Após 30 anos, estudo revela pela primeira vez o mapa completo dos nervos do clitóris
29 março 2026 às 16h40

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Três décadas depois de a ciência mapear a rede de nervos do pênis, pesquisadores finalmente voltaram seus olhos para um órgão ainda cercado por desconhecimento: o clitóris. O resultado é um estudo inédito, divulgado em 20 de março, que revela detalhes nunca antes vistos sobre sua estrutura interna — e pode mudar a forma como a medicina entende o prazer feminino.
Conduzida por cientistas de instituições europeias, a pesquisa utilizou tecnologia avançada de raios X para criar imagens em 3D de pélvis femininas doadas à ciência. O trabalho identificou, com precisão impressionante, a complexa rede de nervos do clitóris — essencial para o orgasmo — e mostrou que muito do que se acreditava até hoje estava incompleto ou até errado.
Para se ter ideia, o clitóris só passou a aparecer oficialmente em livros de anatomia em 1995. Até então, era praticamente ignorado pela medicina tradicional, reflexo de um longo histórico de tabu em torno da sexualidade feminina.
Agora, o novo estudo muda esse cenário. Os pesquisadores mapearam cinco conjuntos principais de nervos, com ramificações semelhantes a árvores, que percorrem o órgão. Algumas dessas terminações se estendem até o monte pubiano, outras chegam ao capuz do clitóris e até às estruturas dos lábios vaginais.
Uma das descobertas mais importantes contraria uma teoria antiga: acreditava-se que o principal nervo do clitóris perdia força ao se aproximar da glande. As imagens, porém, mostram que ele permanece robusto até o fim — o que ajuda a explicar melhor a sensibilidade da região.
“Este é o primeiro mapa 3D dos nervos dentro das glândulas do clitóris”, afirmou a pesquisadora Ju Young Lee, do Centro Médico da Universidade de Amsterdã, em entrevista ao jornal The Guardian.
Além de ampliar o conhecimento científico, a descoberta tem impacto direto na saúde das mulheres. O novo mapeamento pode ajudar médicos a evitar danos durante cirurgias pélvicas e também aprimorar procedimentos de reconstrução em vítimas de mutilação genital feminina.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 230 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo já passaram por esse tipo de mutilação. Em muitos casos, mesmo após cirurgias reconstrutivas, há perda parcial da função sexual — algo que a ciência agora espera reduzir com base nesse novo conhecimento.
Mais do que uma descoberta anatômica, o estudo representa um avanço simbólico: a ciência começa, finalmente, a tratar com seriedade e profundidade um tema historicamente negligenciado.

