Reunião anuncia integração da rede de proteção às mulheres em Aparecida de Goiânia
04 fevereiro 2026 às 17h50

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A secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Carolinne Tavares Araújo, afirmou que o acolhimento às mulheres vítimas de violência depende de uma rede integrada de atendimento. “A mulher precisa de uma rede integrada para ser acolhida e protegida”, declarou durante reunião que marcou o início do alinhamento dos fluxos de atendimento em Aparecida de Goiânia.
O encontro, promovido pelo Ministério Público de Goiás na última sexta-feira, 30, na sede da Secretaria da Mulher, reuniu representantes de 26 instituições do poder público e da sociedade civil. A reunião foi conduzida pelas 20ª, 21ª, 24ª e 26ª Promotorias de Justiça da comarca de Aparecida de Goiânia e teve como objetivo apresentar e debater os fluxos de atendimento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e da Polícia Técnico-Científica do município, fortalecendo a integração entre os órgãos que compõem a rede de proteção.
Segundo Carolinne, a violência contra a mulher exige uma atuação articulada entre diferentes áreas. “A mulher não consegue resolver o problema sozinha indo apenas à delegacia ou ao Tribunal de Justiça. Ela precisa de uma rede integrada, com saúde, assistência social, Judiciário, Ministério Público e Secretaria da Mulher trabalhando de forma coordenada”, destacou.
Deam como porta de entrada
A secretária explicou que, na maioria dos casos, a porta de entrada da vítima é a Deam, de onde partem os encaminhamentos conforme a necessidade de cada situação. “Quando a rede se comunica, o atendimento melhora e conseguimos reduzir os riscos, evitando que a mulher fique indo de um órgão para outro sem orientação”, afirmou.
Atualmente, Aparecida de Goiânia acompanha cerca de 2 mil medidas protetivas, monitoradas pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana, por meio das Patrulhas Maria da Penha. Para Carolinne, o número é preocupante. “O nosso objetivo é zerar, mesmo sabendo que é difícil. Por isso, também trabalhamos a educação desde as escolas, para ensinar que gritar ou bater não é amor, é violência”, ressaltou.
Construção de fluxo unificado
O encontro marcou o início da construção de um fluxo unificado de atendimento, que deverá ser aprimorado ao longo do ano. “Esse foi apenas o começo. A ideia é evitar a repetição de serviços, melhorar a comunicação e garantir que a mulher chegue ao lugar certo, sem reviver a violência várias vezes”, explicou a secretária.
Carolinne também destacou avanços recentes da política municipal, como a qualificação profissional de 222 mulheres, das quais 140 receberam crédito social de até R$ 5 mil para iniciar pequenos empreendimentos. Além disso, o município distribuiu quase 300 cartões do programa Goiás por Elas e ampliou ações de acolhimento institucional, aluguel social, apoio psicológico e campanhas educativas.
Agenda integrada para 2026
Para 2026, a Secretaria da Mulher prepara uma agenda integrada de ações, com iniciativas como o Circuito das Mulheres, campanhas de conscientização, bazar solidário, novos cursos de capacitação, eventos educativos e aulas de defesa pessoal. “Estamos estruturando uma programação anual para fortalecer ainda mais a rede e ampliar a proteção às mulheres”, disse.
Apesar dos avanços, a secretária reconheceu que ainda há desafios. “O principal gargalo hoje é a comunicação entre os órgãos. Precisamos de um sistema que converse com toda a rede. Esse fluxo está sendo construído e deve avançar ao longo do ano”, concluiu.
A iniciativa integra a etapa de execução do Serviço Fortalecendo Redes, do Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica (Compor), implementado em Aparecida de Goiânia, com atuação conjunta das promotorias responsáveis pelos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher e da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Administrativos.
Participaram da reunião representantes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Patrulha Maria da Penha (PM), Patrulha Guardiã Maria da Penha (GCM), Polícia Científica, Polícia Civil, além de secretarias municipais como Saúde, Assistência Social, Educação, Trabalho, Esporte, Cultura, Segurança Pública e Habitação. Também estiveram presentes a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, a Superintendência da Mulher do Estado e a ACIAG Mulher.
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