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*Com a colaboração do João Reynol
A cidade turística de Caldas Novas, em Goiás, enfrenta uma grave crise administrativa e de saúde pública que tem mobilizado moradores, comerciantes e lideranças políticas. A deputada federal Magda Mofatto (PRD) denunciou, nesta quinta-feira, 15, a má gestão municipal, apontando problemas estruturais, desvio de recursos e impactos diretos no turismo, principal fonte de renda da região.
Segundo Mofatto, a pressão popular obrigou o prefeito a iniciar uma limpeza emergencial nas ruas da cidade. Ela destacou que o governo estadual já vinha realizando uma ação rigorosa de manutenção nas rodovias que margeiam Caldas Novas, o que aumentou a cobrança sobre a administração municipal. “Não é só nas residências que se acumula sujeira. As ruas estão tomadas por lixo, mato largado e poças d’água. Só agora, depois de tanta cobrança e da vergonha que ele está passando, resolveram começar a limpeza”, afirmou.
A situação da saúde pública é descrita como crítica. Hospitais estão sobrecarregados, sem medicamentos e sem estrutura para atender a população. “Está cheio de gente procurando socorro, sem remédio e sem atendimento. Isso afeta diretamente o turismo, porque quem vê uma cidade nessa situação pensa duas vezes antes de vir para cá. Imagina criança passando necessidade, gente em casa sofrendo, ninguém quer enfrentar isso”, disse a parlamentar.
Mofatto também denunciou o mau uso de recursos destinados à saúde. Ela afirmou ter enviado R$ 1,6 milhão para a compra de um tomógrafo em 2024, mas o equipamento nunca foi adquirido. O Ministério Público já acompanha o caso. Além disso, R$ 500 mil destinados à reforma de um posto de saúde não foram aplicados, e a obra não saiu do papel. “O dinheiro caiu em conta, mas sumiu. Foi desvio de recurso. Esse é apenas um exemplo dos muitos que existem”, declarou.
A deputada criticou ainda a tentativa da administração municipal de cobrar uma taxa de entrada para visitantes. “É um absurdo. Já enfrentamos crise, já é difícil atrair turistas, e ainda querem cobrar para entrar na cidade. Isso não existe”, afirmou.
Entre os problemas relatados também estão o atraso nas folhas de pagamento e obras paradas, compondo um quadro de desorganização que ameaça não apenas a saúde da população, mas também a economia local.
De acordo com Mofatto, a cobrança por respostas é generalizada. “Todo mundo está cobrando. A classe política, as empresas, as rádios, os comerciantes e a população. Infelizmente, a administração pública tem demonstrado comportamentos péssimos”, concluiu.
Posição da prefeitura
A Prefeitura de Caldas Novas declarou estado de emergência em saúde pública após registrar mais de 120 casos notificados de Dengue e Chikungunya nos primeiros dias de 2026. O decreto nº 0050/2026, assinado pelo prefeito Kleber Marra e publicado no Diário Oficial em 13 de janeiro, autoriza medidas administrativas excepcionais para conter o avanço da epidemia.
Entre as ações previstas estão a aquisição imediata de insumos como medicamentos, testes rápidos e inseticidas, além da contratação temporária de pessoal e serviços essenciais, incluindo veículos e máquinas para limpeza de áreas públicas e privadas.
O secretário municipal de Saúde, Wiris Arantes, destacou que o combate ao mosquito Aedes aegypti depende da colaboração da população. “Só vamos vencer esse mosquito se estivermos unidos, atentos e mobilizados todos os dias”, afirmou.
As medidas incluem visitas domiciliares de agentes comunitários para eliminação de criadouros e reforço no atendimento médico. Casos leves devem ser direcionados às UBSs e ESFs, enquanto situações moderadas e graves serão atendidas na UPA 24 horas e na unidade de extensão instalada no setor Recanto dos Eucaliptos.
A Prefeitura reforça ainda orientações à população: evitar água parada, descartar corretamente lixo e entulhos, manter caixas d’água tampadas e redobrar cuidados com piscinas e calhas.
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