em confronto esquerda e direita, petistas e bolsonaristas, fenômeno que parece ter atingido seu ápice com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e que, até hoje, segue viva nos debates políticos e sociais, uma terceira via tenta se construir como alternativa equilibrada – justamente para preencher a lacuna sentida pelo eleitorado.
No entanto, até hoje, nenhum dos pretensos “terceira via” nas eleições presidenciais conseguiu sequer chegar ao segundo turno – que continuou sendo ocupado por um petista e um bolsonarista.
O que faltava a esses nomes para justamente se consolidar como um nome viável e que seja uma alternativa aos extremos pode ser justamente o que o trio de governadores do partido de Kassab alega oferecer – alguns, inclusive, dispondo de números sólidos para isso.
O mais novo integrante do trio presidenciável, Caiado tem, contudo, um trunfo concreto que os correligionários ainda não conseguiram apresentar: resultados palpáveis na segurança pública de Goiás. Sob sua gestão, comparativos oficiais mostram queda acentuada em diversos. indicadores criminais em relação a 2018, com reduções que ultrapassam 90% em tipos de roubo, como de cargas e a transeuntes, e cerca de 60% na taxa de homicídios dolosos, além de quase inexistência de roubos a instituições financeiras no estado.
Em muitos comparativos ano a ano, crimes patrimoniais seguem em queda contínua, e o estado registra a maior parte dos municípios sem homicídios nos últimos períodos analisados. Esses dados, vindos dos sistemas oficiais de segurança pública, colocam Goiás como referência em redução de criminalidade.
Destaca-se: pesquisas divulgadas no ano passando revelaram que a segurança pública é, hoje, a maior preocupação do brasileiro. E isso não passará em branco no debate de propostas dos presidenciáveis.
O próprio Lula sabe: o histórico dá a Caiado uma vantagem quando o debate migra da retórica genérica para a exposição de gestão e resultados. Em eventos públicos e fóruns eleitorais, ele pode não apenas criticar a gestão federal no que tange à segurança, mas também apresentar números e políticas aplicadas que geraram efeitos concretos no cotidiano dos cidadãos.
Mais distante do que nunca do Bolsonarismo, que terá Flávio Bolsonaro como seu candidato, o PSD reforça o argumento de que a sigla pode ser um ponto de convergência para setores do chamado Centrão e para eleitores moderados desgastados com a polarização PT vs. Bolsonaro.
Se o partido de Kassab conseguir capitalizar essas qualidades – discurso pragmático e oposição equilibrada (longe da fanática da ala bolsonarista) – nas fases decisivas da campanha, não apenas o eleitorado moderado, mas também grupos tradicionalmente voláteis podem começar a ver a sigla como uma alternativa crível. Isso colocaria o PSD, e nomes como Caiado, em um patamar muito diferente do histórico de terceiras vias anteriores. O que era expectativa de retórica, vira competitividade eleitoral real.
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