Anápolis
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Antônio Gomide: com tudo na mão para ser o candidato ao governo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), deu um passo importante rumo a consolidar sua candidatura ao governo do Estado. Em reunião com a direção nacional do PT em Brasília na quinta-feira, 20, ele recebeu carta-branca para se firmar como nome ao governo, independentemente da decisão a ser tomada pelo PMDB. Porém, ainda pode se ver ameaçado por uma possível candidatura de Iris Rezende. Essa é a leitura que se pode fazer da reunião.
Na avaliação de Gomide, entretanto, o discurso é o mesmo: só deixa a prefeitura anapolina se for para ser candidato. Ele aposta na sua capacidade de crescimento, visto que não é largamente conhecido no Estado. Se subir nas pesquisas, chegará às convenções mais forte do que já está. Mas o tempo é curto, uma vez que, se for se descompatibilizar, deverá fazê-lo até o próximo dia 29, quando o PT se reúne com seus delegados.
É certo que, por orientação nacional, o PT terá que ceder a cabeça de chapa para o PMDB em oito Estados — até agora — e Goiás não está no meio. São eles: Amazonas, que tem o senador Eduardo Braga como nome peemedebista; Sergipe, onde o governador Jackson Barreto (PMDB) tentará a reeleição; em Alagoas, Renan Filho –– filho do presidente do Senado Renan Calheiros –– parece ser o nome que encabeçará a chapa; Pará, onde o cabeça peemedebista deverá ser o ex-prefeito de Ananindeua Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho; Mato Grosso, onde o candidato do PMDB deverá ser Nelson Trad Filho; e Rondônia, onde Confúcio Moura há de ser confirmado. Já na Paraíba a situação é um pouco mais complexa, uma vez que a então pré-candidata petista Nadja Palitot pode fechar com o peemedebista Veneziano Vital do Rêgo, que também cogita se aliançar com o PSDB em um grande bloco para derrotar o governador Ricardo Coutinho (PSB).
O oitavo Estado é o Tocantins. O discurso petista no Estado ainda é de candidatura própria, mas já mudou um pouco, após a entrada do ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão –– que diz ter carta branca para dialogar com todos os partidos. Ao que consta, Mourão não tem a resistência característica de uma ala do partido para fechar acordo com o PMDB visando as eleições de outubro.
Na reunião com a direção nacional do PT, Antônio Gomide recebeu aval para conduzir conversas em relação às alianças quase livremente. Quando se trata de política partidária, o parceiro imediato do PT seria o PMDB, mas há outros: PCdoB, PPL, PDT e Pros foram siglas procuradas pelo petista para compor aliança, embora PDT e Pros tendam a acertar com o PMDB de Júnior Friboi. Se os dois principais forem juntos, estará formada a aliança. O “quase livremente” dito a Gomide consiste na orientação de não se aliar a três partidos especificamente: PSDB, DEM e PPS. Nenhuma surpresa, uma vez que PT é oposição ao PSDB tanto no Estado quanto no cenário federal. Fora isso, o partido não fecha com os democratas em nenhuma esfera. Há animosidade entre as siglas, sem contar no fato de que o líder do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, deverá participar da chapa majoritária do governador Marconi Perillo (PSDB). E o PPS de Marcos Abrão –– que quase foi PPS de Lúcia Vânia, um dos principais nomes tucanos –– é, ao lado de PSD e PP, a legenda que concede maior apoio a figura de Marconi, além de fazer oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.
O edital do IV Anápolis Festival de Cinema, que acontecerá entre os dias 18 e 25 de maio, foi lançado na quarta-feira, 19, pelo vice-prefeito, João Gomes (PT). Serão três mostras competitivas, uma mostra paralela, exibições infantis, além de debates, oficinas, mesas redondas e lançamentos de livros. Neste ano, serão quase R$ 139 mil em premiações distribuídos entre os vencedores das duas mostras de curtas e nas várias categorias da Mostra Adhemar Gonzaga de Cinema Brasileiro, que reúne três longas-metragens brasileiros de ficção premiados nacional e internacionalmente. As inscrições para os filmes de curta-metragem anapolinos e de filmes de curta-metragem do Centro-Oeste estarão abertas de 22 a 30 de abril, exclusivamente pelo site do Festival.
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Antônio Gomide e Iris Rezende: os dois marcam o crescimento da oposição, que poderá tomar votos de Marconi Perillo em Anápolis | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
“Vi da melhor maneira possível, pois qual prefeito no Brasil tem uma gestão de cinco anos com uma aprovação de mais de 90%?” Essa foi a fala do prefeito Antônio Gomide em relação a uma pesquisa divulgada na semana passada.
De fato, Gomide não pode reclamar, mesmo que tenha perdido alguns pontos nas intenções de voto entre os anapolinos. A pesquisa mostrou que o prefeito tem uma aprovação de governo de 91,4%, enquanto a avaliação da gestão do governador Marconi Perillo (PSDB) ficou em 46,5%, 1,2 ponto porcentual abaixo da desaprovação (47,7%). A situação é ainda melhor quando comparada com a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT): 45,2% de aprovação contra 50,3% dos insatisafeitos.
Fora isso, a pesquisa trouxe pontos interessantes em relação às intenções de votos. Em um quadro com Marconi, Iris Rezende (PMDB), Ronaldo Caiado (DEM) e Júnior Friboi (PMDB) e Vanderlan Cardoso (PSB), Gomide fica com 65,4% das intenções de votos. Sem Iris na disputa, o petista sobe para 67,7%. Esse quadro já era esperado, de certa forma.
O interessante foi ver que o governador — que tem um histórico muito positivo de votações em Anápolis, o terceiro maior colégio eleitoral de Goiás —, ficar tecnicamente empatado com Iris Rezende — que tem um histórico negativo de recepção por parte do anapolino, devido a atribuição de falha com a cidade nos últimos governos peemedebistas. Na estimulada, sem Gomide, Marconi fica com 34,9% das intenções de votos contra 30,6% de Iris.
Por quê? Um empresário anapolino dá sua explicação. Segundo ele, a aliança estadual entre PT e PMDB favoreceu o crescimento de Iris. “Não acho que o anapolino veja a figura do governador Marconi Perillo de forma menos qualificada. Não é descrédito dele, mas crédito dos adversários. Fala-se muito mais de PMDB na cidade do que se falava anteriormente, devido à aliança do partido com o bem avaliado PT do prefeito Antônio Gomide. E o PMDB também tem se tornado mais ativo no município.”
O presidente do PSDB de Anápolis, professor Valto Elias, avalia que a pesquisa demonstra uma realidade momentânea, devido ao período vivido pelo governador desde o início de seu mandato e também a oscilação natural sofrida pela base por conta do crescimento da oposição. “Em 2011, o governador pegou um Estado com muita dificuldade financeira e capacidade de apresentação de resultados imediatos. Fora os problemas sofridos com a CPMI em 2012. Então, ele gastou muito tempo nisso, buscando recursos para investir e se defendendo de acusações infundadas. Mas há tempo para reverter esse quadro, pois agora o governador colocou a casa em ordem, pagou as dívidas e está inaugurando obras em todo o Estado, além de estar marcando presença em Anápolis, não só fisicamente como de governo. Mas é um quadro natural”, analisa.
Elói Pietá esteve em Goiás no fim da semana passada para auxiliar Antônio Gomide na formatação de seu plano de governo. Mas não apenas isso. Fazendo o jogo partidário, o ex-prefeito de Guarulhos alfinetou os PMDBs estaduais nesse período conturbado de alianças partidárias. Ele, que deixou a diretoria do PT nacional para passar três meses na Índia aprendendo inglês, disse: “Goiás vive uma situação bastante parecida com São Paulo, em que o PSDB governa o Estado há 20 anos; em que o PMDB tem como pré-candidato um empresário — Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) — que representa o pensamento das elites; e em que o PT postula lançar candidatura própria, com o ex-ministro Alexandre Padilha.” Logo, seu pensamento é o de que PT e PMDB devem, sim, lançar candidaturas separadas no primeiro turno e, quem sabe, juntar forças em uma possível segunda estapa. “O PT nacional não pode reclamar, pois estamos disputando a aprovação do povo com bons candidatos nos Estados. O que não podemos aceitar é ver Friboi e Gomide dividindo palanque. Afinal, não há nenhuma identidade entre os dois. Situação diferente da vivida pela presidente Dilma e o [vice Michel] Temer”, diz.
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Presidente do Senado alemão, Stephan Weil, visita o Brasil e se encontra com representantes goianos em Brasília com o objetivo de analisar economia goiana | Foto: Reuters[/caption]
Um encontro em Brasília deverá influenciar diretamente as ações em Anápolis. No dia 18, representantes de Goiás se encontram com empresários alemães na Embaixada Germânica para firmar parcerias. Estará presente, em visita oficial, o presidente do Senado alemão, Stephan Weil.
A reunião é resultado de um primeiro encontro ocorrido no fim de fevereiro, quando os presidentes da Fieg, Acieg, Adial e Lide Empresarial — Pedro Alves, Helenir Queiroz, Cesar Helou e André Rocha, respectivamente —, além do secretário da Indústria e Comércio, Rafael Lousa, conversaram com empresários alemães. O objetivo foi analisar as perspectivas, da economia goiana para 2014 e verificar quais as possíveis parcerias comerciais com a Alemanha.
O cônsul honorário alemão em Goiás, William O’Dwyer, que também participa dos encontros, ressalta que os encontros servirão para fazer com que Anápolis e Goiás recebam auxílio na área de logística, construção e operação de aeroportos e transportes. No caso de Anápolis, a parceria se concretizará em relação à plataforma multimodal, ao aeroporto de cargas e ao porto seco. “Virão técnicos e engenheiros de construção de aeroportos e logística de portos alemães para analisar e auxiliar as construções. Isso significa uma grande parceria para Goiás”, afirma.
O PSDB de Anápolis tem mantido o caminho proposto a ser seguido: trabalhar pela reeleição do governador Marconi Perillo e pela eleição de Alexandre Baldy a deputado federal. Fora isso, o partido tem conversado com outras siglas. É o que aponta o presidente da legenda, Valto Elias. Segundo ele, já houve conversas com o PSL — que deverá estar na base juntamente com outros partidos pequenos como o PHS, de Eduardo Machado, e o PMN, do pré-candidato a deputado federal Valter Paulo — e o PV. As reuniões que devem ocorrer nesta semana são com PPS e PSDC. Valto Elias avalia que as conversas são necessárias para a formatação da chapa e também para a própria busca de entendimento na luta pela eleição na disputa de outubro.
Durante toda a semana passada, foi realizado o Seminário Regional de Formação de Gestores e Educadores envolvendo Anápolis e outros 46 municípios que fazem parte da região de abrangência. O principal foco de discussão do evento foi na implementação do Programa de Educação Inclusiva “Direito à Diversidade”, cujo objetivo é atuar para constituir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade envolvendo todos os alunos. De acordo com a secretária de Educação, Virgínia Melo, os pontos considerados no seminário convergiram para a elaboração de temas e palestras a fim de discutir as diferenças etnicorraciais, assim como as políticas para crianças com necessidades especiais, e educação para jovens e adultos.

